Receio da Grécia volta e bolsas na Europa perdem

As bolsas da Europa fecharam com quedas acentuadas nesta sexta-feira, em meio aos receios com Grécia e Espanha e também com as expectativas da reunião do presidente dos Estados Unidos com líderes do Congresso para evitar o chamado "abismo fiscal". O índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 1,00%, fechando a 262,86 pontos, o menor nível desde o começo de agosto. Na semana, esse indicador teve queda de 2,7%.

Sem grandes notícias na Europa, os investidores se focaram na reunião do grupo de ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), que acontece na próxima terça-feira (20). Autoridades do bloco ainda parecem longe de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o relaxamento nos termos do pacote de resgate para a Grécia e a liberação da próxima parcela da ajuda ao país. Hoje a Grécia conseguiu pagar sem problemas uma dívida de 5 bilhões de euros em bônus que venceram, evitando assim, pelo menos temporariamente, o risco de um calote.

A escalada da violência no Oriente Médio também começa a afetar os mercados financeiros, fazendo os investidores buscarem proteção em ativos mais seguros. Militantes palestinos tentaram novamente hoje atacar a cidade de Tel Aviv, em Israel, e o país afirma que está pronto para responder com um ataque por terra à Faixa de Gaza.

Enquanto isso, o primeiro-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, dissolveu nesta sexta-feira formalmente a Câmara Baixa do Parlamento, dando início assim ao período de quatro semanas de campanha antes das eleições. Separadamente, o ministro das Finanças japonês, Koriki Jojima, disse que Noda instruiu seu gabinete a elaborar um pacote de medidas de estímulo fiscal até 30 de novembro.

Nos EUA, a produção industrial caiu 0,4% em outubro ante setembro, segundo informou nesta sexta-feira o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). O resultado contrariou as previsões dos analistas ouvidos pela Dow Jones, que esperavam aumento de 0,2%. Na comparação com outubro do ano passado, a produção subiu 1,7%.

Já o presidente norte-americano, Barack Obama, se reuniu nesta sexta-feira com líderes do Congresso para negociar maneiras de evitar o chamado "abismo fiscal" - uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos automáticos programada para entrar em vigor no começo do ano que vem e que pode fazer a economia entrar em recessão. Mas o encontro só terminou quando as bolsas europeias já estavam fechadas.

Após a reunião, o presidente do Senado, o democrata Harry Reid, disse que se sente "muito bem" com o que foi discutido e que os líderes não vão esperar até o último dia para fechar um acordo. Já o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, afirmou que só aceita aumentos de receita se houver cortes de gastos ao mesmo tempo.

Nesse cenário, o índice DAX da Bolsa de Frankfurt fechou em queda de 1,32%, a 6.950,53 pontos. Na semana, o mercado perdeu 2,97%. As perdas nesta sexta-feira foram puxadas pelo setor bancário, com destaque para Commerzbank (-4,97%) e Deutsche Bank (-3,76%).

Em Paris, o índice CAC-40 recuou 1,21%, fechando a 3.341,52 pontos. No acumulado da semana, a perda foi de 2,40%. Nesta sexta-feira, a Renault ganhou 1,15%, após dados mostrarem que a queda nas vendas de carros na Europa desacelerou em outubro. A petroleira Total perdeu 1,22%.

O índice FTSE, de Londres, teve retração de 1,27% e fechou a 5.605,59 pontos. A queda na semana foi de 2,84%. A BP perdeu 2,07% nesta sexta-feira, após anunciar na quinta-feira (15)um acordo de US$ 4,5 bilhões para encerrar processos nos EUA relacionados ao vazamento de petróleo no Golfo do México em 2010. O HSBC recuou 0,91%.

O índice PSI-20, da Bolsa de Lisboa, caiu 1,91% e fechou a 5.137,89 pontos. O índice FTSE-Mib, da Bolsa de Milão, teve queda de 2,02%, fechando a 14.855,79 pontos. Já na Bolsa de Madri, o índice IBEX-35 recuou 1,39%, fechando a 7.588,20 pontos. As informações são da Dow Jones.

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