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Receio de descontrole fiscal cresce e Ibovespa volta a cair, na contramão de NY

·3 min de leitura
Sede B3

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Notícias de que o governo federal está prestes a aprovar um pacote de auxílio social que romperá o teto de gastos levavam nesta terça-feira o principal índice de ações brasileiras para a contramão do otimismo das praças internacionais.

Às 12:03, o Ibovespa mostrava queda de 2,2%, aos 111.943,94 pontos, perdendo o piso dos 112 mil pontos. O giro financeiro da sessão era de 11,2 bilhões de reais.

O governo pretende pagar 400 reais por beneficiário do programa de transferência de renda Auxílio Brasil em 2022, com parte do orçamento sendo pago dentro do teto de gastos e parte fora, disse uma fonte a par do assunto à Reuters.

Segundo profissionais do mercado, a notícia avivava os temores de descontrole fiscal, com Jair Bolsonaro procurando chegar competitivo às eleições presidenciais do ano que vem.

"Os mercados devem ficar na defensiva, enquanto observam o desenrolar dos acontecimentos", afirmou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, em nota a clientes.

Assim como já ocorrera na véspera, esse ambiente doméstico mais pesado impedia o Ibovespa de acompanhar a influência positiva das bolsas internacionais. Em Nova York, os índices subiam na esteira de expectativas para resultados de Facebook, Apple e Alphabet.

Por aqui, o dia também era marcado por extensa agenda de anúncios corporativos, incluindo B3, Cesp, EDP Brasil, IRB Brasil Re e MRV.

DESTAQUES

- MRV tinha queda de 4,8% após anunciar alta nos lançamentos e vendas no terceiro trimestre, com desempenhos da Luggo e da unidade AHS nos EUA compensando o recuo na divisão principal de construção de prédios de apartamentos no Brasil. Em nota a clientes, o BTG Pactual frisou os resultados fracos e o consumo de caixa, mas manteve recomendação de compra para as ações.

- B3 perdia 1,4%, após anunciar a compra de 100% da empresa de big data e inteligência artificial Neoway por 1,8 bilhão de reais, em dinheiro.

- EDP BRASIL caía 0,8% após anunciar a venda de 3 empreendimentos de transmissão de energia para a Actis por 1,32 bilhão de reais, além dop plano de vender hidrelétricas até o fim do ano.

- IRB BRASIL RE tinha estabilidade, após a resseguradora anunciar Willy Jordan Neto como novo vice-presidente financeiro e de relações com investidores.

- CESP subis 2,7%. Na segunda-feira à noite, Votorantim e CPP Investments anunciaram planos para consolidar seus ativos de energia no Brasil, com a criação de uma empresa que será controladora da Cesp. Em nota a clientes, o Credit Suisse avaliou que a transação deve permitir que a empresa tenha melhor estrutura de alavancagem e se beneficie da atual alta demanda com fontes renováveis. "Porém, os termos propostos parecem não favorecer os acionistas minoritários."

- PETROBRAS era desvalorizada em 4,2%. A companhia afirmou ter tido "demanda atípica" de pedidos de fornecimento de combustíveis para novembro, muito acima dos meses anteriores e de sua capacidade de produção.

- BANCO DO BRASIL perdia 2,8%, com os grandes bancos também acusando a perspectiva de piora fiscal, mesmo com a informação de que o governo pode desistir do Imposto de Renda sobre dividendos. BRADESCO cedia 2,4%, enquanto ITAÚ UNIBANCO tinha queda de 1,8%.

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