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Rebaixamento que põe nota da Americanas em default foge do normal, diz S&P

***ARQUIVO**** RIO DE JANEIRO, RJ, 27.03.2020 - Lojas Americanas em funcionamento, após decreto da Prefeitura do Rio, no Recreio dos Bandeirantes,  zona oeste da cidade (Foto: Tércio Teixeira/Folhapress)
***ARQUIVO**** RIO DE JANEIRO, RJ, 27.03.2020 - Lojas Americanas em funcionamento, após decreto da Prefeitura do Rio, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste da cidade (Foto: Tércio Teixeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O rebaixamento de seis degraus na nota de crédito da Americanas feito pela S&P Global -e que levou o rating da empresa para a posição de não pagamento- não tem paralelos recentes no Brasil, pelas medições da agência.

Na segunda-feira (16), a S&P Global rebaixou a nota de crédito da Americanas de "B" (na escala global) e de "brA-" (na escala nacional Brasil) para "D", de default, o que demonstra a gravidade e o grau de incertezas que circundam a varejista.

Dentro da metodologia, com o rebaixamento para a nota "D", a empresa não paga ou não honra suas obrigações com os credores em dia, descumprindo os contratos.

Na última sexta-feira (13), a S&P já havia reduzido o rating da Americanas de 'BB', um grau abaixo do nível de investimento, para 'B' e colocou a nota em perspectiva negativa, sinalizando que novos cortes seriam possíveis no curto prazo.

"O rebaixamento anterior já tinha sido importante. A depender de qualquer evento, o rating pode mudar múltiplos níveis para cima ou para baixo, indo para o nível que julgarmos adequado. O mais comum é sempre mover um ponto para cima ou para baixo, esse movimento [da Americanas] não é o que costuma acontecer", diz Luisa Vilhena, uma das analistas da S&P que assinam o documento.

No relatório, os analistas da agência mencionam que a mudança na nota ocorre após a empresa ter recebido a tutela da Justiça, permitindo a suspensão de pagamento de dívida no prazo de 30 dias. "A agência entende que, apesar de ser uma medida aprovada pela Justiça, a empresa está quebrando com as promessas originais de pagamento nesse prazo".

O grau de default, na definição em português, é uma nota que vai além do risco de não pagamento e em que já fica caracterizado que a empresa não está cumprindo suas obrigações financeiras, o que pode ser traduzido como "calote", diz Vilhena.

"Quanto mais perto de 'D', maior o risco de não haver pagamento, mas o default já é uma definição de que ela não está cumprindo com as suas obrigações."

Durante a Operação Lava Jato, ocorreram rebaixamentos em vários degraus de diversas empresas. Mas, segundo a agência, não há no histórico recente o rebaixamento de outra empresa brasileira pela S&P, no mesmo nível e indo direto para o degrau de default, como ocorreu com a Americanas.

O rating é sempre uma avaliação independente, apesar de a agência manter contato com as empresas e o relacionamento é próximo, para conseguir o máximo possível de informações. Neste caso, segundo a agência, foi uma surpresa para todo o mercado e não era algo que os analistas tinham no radar.

A partir da crise de 2008, em que houve a falência do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, as agências de risco revisaram seus procedimentos internos para a atribuição das notas de risco.

A analista diz acreditar, no entanto, que o caso da Americanas, ao menos com as informações disponíveis até o momento, não deve gerar uma revisão dos procedimentos das agências.

"Desde 2008, tivemos mudanças de regulação de forma global por todas as agências e implementamos novos procedimentos para nos adequarmos. Na minha opinião, este é um caso muito pontual e que não revela uma falha específica, falando pela S&P. É uma situação totalmente anormal, não me lembro de nenhum outro caso tão dramático de inconsistência."

Há a expectativa de que a Americanas entre com um pedido de recuperação na Justiça nos próximos dias no valor de aproximadamente R$ 20 bilhões. Segundo o relatório da agência, mesmo que a empresa não entre em recuperação, a reestruturação da dívida já ocorreria em condições diferentes dos contratos originais, justificando a classificação de default.

A agência de risco Fitch também havia rebaixado a nota de crédito da Americanas, na escala global de 'BB' para 'CC', e de 'AA+' para 'CC' na escala nacional, dois níveis acima do patamar de inadimplência ('D').

Nesta terça-feira (17), a agência Fitch Ratings voltou a cortar a nota de crédito da Americanas, desta vez para 'C'.

"No caso de a Americanas anunciar formalmente um plano de reestruturação, os ratings serão rebaixados para 'RD' para refletir um default restrito ou 'D' se a empresa entrar com pedido de recuperação judicial", afirmou a agência, em relatório.

A Fitch afirma que a estrutura de capital da Americanas é considerada insustentável. "O passivo adicional anunciado quase dobrou o cálculo da Fitch da dívida líquida ajustada da empresa para R$ 46 bilhões, de R$ 26 bilhões."

Para Lucas Serra, analista da Toro Investimentos, há um risco importante para os fundos. "Aqueles que decidirem vender os títulos, apurarão prejuízos relevantes. Com o rebaixamento do rating da companhia, reforçando o aumento expressivo do risco de crédito observado, o PU [preço unitário] desses títulos caiu bastante."

Segundo Serra, para aqueles que decidirem segurar esses títulos, há o risco de default. "Em caso de não pagamento, os fundos detentores desses títulos deverão entrar em acordo com os demais credores, seguindo regras de prioridade, e dificilmente receberão o valor total inicialmente acordado."