Mercado abrirá em 4 h 41 min

Estudo, imóveis e indústria: Realidade virtual ganha força no Brasil

Colaboradores Yahoo Finanças
MedRoom usa inteligência artificial para ensino de medicina (Foto: Divulgação)
MedRoom usa inteligência artificial para ensino de medicina (Foto: Divulgação)

Por Matheus Mans

Após ficar conhecida pela aplicação em produtos audiovisuais e games, a realidade virtual (VR) está ganhando força em diferentes setores no mercado brasileiro. Salas de aula, empreendimentos imobiliários e até estudos de anatomia estão recorrendo aos óculos e gráficos potentes para levar realismo para situações que, antes, ficavam na imaginação.

SIGA O YAHOO FINANÇAS NO INSTAGRAM

BAIXE O APP DO YAHOO FINANÇAS (ANDROID / iOS)

E as principais responsáveis por essa mudança na rota da tecnologia são as startups. As empresas estão resolvendo problemas graves que acompanhavam o VR globalmente, como preço alto de dispositivos, problemas de processamento e a busca por uma finalidade que faça sentido. Criatividade e disrupção estão impulsionando a tecnologia no País.

Leia também

“O smartphone, o Instagram e qualquer outra tecnologia em alta hoje levou tempo para se consolidar e achar o melhor meio de entrar no mercado. O mesmo acontece com a realidade virtual”, disse Arthur Gorja, especialista em realidade virtual e aumentada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). “O momento é agora”.

Na sala de aula

Uma startup que olha para a diversidade que esse mercado pode alcançar é a MedRoom. Há pouco mais de um ano na América Latina, a empresa está presente em sete instituições no Brasil com o Atrium, um laboratório de anatomia em realidade virtual. Nele, alunos de medicina e áreas correlatas tem a experiência de trabalhar com o corpo de um paciente.

“O laboratório é recheado de ferramentas. Como, por exemplo, o criador de aulas, no qual professores possuem autonomia e liberdade para guiar alunos de acordo com as demandas de cada aula”, explica Vinicius Gusmão, cofundador e CEO na MedRoom. “Se a base anatômica de um assunto for relevante, ele pode ser apresentado e discutido no Atrium”.

Vinícius Gusmão, CEO da MedRoom (Foto: Divulgação)
Vinícius Gusmão, CEO da MedRoom (Foto: Divulgação)

Segundo ele, há uma transformação no modo como a realidade virtual é encarada — é uma tecnologia cada vez mais compreendida e difundida. “O principal problema da realidade virtual no Brasil é o mesmo no resto do mundo: finalidade. É preciso entender os pontos fortes e pontos fracos para que se criem experiências que entreguem valor real ao usuário”.

Outra empresa que tem chamado a atenção por sua aplicações na sala de aula é a Beenoculus, que desenvolve soluções para a tecnologia desde 2012. Atualmente, a marca Beetools, braço da companhia curitibana, está levando aulas de inglês para todo o Brasil com VR. A ideia é que alunos treinem a língua assistindo um seriado, em realidade virtual.

Além disso, a Beenoculus desenvolve soluções baseadas em VR pra indústria, produz entretenimento em realidade virtual e está preparando um laboratório para universidades.

“A realidade virtual diminui distâncias. O usuário é teletransportado para onde quiser”, disse Rawlinson Peter Terrabuio, cofundador e CEO da companhia. “Nosso futuro está conectado à sala de aula. Queremos transformar a educação, investindo em vários níveis de ensino. É algo que ainda não tem força aqui no Brasil, mas que pode ganhar dimensões incríveis”.

Apartamento novo

Saindo da sala de aula, uma outra solução que tem chamado a atenção é da startup iTeleport. Como o próprio nome sugere, a empresa ‘teletransporta’ possíveis compradores de imóveis para um ambiente digital que reproduz o apartamento pronto. Hoje, já são mais de 700 experiências em VR produzidas pela própria startup, presente em cinco cidades.

“Chamamos nosso produto de decorado virtual”, conta Francisco Toledo, CEO e fundador da empresa. “Começamos com uma plataforma mais simples, apenas com o óculos. Mas agora também estamos desenvolvendo soluções que identificam a posição do usuário”.

Para ele, o VR não vai apenas revolucionar o mercado imobiliário, mas a forma de consumir virtualmente. “Com a realidade virtual ganhando força, veremos uma internet 3D. Não vamos mais comprar coisas sem ver, sentir, experimentar. Mesmo que seja virtualmente. Ainda mais a compra mais importante da sua vida, como um apartamento”, finaliza.