Mercado fechado

Real e Ibovespa sobem enquanto crise do gás russo derruba o euro

***ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019 - Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ações de grandes exportadores de matérias-primas impulsionaram ganhos na Bolsa de Valores brasileira nesta segunda-feira (5), enquanto o dólar caiu em relação ao real.

Em um dia de pouco dinheiro circulando nos mercados devido ao feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, o movimento positivo para os investimentos domésticos foi na contramão das baixas registradas na Europa.

O euro caiu ao menor valor frente ao dólar em quase duas décadas e as principais Bolsas europeias tombaram devido à decisão da Rússia de manter fechado um gasoduto que abastece a região.

Alegando dificuldades provocadas pelas sanções econômicas impostas pelo Ocidente após o início da Guerra da Ucrânia, a Rússia decidiu prolongar uma manutenção no gasoduto Nord Stream 1.

O restabelecimento estava previsto para o último sábado (3). Agora, porém, a estatal russa Gazprom não tem prazo para religar a principal fonte de abastecimento de gás para a Alemanha, maior economia do continente.

Novos episódios na Guerra da Ucrânia ainda reforçaram a expectativa de um conflito longo e ameaçador para a segurança de toda a região.

Enquanto a Ucrânia declarou sucesso em sua contraofensiva para retomar cidades no sul do país, o último bloco de reator em funcionamento da usina nuclear de Zaporizhzhia foi desconectado da rede ucraniana depois que bombardeio russo interrompeu as linhas de energia nesta segunda. A usina nuclear ucraniana, a maior da Europa, foi capturada por Moscou em março.

No câmbio brasileiro, o dólar fechou em queda de 0,65%, cotado a R$ 5,1530. A moeda americana, porém, ganhou valor em comparação às principais divisas do planeta. Isso também reflete a preocupação de investidores com os efeitos da crise energética sobre a inflação mundial.

Preços mais altos da energia podem resultar em novas altas agressivas de taxas de juros, sobretudo nos Estados Unidos, movimento que tende a valorizar ativos de renda fixa ligados ao dólar.

Embora o Banco Central Europeu também esteja elevando juros —uma nova alta poderá ser anunciada na próxima sexta-feira (9)—, a moeda comum do continente já caiu 12% desde o início da guerra.

Nesta segunda, um euro comprava US$ 0,9929. É o menor valor da moeda em relação ao dólar desde novembro de 2002. No câmbio do Brasil, o euro caiu 0,86%, cotado a R$ 5,1180.

Na esteira da guerra e da ameaça de crise de energia, a Bolsa de Valores de Frankfurt tombou 2,23%. Paris caiu 1,20%.

O risco de disparada dos preços da energia na Europa é especialmente preocupante com a aproximação do período mais frio do ano nos próximos meses, ressalta Rodrigo Simões, especialista em finanças e professor da FAC-SP.

Esse contexto, porém, não prejudicou a Bolsa do Brasil. O índice de referência Ibovespa subiu 1,21%, aos 112.203 pontos. A mineradora Vale avançou 3,66%. A petroleira PetroRio disparou 6,45%.

Produtores de petróleo e de matérias-primas metálicas, que representam o setor com maior peso no Ibovespa, foram beneficiados pela valorização desses produtos após a divulgação de dados sobre a economia da China que agradaram ao mercado.

Pesquisa do grupo de mídia Caixin mostrou que o setor de serviços chinês oscilou perto da estabilidade. A notícia é melhor do que a esperava, segundo analistas da Nova Futura Investimentos, já que o país vem enfrentando novas paralisações para a contenção da Covid.

A China é a maior consumidora global de petróleo e de aço.

Além disso, a Opep (cartel de países produtores) e seus aliados liderados pela Rússia concordaram nesta segunda com um pequeno corte na produção de petróleo visando elevar os preços que caíram devido aos temores de uma desaceleração econômica.

Em outubro, os produtores de petróleo reduzirão a produção em 100 mil barris por dia, o que é equivalente a 0,1% da demanda mundial.

O grupo também concordou em se reunir a qualquer momento para ajustar a produção antes da próxima reunião agendada para 5 de outubro.

No encerramento da tarde, o barril do petróleo Brent, referência para a mercadoria em estado bruto, subia 2,92%, a US$ 95,74 (R$ 494,78).