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Reajuste de combustíveis aumenta chance de inflação maior em 2022

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, , 05/05/2022, BRASIL - Vários postos de combustíveis anteciparam a lei e modificaram as tabelas de preços para dois dígitos e não três. (Foto Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, , 05/05/2022, BRASIL - Vários postos de combustíveis anteciparam a lei e modificaram as tabelas de preços para dois dígitos e não três. (Foto Rivaldo Gomes/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O efeito sobre a inflação dos novos reajustes da gasolina e do óleo diesel não deve ficar restrito a junho. Segundo analistas, os aumentos anunciados nesta sexta-feira (17) pela Petrobras também vão gerar reflexo no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em julho.

Não bastasse o impacto dos reajustes por si só, os ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de aliados contra a estatal intensificam o clima de tensão no mercado. Esse contexto pode elevar o câmbio e, consequentemente, turbinar as pressões sobre os combustíveis e a inflação, avaliam economistas.

De acordo com a Petrobras, o preço médio da gasolina nas refinarias será reajustado em 5,2% a partir deste sábado (18), e o valor do diesel, em 14,3%.

A política da companhia acompanha a variação do petróleo e da taxa de câmbio. Especialistas, contudo, dizem que os reajustes ainda não foram suficientes para zerar a defasagem dos produtos frente a cotações internacionais.

O economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), projeta que a nova alta da gasolina vai gerar impacto de 0,14 ponto percentual no IPCA, distribuído nos meses de junho e julho. No caso do diesel, o efeito estimado é de 0,04 ponto percentual em igual período.

"No IPCA deste mês, vai aparecer apenas metade do aumento da gasolina e metade do aumento do diesel. Hoje [sexta-feira] é dia 17, e boa parte da coleta dos preços já foi realizada", afirma.

Com os reajustes, Braz elevou sua previsão para a inflação no acumulado deste ano: de 9% para 9,2%.

O que pode amenizar as pressões nos próximos meses, segundo ele, é o avanço de medidas do governo federal que tentam conter os preços.

Às vésperas das eleições, o Congresso concluiu a votação de um projeto de lei que estabelece um teto para alíquotas do ICMS sobre combustíveis.

Na próxima semana, os parlamentares também devem debater a chamada PEC dos Combustíveis. A proposta autoriza o governo a zerar tributos federais sobre a gasolina e compensar estados que decidam reduzir o ICMS sobre o diesel e o gás de cozinha.

Pelos cálculos do economista Daniel Karp, do banco Santander, o novo reajuste da gasolina deve gerar impacto de 0,13 ponto percentual no IPCA, concentrado no índice de julho e também com efeito em junho.

"O combustível [gasolina] tem peso de 6,8% no indicador oficial de inflação, e vemos risco de novos aumentos no curto prazo, uma vez que diferentes métricas apontam defasagem de 13% até 50% em relação aos preços internacionais", diz Karp.

"Tendo em vista a elevada dose de incertezas no cenário, devido a medidas que têm potencial para reduzir os preços dos combustíveis aos consumidores, estamos aguardando os desdobramentos da tramitação desses projetos no Congresso Nacional, e ainda não alteramos nossa projeção oficial para a alta do IPCA em 2022", acrescenta.

A previsão mais recente do Santander, divulgada no começo de junho, aponta inflação de 9,5% ao final do ano.

PRESSÃO NO GOVERNO

A carestia dos combustíveis virou dor de cabeça para Bolsonaro às vésperas das eleições. A inflação de produtos como a gasolina e o diesel é vista por membros da campanha do presidente como principal obstáculo para reeleição.

Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, entende que os recentes ataques de Bolsonaro e aliados contra a Petrobras tendem a gerar pressão adicional sobre a taxa de câmbio, pressionando novamente os combustíveis.

Assim, o efeito das propostas em discussão para baixar os preços seria atropelado pela turbulência que cerca a estatal. Vale ainda sinaliza que os projetos do governo causam preocupação devido aos possíveis reflexos nas contas públicas.

Por ora, a MB prevê IPCA de 8,7% no acumulado de 2022, mas o economista diz que há grandes chances de a estimativa ser revisada em breve para mais de 9%.

"Tentar interferir na Petrobras piora a inflação dos combustíveis. É um cenário em que o governo atua para aumentar, e não para diminuir, a inflação", argumenta Vale.

No momento, André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton, projeta alta de 8,96% para o IPCA em 2022.

Contudo, ele também reconhece que o indicador pode ficar acima de 9% até dezembro, em meio ao cenário de pressão do petróleo e ruídos envolvendo os preços no Brasil.

Em 12 meses até maio, o IPCA acumulou forte variação de 11,73%. Analistas ainda enxergam uma desaceleração até dezembro, mas esse movimento pode ficar mais complicado diante da pressão de combustíveis e das incertezas relacionadas ao tema.

Nesta sexta, Bolsonaro chamou o anúncio da Petrobras de "traição com o povo brasileiro". O presidente indicou que está articulando com a cúpula da Câmara dos Deputados a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a direção da companhia.

Já o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), afirmou à Folha que "vai para o pau" para "rever tudo de preços" de combustíveis. O parlamentar ainda defendeu a demissão do presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, e disse que vai trabalhar para taxar o lucro da petroleira.

REFLEXOS DIRETOS E INDIRETOS NO BOLSO

A inflação dos combustíveis costuma ser sentida de maneiras diferentes pelos consumidores brasileiros. De um lado, quem tem carro percebe o aumento da gasolina diretamente nas bombas dos postos.

No caso do diesel, o impacto é indireto para os consumidores finais de bens e serviços. Isso ocorre porque o combustível é usado no transporte de mercadorias e passageiros.

Ou seja, quando sobe, acaba pressionando os custos dos fretes de produtos diversos, como os alimentos, e as passagens de ônibus.

A política de preços da Petrobras é alvo de uma série de críticas de caminhoneiros, que vêm relatando descontentamento com o governo federal. Lideranças da categoria têm repetido ameaças de greve nos últimos meses.

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