Mercado fechado
  • BOVESPA

    106.690,82
    +316,95 (+0,30%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    53.362,15
    -611,12 (-1,13%)
     
  • PETROLEO CRU

    85,94
    +2,12 (+2,53%)
     
  • OURO

    1.814,40
    -2,10 (-0,12%)
     
  • BTC-USD

    41.607,39
    -657,70 (-1,56%)
     
  • CMC Crypto 200

    993,21
    -16,18 (-1,60%)
     
  • S&P500

    4.582,82
    -80,03 (-1,72%)
     
  • DOW JONES

    35.385,91
    -525,90 (-1,46%)
     
  • FTSE

    7.563,55
    -47,68 (-0,63%)
     
  • HANG SENG

    24.112,78
    -105,25 (-0,43%)
     
  • NIKKEI

    28.257,25
    -76,27 (-0,27%)
     
  • NASDAQ

    15.288,75
    -307,00 (-1,97%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,3065
    +0,0127 (+0,20%)
     

Reage, Rio!: Programa de adoção de áreas públicas ajuda a salvar natureza urbana

·3 min de leitura

RIO — A cada quinze dias, José Antônio Teixeira percorre toda a Avenida Atlântica, em Copacabana, em busca de árvores cortadas irregularmente ou com troncos caídos, além de canteiros vazios. Se encontra qualquer detalhe errado no visual da orla mais famosa do mundo — cujo projeto paisagístico, assinado por Roberto Burle Marx, é tombado pelo patrimônio histórico —, ele aciona a Fundação Parques e Jardins para fazer o replantio. Presidente da Associação de Moradores de Copacabana (Amacopa), Tony, como é mais conhecido no bairro, adotou todas as 429 golas (espaços onde as árvores são plantadas) do canteiro central da avenida.

Por meio do programa Adote.Rio, o servidor público, de 57 anos, atua de maneira espontânea como uma espécie de fiscal da natureza há quatro anos.

— A Avenida Atlântica é um dos cartões-postais do Brasil, e me sinto honrado por ser um adotante que fiscaliza — afirma ele.

O Adote.Rio, criado em 2014, permite que pessoas físicas, empresas e associações de moradores se apropriem de áreas públicas da cidade, como praças, jardins e monumentos, para preservá-las. Em troca, os “pais adotivos” podem divulgar sua marca ou QR Code em totens e placas, se assim desejarem, e recebem um reconhecimento público.

Hoje, há 464 áreas adotadas ou em processo de adoção, de acordo com a Fundação Parques e Jardins. Do total, 228 são praças, nove são árvores, dez são parques, 88 são canteiros, 35 são áreas verdes e nove são monumentos.

Para Tony, cuidar das árvores é uma tarefa tão prazerosa que ele acabou criando o projeto Rio de Orquídeas, que enfeita árvores de Copacabana. A ideia começou pela Praça Serzedelo Corrêa com a ajuda de moradores e do Supermercado Zona Sul, que doaram as primeiras orquídeas sem flores. Já foram plantadas mais de 200 mudas no local, que virou um belo orquidário suspenso. Plantios também foram feitos na Praça do Lido, no Parque Municipal Peter Pan e na Rua Dias da Rocha.

— Minha relação com plantas e árvores é algo que me liga a Deus, ao universo, à terra. Elas nos dão combustível — filosofa Tony.

Com 166 espaços acolhidos pela sociedade civil, a Zona Oeste é a campeã de adoções. Lá, se encontra um dos mais bem-sucedidos projetos de preservação promovidos por uma pessoa física. Na Alameda Sandra Alvim, no Recreio dos Bandeirantes, fica o Bosque da Memória, maior área pública adotada por um morador, onde mudas homenageiam vítimas da pandemia.

Há dois anos, o corredor verde de 1,38 km — o maior dentro da cidade do Rio — nada mais era do que um caminho de terra batida, com bancos de concreto e poucas árvores. Em 2018, uma moradora do bairro, a arquiteta Isabelle de Loys, de 54 anos, resolveu adotar oficialmente a alameda para evitar que ela fosse atravessada pelo asfalto, como queria uma escola particular da região. Agora, o espaço tem mais de duas mil espécies plantadas, além de espaços de convivência feitos de troncos de árvores, pet points e até biblioteca popular.

Verde protegido

Por novo decreto da prefeitura, a alameda agora é uma área de proteção e não pode receber construções.

— O corredor estava abandonado e escuro, apesar da importância ecológica por ser remanescente de restinga, área de amortecimento do Parque Chico Mendes. Reuni outros moradores, fizemos mutirão e retiramos quase meia tonelada de lixo. Plantei árvores nativas, como pau-brasil, aroeira e ingá. Fiz uma biblioteca popular e provei para as escolas que ali também era lugar de cultura— explica Isabelle, completando. — Hoje há mais de 12 tipos de frutas de restinga, um bioma ameaçado. A fauna voltou: temos muitos pássaros, tamanduás, tatus e gambás.

Há um ano, a alameda passou a ser o primeiro Bosque da Memória do Brasil, por iniciativa de setores da sociedade civil, com o apoio da ONU, para lembrar as vidas perdidas com a Covid-19.

— Cada um planta uma árvore, um totem de eucalipto, com o nome do homenageado registrado numa placa. Foi um alento para muitas famílias — conta a arquiteta.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos