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Reabertura de escritórios do Google em setembro enfrenta resistência

Rui Maciel
·7 minuto de leitura

Uma das primeiras Big Techs a adotar o home office para toda a sua força de trabalho no começo da pandemia de COVID-19, o Google já começa a fazer o movimento reverso. A companhia planeja reabrir seus escritórios em setembro e começa a chamar seus funcionários de volta. No entanto, a medida vem enfrentando resistência de uma parte deles. E alguns são até mais radicais e pretendem nem retornar.

O chamamento de volta ao escritório tem frustrado funcionários da gigante das buscas. Em conversa com o site Business Insider, pelo menos meia dúzia deles falaram ou disseram conhecer colegas que fizeram mudanças permanentes durante a pandemia. "Muitos dos meus colegas se mudaram sem nenhuma intenção real de voltar", disse um desses colaboradores. "Especialmente na faixa de 30/40 anos". Esse mesmo funcionário afirmou que entregou sua carta de demissão depois que seu pedido para trabalhar em um local fora da Bay Area (região de São Francisco onde se encontra a sede do Google) foi rejeitado por seu gerente.

Outro funcionário do Google ouvido pelo Business Insider disse que pelo menos dois vice-presidentes de sua divisão mudaram de cidade permanentemente durante a pandemia e esperavam que não precisassem voltar ao escritório.

Essa mesma frustração em ter de voltar ao escritório também invadiu as redes sociais. Na última semana, Chris Broadfoot, programador da unidade Google Cloud afirmou em seu perfil do Twitter que vários de seus colegas vão pedir demissão se forem forçados a voltar ao escritório em setembro". Vários outros funcionários se juntaram à discussão para assinar a mensagem, alguns dizendo que podem procurar outro emprego se o Google os obrigar a voltar para o escritório.

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Nem lá, nem cá

Ao contrário de empresas como Twittter e Microsoft, que já anunciaram que seus funcionários poderão trabalhar de casa de forma permanente, o Google nunca afirmou que adotaria o trabalho 100% remoto para seus funcionários. Na verdade, a companhia tenta adotar um regime mais flexível. Em dezembro do ano passado, ela anunciou que testará um novo modelo flexível, em que seus colaboradores devem trabalhar no escritório três dias por semana.

No entanto, depois desse anúncio, o Google não forneceu mais detalhes sobre esse modelo híbrido, o que gerou pressão por parte dos funcionários para ter mais informações como esse novo regime funcionaria. Ainda que a empresa nunca tenha dado a opção de trabalho 100% remoto, muitos colaboradores se mudaram da Bay Area de qualquer maneira, na (arriscada) aposta de que o Google ceda à pressão e permita que eles trabalhem de casa permanentemente, seguindo o exemplo de outras Big Techs.

"Há funcionários saindo porque não querem esperar até setembro. Eles querem continuar com suas vidas", disse um colaboradores do Google ouvidos pela Business Insider. Um porta-voz da companhia declarou que ela fará testes com uma série de modelos de trabalho remoto, mas disse que nada mudou na política hoje em vigor.

No ano passado, o Facebook também anunciou que permitiria aos seus funcionários pedir autorizações a seus gestores para poderem trabalhar remotamente em tempo integral.

Os funcionários do Google querem voltar. Mas não muito

Ainda que muitos funcionários do Google resistam em voltar aos escritórios, maioria deles quer fazer o caminho inverso. Em uma pesquisa interna realizada no passado, 62% dos "Googlers" disseram que gostariam de voltar ao escritório. Mas apenas 8% afirmaram que gostariam de fazê-lo em tempo integral.

Nos últimos meses, Sundar Pichai, CEO da Alphabet (holding controladora do Google) deu dicas de que a companhia está considerando um modelo flexível quando os funcionários retornarem aos escritórios. Desde então, questões sobre o trabalho remoto têm sido continuamente colocadas à liderança. Eles querem saber o quão híbrido esse novo modelo será.

Em uma reunião geral realizada em outubro passado, Pichai avaliou que a maioria das funções dos Googlers ainda está vinculada a presença no escritório. No entanto, o executivo afirmou que a empresa planejava expandir o número de escritórios "centrais" para dar aos funcionários mais flexibilidade.

"E, além disso, também estamos pensando: o que significa trabalho híbrido-flexível nesse contexto?", analisou.

Desde então, os funcionários pressionam a liderança para explicar o quão flexível o Google está disposto a ser e se a regra de escritório de três dias será aplicada uniformemente em toda a empresa. No entanto, eles afirmam que não estão obtendo respostas. Um deles, inclusive afirmou:

"Como não existe uma orientação clara e sim uma comunicação mais dinâmica, estamos todos meio que adivinhando o que fazer"

Há também colaboradores que defendem o retorno presencial às sedes da companhia, citando o desenvolvimento dos projetos. Ele destacou que dividir as equipes entre o escritório e o trabalho remoto pode criar uma dinâmica estranha. Além disso, o Google também continuou a investir em espaços de trabalho físicos durante a pandemia, expandindo sua sede em Mountain View, Califórnia, com planos para um novo campus em San Jose.

Durante a teleconferência de resultados da empresa referente ao primeiro trimestre deste ano, Ruth Porat, CFO da Alphabet afirmou que pretende gastar US$ 7 bilhões em escritórios e centros de dados em 2021. "Valorizamos reunir as pessoas no escritório", disse ela a um analista durante a apresentação. "E estamos olhando para um modelo híbrido de trabalho em casa / trabalho em escritório."

O problema é que as respostas estão demorando a serem dadas, na visão dos funcionários. Enquanto isso, alguns deles se arriscaram e mudaram de cidade, enquanto outros não veem a necessidade de ir ao escritório nem mesmo três dias por semana. Um deles é Justin Beckworth , gerente de engenharia do Google, que tuitou "não ter nenhuma intenção de voltar a Seattle todos os dias, para que possa correr de um cômodo minúsculo para o outro para realizar videochamadas". Ele ainda afirmou que, no momento, está gerenciando pessoas em 8 cidades espalhadas por 5 fusos horários. "Que possível razão tenho para estar em um escritório?", questionou.

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Outras empresas estão de olho

O risco para o Google em forçar seus funcionários a voltarem para o escritório é perder parte de seus talentos para a concorrência. E isso é especialmente arriscado em áreas como Tecnologia, em que a mão de obra não é necessariamente abundante.

Três funcionários do Google disseram a Business Insider que notaram um aumento nas mensagens de recrutadores de outras empresas enfatizando suas políticas de trabalho remoto.

"Acho que eles terão um esgotamento de talentos se forçarem todos a voltar em setembro", disse um deles.

"Se eu não tiver uma maneira de trabalhar remotamente no Google até a próxima primavera, vou procurar outras opções totalmente remotas", disse outro que estava ansioso para se mudar com a família.

Até o momento, o Google está permitindo que os funcionários retornem voluntariamente aos escritórios que já foram reabertos. No entanto, antes, eles devem primeiro passar por uma pesquisa de saúde e concordar em seguir as novas diretrizes nesse setor. Para quem ainda não quer voltar, é um jogo de espera.

“Estão sendo criadas duas grandes facções da força de trabalho”, disse um funcionário. "Há pessoas fazendo fila do lado de fora do escritório para retornar e outras estão no lado [do trabalho] remoto. E há contenção interna da liderança por não se comprometer com um plano e segui-lo. As pessoas não sabem como será em setembro."

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Fonte: Canaltech

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