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Ravi de 'Um lugar ao sol': ator revelação Juan Paiva sobre preparação para personagem

·5 min de leitura

Sentado na sede do grupo de teatro Nós do Morro, no Vidigal, o ator Juan Paiva, de 23 anos, compartilha as experiências na arte e, timidamente, fala do sucesso que vem batendo à porta por conta de seu personagem Ravi na novela “Um lugar ao sol” da TV Globo. Na semana de estreia, Juan não parou de receber elogios,enquanto conversava com O GLOBO já tinha mais duas entrevistas para fazer no mesmo dia.

Fã de Denzel Washington, filho mais velho de três irmãos, Juan foi criado e mora na favela do Vidigal, lugar de onde não pretende sair. Aos oito anos de idade, começou no Nós do Morro e aos dez participava de seu primeiro filme, “5x favela”

— Sempre tive referências aqui no Vidigal e eu gostava muito do universo da arte. Até que minha mãe me perguntou se eu gostaria de entrar no teatro, sem compromisso nenhum, só para ocupar a cabeça. Depois do meu primeiro filme, eu entendi que eu poderia ter isso como profissão e a partir dali eu não parei — conta.

De lá para cá, filmes, Festival de Cannes, peças e agora, a terceira novela — em 2015 viveu Wesley em “Totalmente demais” e, em 2017, era Anderson em “Malhação: Viva a diferença”. Na trama das 21h , no ar atualmente, Ravi é o melhor amigo e irmão de criação de Christian (Cauã Reymond), que quando assume o lugar de seu irmão gêmeo Renato leva o rapaz para trabalhar como seu motorista. Ravi é goiano e conheceu Christian no orfanato, quando fez 18 anos foi morar com ele.

Dono de um jeitinho peculiar, com déficit de atenção e um amor por insetos, Ravi ganhou tanto o coração da audiência que a autora da novela desistiu de dar um fim trágico ao personagem — inicialmente, ele sofreria um acidente e morreria. Para entrar no personagem, Juan conta que se isolou em casa durante quatro meses.

— Por ele ser goiano e ter uma sensibilidade muito aflorada, me isolei para o comportamento do Ravi não fugir de mim porque se eu to no morro fazendo minhas coisas eu começo a cair em um lugar mais carioca. Eu acordava e só saía de casa para estudar aqui no Nós do Morro, eu tinha vários insetos colados na parede, até virar automático — explica Juan.

Essa sensibilidade, faz parte do ator, de certa forma. Ele conta que se identifica com Ravi nesse lugar de afeto, apesar de o personagem extrapolar nesse quesito, tornando-se até ingênuo demais.

— É que eu não gosto de falar de mim. Mas eu me identifico com o Ravi nessas questões emocionais. Ah, o Ravi é bonito (risos), não, é brincadeira — diverte-se.

Em “Um lugar ao sol”, Ravi sofre uma prisão injusta motivada por racismo. Uma mulher havia sido assaltada e o bandido deixou o celular cair, o personagem de Juan pegou o celular para devolver à vítima e ela o acusou de tê-la assaltado. Na vida, o ator conta que já passou por situações chatas, mesmo depois de já estar sendo reconhecido.

— Uma vez fui ao banco com meu pai (que é branco) e eu estava de mochila. Pedi para ele segurar para não ter problema da porta travar comigo. Eu já sabia, ele entrou, de chinelo, bermuda, igual a mim e ele passou com a minha mochila. Comigo, a porta travou, sem mochila, sem nada, veio na minha testa. Aquilo ali pra mim foi horrível, a porta batendo na minha cara. Fiquei muito chateado.

Diferente de Ravi, que foi deixado em um orfanato, Juan tem uma família que sempre o incentivou e o aconselhou a não desistir mesmo nos momentos mais difíceis. Aos 16 anos, o artista tornou-se pai de Analice, hoje com sete anos.

— No início foi tudo meio desesperador. Nunca pensei em desistir da carreira de ator, mas pensei que não seria mais minha prioridade, eu teria que arrumar algo imediato. Mas meus pais falaram para eu continuar meus estudos porque eles iam me ajudar. Aí apareceu a novela “Totalmente demais” quando minha filha tinha oito meses, foi quando eu acreditei que era isso mesmo que eu queria fazer — conta Juan.

Analice não se deixa deslumbrar pela profissão do pai e usa os personagens para implicar com ele:

— Ela é muito engraçada. Quando quer perturbar, me chama pelo nome dos personagens, fica comentando coisas que vão me alfinetar.

Assim como a filha, Juan prefere manter “os pés no chão”. Discreto, ele diz que não costuma contar para ninguém sobre seus planos ou situações que estão para acontecer. Quando saiu para dar esta entrevista, ele disse para a família que iria trabalhar e só na volta contaria a eles o que foi fazer de fato. Ele se diverte ao dizer que, provavelmente, não namoraria com ele devido ao comportamento fechado que assume. Juan acredita que se manter no Vidigal também é importante nesse processo de não se deslumbrar.

— Por que eu vou sair do Vidigal se foi o lugar que eu cresci, que eu conheço todo mundo? A minha essência está aqui. Se eu for para outro lugar, talvez eu não me identifique e perca a pessoa que eu sou — explica.

Ele acredita que, como jovem preto, de periferia, que está assumindo o protagonismo, seu papel é importante para, além de inspirar outros jovens, também para desmistificar o preconceito contra a favela.

— A comunidade não é só isso que as pessoas imprimem para o mundo, de violência. Não, tem artistas para caramba, vários comerciantes, empresários, tanta coisa na comunidade que esse argumento (da violência) é tão pequeno. As pessoas me vendo hoje, trabalhando, com visibilidade, isso é bom para quebrar o estereótipo.

Ainda sem poder entrar em detalhes, o ator tem projetos na TV e no cinema a caminho. Além disso, ele ajuda o irmão Ryan, de 18 anos, a produzir batidas de rap e hip hop em um home studio, onde criam e experimentam. Enquanto Juan se aventura como produtor musical, confessa que tem vontade de dirigir e, quem sabe, o primeiro trabalho nesse campo será o clipe do irmão.

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