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'Rally dos Feijões' é adiado para janeiro; produtores estão mobilizados em atos antidemocráticos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma série de encontros e viagens pelo circuito de plantio de feijões em Mato Grosso foi adiada para janeiro devido às mobilizações e expectativas dos produtores da região com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República.

Batizado de Rally dos Feijões -um trocadilho com o Rali dos Sertões, competição off road que atravessa o Brasil-, a programação inclui simpósios em sete cidades para discutir dilemas da produção de feijão e estimular o aumento da área plantada.

O Ibrafe (Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses) projeta, a partir de dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que a leguminosa que compõe a base da alimentação feche 2022 com a menor área plantada desde 1976.

A intenção com o rali, diz Marcelo Lüders, é levar discussões "customizadas" a cada um dos municípios, de acordo com as necessidades de cada área. A redução da área plantada de feijão tem relação com o avanço de grãos como soja e milho, commodities importantes da balança comercial do Brasil.

O momento, porém, mostrou-se inadequado. A quase dez dias do início do percurso, Lüders diz que não há clima para seguir com a programação. "O pessoal do Mato Grosso está parado. O produtor está com a cabeça em outra coisa, não quer nem falar de produção, estão com medo até de plantar", afirma.

Os sindicatos rurais, que sediaram os simpósios em Sinop, Sorriso, Nova Mutum, Primavera do Leste, Canarana, Querência e Corumbá, também relataram ao dirigente do Ibrafe que muitos produtores da região nem estavam no estado, pois estão mobilizados.

Desde o resultado das eleições, em 30 de outubro, manifestantes começaram um movimento de base antidemocrática -além de contestar o resultado das urnas, eles pedem intervenção militar.

"Empacotadores estão relatando que até para comprar está difícil, pessoal não quer nem falar do assunto", diz. A invasão de fazendas pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) no interior da Bahia teria ajudado a azedar os ânimos.

A proximidade do PT, partido do presidente, com o MST é só um dos motivos de animosidade do agronegócio com Lula. Nesta quinta (17), Lula disse, na COP27, a conferência da ONU para mudanças climáticas, que o setor não precisa gostar dele. "Só quero que me respeite, como eu respeito eles."

A bancada ruralista no Congresso reúne quase 300 deputados e senadores e foi importante base de sustentação do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Em estados em que o agronegócio é importante força econômica, empresários do setor estão bancando despesas de funcionários para que fiquem em manifestações. Há uma percepção de que com a eleição de Lula, o agro vai parar.

"Não acredito que o governo que vai assumir vai deixar o agro descambar como estão pintando, mas agora é esperar", diz Lüders.

FEIJÕES PERDEM ESPAÇO PARA COMMODITIES

A intenção com a realização do rali, segundo o presidente do Ibrafe, é poder apresentar aos produtores dados do mercado internacional e possibilidades futuras de negócios que podem estar sendo ignoradas.

A avaliação do Ibrafe é que o noticiário voltado para o mundo rural acaba muito focado em commodities. "É muito interessante [o plantio de commodities], você tem comprador e preço previsível para o futuro", diz Lüders.

O Ibrafe defende, no entanto, que as variedades do feijão são competitivas e, com as diferenças climáticas de norte a sul do Brasil, é possível "voltar a plantar".

O dirigente também vê espaço para crescer no mercado de proteínas vegetais (a falsa carne de frango de uma grande indústria de alimentos leva feijão, por exemplo). "O mercado vegetariano e vegano é um horizonte que não pode passar desapercebido."

O instituto do setor, que inclui também os pulses (grão de bico, lentilha e ervilha), quer estimular a criação de um mercado de produtos especiais, similar ao que aconteceu com o café.

"Boa parte do premium é eu contar uma história para o consumidor sobre o terroir, o clima, as famílias que trabalham na produção", diz. "É possível atender esse mercado, sem deixar de atender o mercado normal e aumentar o agregado para o produtor. Queremos envolver os produtores pequenos e médios que vivem próximos às aglomerações urbanas."