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Rali de moedas latino-americanas deve continuar, avalia ING

Marcelo Osakabe

De todas, o real e o peso colombiano teriam maior potencial de se valorizar mais no curto prazo Embora tenha feito uma pausa nas últimas sessões, a recuperação "impressionante" das moedas latino-americanas nas últimas semanas ainda tem espaço para continuar, dado a distância de algumas delas de seus fundamentos. A avaliação é do banco holandês ING.

"Algumas divisas da região estão agora muito mais próximas do que consideramos seus valores justos. Entre todas, acreditamos que o real brasileiro e o peso colombiano são os que têm maior potencial de apresentar desempenho melhor que a média no curto prazo", afirma o relatório assinado pelo economista-chefe do banco para a América Latina, Gustavo Rangel.

Marcos Santos/USP Imagens

No Brasil, diz Rangel, os drivers domésticos podem dar contribuição adicional se o Comitê de Política Monetária (Copom) der uma indicação forte de que o corte de 0,75 ponto base na Selic é o último do ciclo.

"Nossa expectativa é que o juro básico permanecerá em 2,25% por todo o horizonte visível", afirma o economista. O ING espera que o dólar possa tocar R$ 4,85 no espaço de um mês e baixar a R$ 4,60 em 12 meses.

Por outro lado, continua, o patamar de R$ 4,50 deve ser difícil de romper, dado que a forte recessão deve manter o risco fiscal elevado ao longo do segundo semestre.

O peso mexicano, por sua vez, deve se manter apoiado no curto prazo pelo alto diferencial de juros entre o país e o exterior. Essa gordura, no entanto, pode diminuir ao longo do tempo, uma vez que o Banxico deve receber pressão para fazer mais pela economia, que já vinha dando sinais de contração antes mesmo da emergência da crise.

Quanto à perspectiva de médio prazo para a região, Rangel se diz menos otimista. "O impacto da recessão e dos gastos trazidos pela pandemia da covid-19 sobre a dinâmica da dívida deve ser considerável. Como resultado, será necessário uma consolidação fiscal forte para melhorar a trajetória de endividamento público em 2021, o que pode elevar a fricção política na segunda metade do ano", diz.

"Eventualmente, isto pode resultar em novos rebaixamentos de rating para diversos países da região”, conclui.