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Raio-x mais nítido do mundo revela imagens inéditas de pulmão com covid; veja

·3 min de leitura

A pandemia do coronavírus SARS-CoV-2 foi acompanhada por uma revolução, sem precedentes, na ciência, como o desenvolvimento das vacinas de mRNA (RNA mensageiro) e de novas técnicas de visualização do organismo humano. Neste segundo caso, podemos citar a Hierarchical Phase-Contrast Tomography (HiP-CT), um novo exame de imagem que permite escanear órgãos humanos em um nível inédito de detalhes e traz novos insights sobre os efeitos da covid-19 no pulmão.

Desenvolvido por cientistas da University College London (UCL) e do European Synchrotron Research Facility (ESRF), o HiP-CT já mapeou, em 3D, uma série de órgãos humanos doados, incluindo pulmões de um paciente que morreu em decorrência da covid-19. O exame permite que os médicos enxerguem o órgão como um todo e, em seguida, é possível observá-lo em nível celular, diminuindo o zoom.

Nova técnica examina pulmão com a covid-19, através de raio-x mais brilhante do mundo (Imagem: Reprodução/ESRF/Stef Candé)
Nova técnica examina pulmão com a covid-19, através de raio-x mais brilhante do mundo (Imagem: Reprodução/ESRF/Stef Candé)

Até o momento, essa técnica é bastante específica e demanda o uso dos raios-X provenientes do acelerador de partículas do ESRF, em Grenoble, na França. Após a última atualização, o equipamento passou a fornecer a fonte mais brilhante de raios-X do mundo. Esta é em 100 bilhões vezes mais nítida do que um raio-X hospitalar, por exemplo.

Com esse brilho intenso, os pesquisadores podem visualizar vasos sanguíneos de cinco mícrons de diâmetro — é um décimo do diâmetro de um fio de cabelo — em um pulmão humano. Em comparação, uma tomografia computadorizada capta apenas vasos que são cerca de 100 vezes maiores.

O que o raio-x revelou sobre o pulmão infectado pelo coronavírus?

“A capacidade de ver órgãos em escalas como esta será realmente revolucionária para imagens médicas. Conforme começamos a vincular nossas imagens HiP-CT a imagens clínicas através de técnicas de IA, seremos — pela primeira vez — capazes de validar, com alta precisão, achados ambíguos em imagens clínicas", explica a cientista Claire Walsh, da UCL.

"Para compreender a anatomia humana, esta também é uma técnica muito interessante. Conseguir observar estruturas de órgãos minúsculos, em 3D, no seu contexto espacial correto é a chave para entender como nossos corpos estão estruturados e, portanto, funcionam”, completa Walsh sobre o potencial da nova técnica.

Exame de imagem revela detalhes inéditos de um pulmão infectado pelo coronavírus (Imagem: Reprodução/Walsh et al., 2021/Nature Methods)
Exame de imagem revela detalhes inéditos de um pulmão infectado pelo coronavírus (Imagem: Reprodução/Walsh et al., 2021/Nature Methods)

No caso do pulmão com a covid-19, a equipe observou que a infecção grave do coronavírus consegue "desviar" o sangue entre os capilares que oxigenam o sangue e aqueles que alimentam o próprio tecido pulmonar. Isso impede que o sangue do paciente seja adequadamente oxigenado. Até então, a questão foi previamente hipotetizada, mas não provada.

"Ao combinar nossos métodos moleculares com a imagem multiescala HiP-CT em pulmões afetados pela pneumonia da covid-19, ganhamos uma nova compreensão de como o desvio entre os vasos sanguíneos nos dois sistemas vasculares de um pulmão ocorre em pulmões lesados pela covid-19 e o impacto que isso tem nos níveis de oxigênio em nosso sistema circulatório", explica o pesquisador Danny Jonigk.

Publicado na revista científica Nature Methods, o estudo completo pode ser conferido aqui. Para ver o exame do pulmão infectado pelo coronavírus, em detalhes, assista ao seguinte vídeo:

Fonte: Canaltech

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