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Rainha Elizabeth 2ª transformou Land Rover, Rolls-Royce e Jaguar em carruagens reais

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os carros de luxo britânicos se tornaram ícones globais graças à rainha Elizabeth 2ª. A monarca transformou modelos das marcas Land Rover, Rolls-Royce e Jaguar nas carruagens modernas da realeza.

Os jipes ingleses foram os preferidos desde o lançamento do Land Rover Série 1, em 1948. A unidade de número 100 foi dada de presente ao rei George 6º (1895-1952), pai da então princesa Elizabeth. Começava aí a história que transformou o utilitário rústico em um símbolo de aventura e status.

A rainha foi fotografada ao volante de diversos modelos da marca. Cerca de 30 habitaram as garagens dos Windsor nesses 70 anos de reinado. O uso era mais comum dentro das propriedades rurais na Escócia.

Uma das imagens mais recentes é de abril, quando a monarca completou 96 anos. Ela foi flagrada ao volante de um Range Rover 2001. O registro foi feito no condado de Norfolk, onde fica uma das casas de campo da família real.

Enquanto o lugar de Elizabeth 2ª nos modelos Land Rover era o assento de motorista, seu banco predileto nos classudos Rolls-Royce era o traseiro. O primeiro foi o Phantom 4, dado de presente a Elizabeth em 1950.

Dois anos antes, a RAF (força aérea britânica) havia cedido uma limusine Daimler DF 27 à futura rainha e ao seu marido, Philip (1921-2021), o duque de Edimburgo. Mas as marcas britânicas já haviam percebido o potencial de marketing da realeza, e a RR quis fazer seu comercial.

O Phantom 4 era originalmente pintado de verde-escuro, mas teve a cor trocada para o preto ainda nos anos 1950. Até hoje é usado pela monarquia em eventos, junto de outros modelos da mesma linha que foram adquiridos e adaptados aos desfiles públicos.

Já nos anos 2000, a rainha passou a ser flagrada ao volante de uma perua Jaguar X-Type Estate verde metálica, cor clássica conhecida como "british green". O interior bege trazia um ar sofisticado ao carro, que foi um dos modelos mais criticados da história.

O problema era a origem: por baixo desse Jaguar havia um Ford Mondeo. Embora a produção fosse inglesa e o desenho tenha sido feito pelo escocês Ian Callum, o carro foi desenvolvido sob a gestão da montadora americana. Além disso, não era tão refinado como antigos modelos britânicos.

A garagem real inclui ainda modelos Bentley e Aston Martin, todos montados no Reino Unido. Mas o nacionalismo foi definitivamente abalado pela realidade de mercado. As marcas foram incorporadas por gigantes alemães e asiáticos.

Depois de sair do grupo Ford, Jaguar e Land Rover foram compradas pela indiana Tata Motors. Já a Rolls-Royce pertence hoje à alemã BMW, bem como a Mini.

A Bentley é parte do grupo Volkswagen, enquanto a Aston Martin está sob o controle do bilionário canadense Lawrence Stroll.

Mas a produção desses carros segue ocorrendo em fábricas localizadas no Reino Unido, o que dá uma justificativa plausível para manter a tradição. E novos modelos devem entrar na frota durante o reinado de Charles 3º.

Ligado a causas ambientais, o novo rei deve optar por automóveis que não emitem fumaça em seus deslocamentos. Um dos modelos usados por ele é o Jaguar i-Pace, 100% elétrico.

O futuro Rolls-Royce Spectre, que estreará em 2023 e também será movido a eletricidade, é um dos mais cotados a habitar a garagem de Charles. E, provavelmente, será cedido pela montadora.