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Rainha do Carnaval de BH é vítima de injúria racial na internet: "tinha que ser preta"

Rodrigo Berthone
·3 minutos de leitura

RIO — Eleita rainha do carnaval de Belo Horizonte neste ano, a mineira Laís Lima foi víitma de injúria racial e denunciou o crime nesta terça-feira. Há uma semana ela recebeu uma mensagem em um aplicativo a convidando para um encontro. Ao ignorar o convite, ela conta ter sido agredida verbalmente: “Você é uma macaca, arrogante, idiota. Olha pra você, no máximo o que você serve é pra poder saciar o fetiche de alguém”, diziam as palavras do autor, que não foi identificado na mensagem. A polícia irá investigar o caso.

A mudança de tom nas mensagens, que começaram com elogios à beleza da moça e pedidos para conhecê-la, veio após Laís não responder. Do outro lado do celular, estava um homem desconhecido, que, segundo a modelo, encontrou seu número na aba "contatos" em outra rede social.

— Tudo começou com um "bom dia", dizendo que viu meu perfil e que tinha gostado. Começou a fazer perguntas sobre a minha vida, onde eu trabalhava, o que fazia, etc. Como estava ocupada trabalhando, nem respondi. Logo ocorreram as primeiras ofensas, me chamando de "burra", "vadia", que eu estava "me achando" e que "tinha que ser preta". Em seguida, bloqueei o número — relembra a modelo e atriz, que também é enfermeira.

No dia seguinte, ainda sem ter se recuperado do choque das primeiras mensagens racistas e machistas, Laís foi novamente procurada pelo agressor. Desta vez, o contato foi feito através de um outro número de celular.

— À princípio, não identifiquei que era a mesma pessoa. Por áudio, ele continuou as ofensas: "Você é uma macaca, arrogante, idiota. Olha pra você. Você, no máximo, serve para saciar o fetiche de alguém", dizia a mensagem, conta a modelo, que destaca que esta foi apenas uma parte das ofensas. — As mensagens foram tão pesadas que não vale compartilhar tudo. O restante é muito pior. Ele disse que homem nenhum iria se relacionar normalmente comigo pelo fato de eu ser negra e que os homens só querem mulheres negras para saciar seus fetiches sexuais.

Em uma das mensagens, o interlocutor escreve "rainha de bateria, enfermeira. Todos os fetiches numa mulher só."

A mineira, de 26 anos e também eleita miss Ribeirão das Neves, diz que esta foi a primeira vez em que foi vítima de injúria racial. No entanto, relembra um outro episódio de preconceito, vivido anos atrás com um ex-namorado.

— Durante uma conversa, um ex-namorado, que era branco, disse que, se estivéssemos em outros tempos, eu seria a mucama dele. Na época, eu senti as palavras, mas não tinha tanto conhecimento da proporção que essa palavra tinha na minha vida, ao contrário de hoje. Já sofremos por ser mulher nessa sociedade machista em que homens acham que têm direitos sobre nós. Além disso, sou preta. A gente sofre muito mais. Eles acham que a gente vive lá atrás, quando éramos escravas, mucamas, vivíamos só para trabalhar e satisfazer o prazer deles.

Laís diz que pensou duas vezes antes de levar o caso à polícia pelo fato de se sentir culpada (mesmo sem motivo) e envergonhada após sofrer as ofensas.

Verbalizar novamente tudo o que ouviu e leu seria difícil, ela diz. Porém, percebeu que, se mantendo calada, acabaria facilitando a continuidade destes crimes por parte do agressor.

Após registrar nesta terça-feira boletim de ocorrência contra injúria racial em uma delegacia de Belo Horizonte, Laís apresentará nos próximos dias o restante das provas, incluindo os números pelos quais o agressor fez contato, a investigadoras em uma delegacia especializada.

O crime de injúria racial consiste em ofender a honra de alguém valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem. Já o crime de racismo atinge uma coletividade indeterminada de indivíduos, discriminando toda a integralidade de uma raça. Ao contrário da injúria racial, o crime de racismo é inafiançável e imprescritível.