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Se rachadinha chegar a Bolsonaro, 3ª via deixa de ser ilusão

Matheus Pichonelli
·5 minuto de leitura
Brazilian President Jair Bolsonaro attends the sanction of the law that authorizes states, municipalities and the private sector to buy vaccines against COVID-19, at the Planalto Palace in Brasilia, on March 10, 2021. - Until now, with more than 260,000 deaths by the coronavirus, only the federal Government was authorized to buy vaccines. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
O presidente Jair Bolsonaro durante solenidade no Planalto. Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)

Até uma semana atrás, Jair Bolsonaro era um presidente fraco, mas com algum controle da narrativa, e que corria sozinho para uma reeleição relativamente tranquila. A principal razão era a ausência de um adversário de peso.

Isso mudou com a reabilitação, ao menos até aqui, do ex-presidente Lula na disputa. Tendo de volta os direitos políticos, o petista se tornou automaticamente o candidato a candidato ao posto anti-Bolsonaro, vaga antes ocupada por João Doria (PSDB) sem tanto sucesso e com a oposição na lona.

Faltava ao governador paulista o que sobra ao ex-presidente. A começar pelo consenso dentro do próprio partido e a projeção nacional. Outro empecilho é o fato de o tucano estar emparedado entre dois campos políticos bem definidos. Não teria vez com o eleitor identificado à esquerda e já largaria em desvantagem no terreno onde Bolsonaro tem nadado de braçada desde a Lava Jato —um campo à direita que engloba de liberais ainda iludidos com os planos de Paulo Guedes a saudosos da ditadura, passando por lava-jatistas que na hora H apertariam o nariz e sufragariam o capitão para não ver Lula de volta ao poder.

Numa semana de reviravoltas, aliados de Bolsonaro já anteviam uma disputa com o antípoda petista. Avaliavam os pontos fracos e fortes do presidente em um eventual debate nas eleições de 2022.

À coluna Radar, da revista Veja, auxiliares palacianos desenhavam como seria este embate. Bolsonaro, disseram, precisaria mudar a postura. Lula fatalmente forçaria um confronto de gestão. E Bolsonaro, eles admitiram, não governa, passa os dias no palácio contando piada e não se preocupa em vestir o figurino de estadista. Isso tende a mudar, como indica a recente conversão à defesa da vacina e o uso de máscara.

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Em contrapartida, ele teria a seu favor a memória recente da devassa provocada pela Lava Jato sobre os governos petistas. Nesse campo, apostaram os auxiliares, o capitão ganharia de lavada, mesmo sendo o cara que ajudou a desmontar a força-tarefa de Curitiba.

Tudo seria ainda reforçado com as vitórias empilhadas na Justiça pela família para barrar o avanço das apurações sobre as tais rachadinhas supostamente promovidas pelo filho Flávio Bolsonaro, o 01, e o faz-tudo Fabrício Queiroz.

Nesta segunda-feira 15, porém, a publicação de uma extensa reportagem do UOL, iniciada antes da anulação das provas determinadas pelo Superior Tribunal de Justiça, mudou de novo o desenho da sucessão.

A reportagem, com base em dados fornecidos pelo Ministério Público, mostrou que não só o esquema investigado pode ser maior do que se sabia até então, como pode envolver outro filho e bater às portas do gabinete onde Jair Bolsonaro era deputado nas três últimas décadas. Entre as evidências estão o saque em dinheiro da maior parte do salário por parte de assessores, o fato de a ex-mulher do atual presidente ter ficado com R$ 54 mil da conta de uma assessora na Câmara e as pegadas de ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro que pagava contas até do primo Léo Índio.

As revelações já movem as placas tectônicas em Brasília, com partidos de oposição pedindo CPI e o Ministério Público ganhando força para seguir com as apurações.

Slogan dos mais fervorosos bolsonaristas, a placa “a boquinha acabou” parece não colar mais.

É fato que os atos investigados envolvem a vida pregressa do clã Bolsonaro. A que os levou para dentro do Planalto —no caso do hoje senador Flávio, pode ter levado também, conforme as suspeitas, a adquirir uma mansão que jamais teria comprado com o salário de parlamentar.

Isso pode ser usado por adversários nos debates antes e durante a campanha presidencial. Como deve ser usada a suspeita de que, sob Bolsonaro, a Polícia Federal foi domesticada por quem avisou na reunião de 22 de abril que iria “interferir e pronto” na corporação. Consumada, a mudança levou à demissão de Sergio Moro —com ele, parte do discurso do combate à corrupção.

Vai ser preciso muito esforço do gabinete do ódio e dos fabricantes de fake news para evitar a corrosão do verniz no barco bolsonarista, vendido como feio e sujo, porém honesto, até lá.

Com o desastre na condução da pandemia, os números pífios na economia e a incompatibilidade com o cargo, já seria difícil, para Bolsonaro, ganhar ou recuperar terreno com quem mantém alguma relação racional entre voto e visão das coisas. Com a pecha de que, em termos de combate à corrupção e fim da mamata, ele não seria assim tão diferente dos que sempre atacou, fica quase impossível.

O vácuo da eventual decepção com quem tanto prometia e atacava pode criar terreno para novos adversários no campo liberal-conservador. Se não for emparedado pelo STF, a possível desmoralização do clã Bolsonaro poderia reabilitar até figuras como Sergio Moro. Ou aguçar as pretensões de Luciano Huck. Talvez façam até João Doria rever a intenção conformada de disputar a reeleição ao Planalto dos Bandeirantes e só.

Da figura que se elegeu em 2018 prometendo mudar tudo isso que está aí só ficou o mito.

E os fieis que ainda creem nele acima de tudo e de todos podem não ser suficientes para garantir um lugar no segundo turno se outra liderança souber gerenciar o espólio da decepção. 

É certo, porém, que há muito o que acontecer até 2022. Inclusive os golpes mais sujos que ainda devem estar no forno. Ou alguém pode esperar honestidade de quem já mentiu e jogou baixo antes para chegar onde chegou?