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A Rússia vai gravar um filme no espaço. O que podemos esperar da experiência?

·4 minuto de leitura

No próximo dia 5 de outubro, a agência espacial russa (Roscosmos) enviará o diretor Klim Shipenko, a atriz Yulia Peresild e o cosmonauta Anton Shkaplerov à Estação Espacial Internacional (ISS) para as filmagens do primeiro filme a ser produzido no espaço, chamado O Desafio. Com mais de 20 anos em operação, a ISS é um lugar bem diferente dos ambientes espaciais retratados pela ficção científica e, com a nova produção se aproximando, surgem algumas questões sobre como realmente funciona a estação por dentro.

A cerca de 400 km acima da superfície da Terra, a ISS consiste em 16 módulos combinados, dentro os quais seis compõem o Segmento Orbital Russo, enquanto 11 fazem parte do Segmento Orbital dos EUA, administrado pelos EUA, Japão e Agência Espacial Europeia (ESA). De tempos em tempos, naves como a russa Soyuz e a Crew Dragon, da SpaceX, levam novos tripulantes e uma série de suprimentos para lá.

(Imagem: Reprodução/NASA)
(Imagem: Reprodução/NASA)

No cinema, as unidades espaciais são retratadas de uma maneira futurística, seguindo um padrão bem minimalista, naquele estereótipo "espacial" ao qual ficamos acostumados. No entanto, a ISS não é bem como a gente vê as coisas nos filmes, pois existem cabos espalhados por toda parte, além de muitos equipamentos, ferramentas e pacotes de alimentos — e mais de 6 mil objetos perdidos em mais de 20 anos de tripulantes a bordo do laboratório orbital.

Pensando nisso, a arqueóloga espacial Alice Gorman, da Flinders University, levantou cinco questões esperadas com a estadia dos tripulantes russos a bordo da ISS.

Nova tripulante russa

Em 1963, a russa Valentina Tereshkova se tornou a primeira mulher no espaço. De lá para cá, apenas outras quatro russas tiveram a mesma oportunidade. Quando, em 1892, Svetlana Savitskaya chegou à ISS como a segunda cosmonauta da história, seus colegas de tripulação a presentaram com um avental, alegando que ela trabalharia na cozinha — numa piada sexista bastante de mau gosto.

A cosmonauta Valentina Tereshkova (Imagem: Reprodução/Domínio Público)
A cosmonauta Valentina Tereshkova (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

A presença da atriz Yulia Peresild na ISS vai mostrar se os tripulantes russos permanecem com essa postura já não aceita mais no século XXI. Vale destacar que o cosmonauta veterano Sergei Krikalev foi afastada da agência espacial por criticar a produção do filme — posteriormente, ele foi reintegrado.

Banheiros espaciais

Como será fazer o “número 1” e o “número 2” em condições de microgravidade? Felizmente, a ISS tem tecnologias específicas para isso, como bombas a vácuo para sugar o material liberado pelo corpo humano, enquanto a urina é reutilizada para o suprimento de água da estação. Em 2020, a NASA instalou o primeiro banheiro feminino na ISS.

Atual banheiro feminino no segmento norte-americano (Imagem: Reprodução/NASA)
Atual banheiro feminino no segmento norte-americano (Imagem: Reprodução/NASA)

Desde maio, Shipenko e Peresild passam por treinamentos na Rússia para aprenderem a usar o “penico” espacial. O segmento russo possui um antigo banheiro projetado para a anatomia masculina, e por isso a NASA desenvolveu um sistema condizente com a anatomia feminina. A arqueóloga espacial Alice Gorman disse que a atriz russa será a primeira mulher a comparar as tecnologias de banheiros espaciais.

Cirurgias no espaço

No espaço, os líquidos formam bolhas flutuantes, o que torna desafiadora a realização de qualquer experimento líquido a bordo da ISS. O filme russo realizará cenas de cirurgia cardíaca no espaço, mas, em condições de microgravidade, o sangue tende a se acumular nas partes superiores do corpo. Até agora, foram realizados alguns experimentos limitados nesse sentido, executados em corpos artificiais e ratos de laboratório.

Astronauta Jack Fischer, da NASA, conduzindo um experimento sobre o comportamento de fluidos em condições de microgravidade a bordo da ISS (Imagem: Reprodução/NASA)
Astronauta Jack Fischer, da NASA, conduzindo um experimento sobre o comportamento de fluidos em condições de microgravidade a bordo da ISS (Imagem: Reprodução/NASA)

Para as futuras missões tripuladas pelo espaço, engenheiros e cientistas desenvolvem tecnologias capazes de realizar cirurgias através de robôs e cápsulas. Então, será bem interessante observar como os produtores do filme reproduzirão tais ferramentas avançadas e também como os fluidos se comportarão nas condições de microgravidade do espaço.

Deixando algo para trás

No módulo russo Zvezda, os cosmonautas criaram uma espécie de memorial, onde os tripulantes russos passaram a colocar em uma parede diversas imagens, como dos cosmonautas Yuri Gagarin, Konstantin Tsiolkovsky e Sergei Korolev, além de outras ícones tradicionais da Rússia.

(Imagem: Reprodução/Domínio Público)
(Imagem: Reprodução/Domínio Público)

Para Gorman, será interessante saber como a equipe de filmagens contribuirá para este memorial informal. Nesse sentido, ela destacou que o pai de Peresild, Sergey Peresild, é um conhecido pintor de personalidades e, talvez, ela deixa alguma amostra desse tipo por lá.

E depois de tudo isso?

Após passarem 12 dias no espaço, eles retornarão à Terra em outra nave Soyuz no dia 17 de outubro, na companhia do cosmonauta Oleg Novitskiy, que está em órbita desde abril deste ano. Shipenko e Peresild serão oficialmente viajantes espaciais e os primeiros profissionais a gravarem um filme no espaço, eternizados em um grupo seleto de humanos que orbitaram o planeta.

(Imagem: Reprodução/GCTC)
(Imagem: Reprodução/GCTC)

Ao todo, cerca de 45 filmes sobre viagens espaciais foram contemplados por indicações ao Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Entretanto, o filme russo será filmado no espaço e ainda contará com efeitos visuais bem reais e este é um dos pontos mais interessantes sobre a produção, pois ela pode significar uma virada na indústria cinematográfica. Caberá ao público decidir se prefere um contexto idealizado da ficção científica ou a dura realidade da ISS.

Fonte: Canaltech

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