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Rússia restringe oferta e preço do gás dispara na Europa

·3 min de leitura

(Bloomberg) -- Os preços do gás natural na Europa dispararam nesta terça-feira, após a Rússia, maior fornecedora do continente, intensificar o controle da oferta em um momento de alta tensão geopolítica com a Ucrânia.

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As remessas da Rússia para a Europa através de dois importantes gasodutos desabaram esta semana, realimentando um movimento de valorização do combustível que tinha sido atenuado na virada do ano por navios carregados de gás natural liquefeito dos EUA com destino à Europa. A cotação de referência do gás natural na Europa saltou mais de 20%, após um avanço de 14% na segunda-feira. No Reino Unido, os mercados estavam fechados na segunda e os preços dispararam mais de 40% nesta terça-feira.

A Europa enfrenta uma crise de energia enquanto a Rússia limita a oferta justamente na chegada dos dois meses mais frios do inverno. Várias usinas nucleares estão paralisadas para reparos e manutenção na França, aumentando a demanda de gás. Tensões entre Rússia e Ucrânia intensificam preocupações com uma possível invasão que, segundo alguns especialistas, pode acontecer no início deste ano.

“A incerteza quanto à situação de segurança na Ucrânia, com implicações para os fluxos dos gasodutos para a Europa, continua sendo o elefante na sala”, disse Oystein Kalleklev, CEO da operadora de embarcações Flex LNG, com sede em Oslo.

Cerca de um terço do gás russo que flui para a Europa atravessa a Ucrânia e qualquer interrupção no abastecimento — como aconteceu durante os episódios de disputa de preços em 2006 e 2009 — pode rapidamente fazer com que a escassez de energia se torne uma crise generalizada. Uma disparada nas cotações pode impactar os mercados de combustíveis, carbono e até mesmo de metais e fertilizantes, que já veem fábricas paradas ou operando com capacidade reduzida devido aos preços elevados da energia.

Em caso de uma invasão, o polêmico gasoduto russo Nord Stream 2 — alvo de repetidos atrasos — “provavelmente morre”, escreveu Bjarne Schieldrop, analista-chefe de commodities da SEB, em nota divulgada na segunda-feira.

“As exportações de gás natural da Rússia para a Europa Ocidental através da Ucrânia e Belarus devem diminuir significativamente devido a sanções” e os níveis de preço observados no quarto trimestre seriam um “guia do que virá em 2022”, acrescentou ele.

O abastecimento de produto russo através da Ucrânia e Eslováquia tende a permanecer limitado pelo seguido dia seguido, após atingir na segunda-feira o menor nível desde fevereiro. O importante gasoduto Yamal-Europa, que atravessa Belarus e Polônia, opera no sentido inverso, com fluxos que se movem da Alemanha para a Polônia, há 15 dias. O quadro obriga a Europa a usar gás de estoques quase esgotados.

Para piorar a situação, a demanda de GNL começa a se recuperar na Ásia, o maior mercado para o combustível. A Indonésia estuda proibir exportações de carvão, o que poderia intensificar a demanda de gás e a competição por suprimentos.

Cerca de 30% do aparato nuclear da França estará desativado este mês, também impulsionando o consumo de outros combustíveis na região, como o gás para geração de eletricidade.

“O mercado parece pronto para subir ainda mais, já que combustíveis e carbono seguem em tendência de alta”, afirmou a Energi Danmark em relatório divulgado em seu website.

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