Rússia quer trocar Windows por Linux em computadores do país

A Rússia quer incentivar a troca de Windows por Linux em computadores do país. Sem atualizações e suporte oficial da Microsoft desde junho, quando a empresa decidiu boicotar o país junto a outras Big Techs em reação à invasão da Ucrânia, o país tenta se blindar das consequências de ter um sistema operacional defasado e com vulnerabilidades em segurança ao buscar alternativas gratuitas, personalizáveis e abertas.

A notícia começou a circular em 20 de setembro, quando o jornal local Kommersant reportou a preparação de novas políticas na adoção de softwares do Ministério de Desenvolvimento Digital da Rússia. Nas novas regras, o governo exige que empresas interessadas em benefícios fiscais precisam começar a usar Linux.

A Microsoft decidiu boicotar a Rússia em junho deste ano (Imagem: Reprodução/Microsoft)
A Microsoft decidiu boicotar a Rússia em junho deste ano (Imagem: Reprodução/Microsoft)

Os benefícios dessa migração são claros: com Linux, a Rússia protege a própria indúsitra de boicotes e sanções comerciais estrangeiras (Linux é um sistema de código aberto, com inúmeras distribuições gratuitas e frequentemente atualizadas) e se livra das influências norte-americanas nos PCs presentes no país. Além disso, distros do Pinguim tendem a performar melhor em computadores mais antigos.

Migração complexa

Trocar de Windows para Linux num ambiente doméstico é fácil, mas fazer essa migração em escala nacional é um processo extremamente complexo e delicado. Ao incentivar a substituição do sistema na indústria local, o governo russo introduzirá um enorme desafio para desenvolvedores: conhecer e se adaptar ao SO.

Adotar sistemas baseados em Linux seria uma alternativa mais confiável e versátil para a Rússia, mas impõe desafios (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)
Adotar sistemas baseados em Linux seria uma alternativa mais confiável e versátil para a Rússia, mas impõe desafios (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)

Em programas mais simples, a transição pode acontecer em questão de meses, contudo softwares de proteção de dados e gerenciamento de informações precisariam de mais tempo. Nesses casos em que garantir integridade é a maior prioridade, a adaptação pode exigir uma reconstrução cuidadosa de software, num processo que pode durar até dois anos, segundo fontes entrevistadas pelo jornal Kommersant.

Mudança requer tempo

A transição também exigirá tempo (consequentemente, investimento) das empresas interessadas em negociar com o governo russo. Em entrevista para o Kommersant, o executivo Dmitry Komissarov que trabalha numa alternativa para o Office 365 afirmou que a adaptação para o novo sistema exigiria tanto esforço quanto a construção da suíte original da Microsoft.

Além disso, a mudança exigiria que softwares considerados essenciais para a economia do país fossem refeitos do zero, incluindo sistemas bancários. Sendo assim, o processo não só interferiria na rotina de desenvolvedores, mas em toda a dinâmica econômica local.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: