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Rússia fica fora da missão ExoMars e ameaça uso de braço robótico europeu

A Agência Espacial Europeia (ESA) encerrou oficialmente a cooperação com a Rússia na missão ExoMars, que iria lançar o rover europeu Rosalind Franklin rumo a Marte. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (12) por Josef Aschbacher, diretor da ESA, e veio seguida de uma ameaça russa de interromper o uso do braço robótico europeu, instalado na Estação Espacial Internacional (ISS).

A ExoMars é um programa originalmente desenvolvido por meio de uma parceria entre a ESA e a agência espacial russa Roscosmos. Ele conta com duas missões: a primeira é a sonda orbital Trace Gas Orbiter, que vem estudando Marte; já a segunda inclui o rover Rosalind Franklin, que irá procurar sinais deixados por possíveis organismos vivos na superfície marciana, e o módulo de pouso Kazachok.

Representação do rover Rosalind Franklin, da missão ExoMars (Imagem: Reprodução/ESA)
Representação do rover Rosalind Franklin, da missão ExoMars (Imagem: Reprodução/ESA)

Em sua fala, Aschbacher explicou que a decisão veio em função das “circunstâncias que levaram à suspensão da cooperação com a Roscosmos — a guerra na Ucrânia e sanções que vieram em seguida —, que continuam a prevalecer”. Agora, com a suspensão do trabalho com a Rússia na ExoMars, a ESA está buscando formas para substituir as contribuições russas.

A Rússia forneceria o veículo de lançamento, um foguete Proton, o módulo Kazachok, alguns instrumentos científicos e unidades de aquecimento por radioisótopos. Na situação atual, a ESA poderia procurar meios para trabalhar com a NASA ou, quem sabe, com parceiros europeus.

A formalização da escolha da ESA de encerrar a parceria com a Rússia na missão ExoMars não surpreende, já que a colaboração espacial entre ambas já havia sido afetada há algum tempo. Só que ela não veio sem consequências: em uma publicação no mensageiro Telegram um pouco após o anúncio, o diretor da agência espacial russa Roscosmos, Dmitry Rogozin, acusou Aschbacher de “sabotar” a missão ExoMars.

Segundo ele, a Roscosmos irá trazer de volta a plataforma Kazachok, que está na Europa para preparações para o lançamento, e instruiu os cosmonautas a bordo da ISS a suspender o uso do braço robótico europeu. O braço está instalado no módulo russo Nauka, lançado no ano passado, e ainda está em processo de comissionamento.

O módulo Nauka se aproximando da estação (Imagem: Reprodução/NASA TV)
O módulo Nauka se aproximando da estação (Imagem: Reprodução/NASA TV)

Não se sabe se os astronautas vão, de fato, acatar as ordens e como elas podem afetar as operações na estação. Mesmo assim, a fala de Rogozin mostra mais uma tensão nas relações entre a Rússia e seus parceiros, que segue estremecida desde a invasão na Ucrânia. “Não há espaço na Estação Espacial Internacional para política”, disse Bill Nelson, administrador da NASA a repórteres durante um evento de lançamento das primeiras fotos do telescópio espacial James Webb.

Ele reforçou que tanto a tripulação a bordo da estação quanto os centros de controle de missão em solo, instalados em Houston (Estados Unidos) e Moscou (Rússia), seguem com relacionamento muito profissional. “Isso é um esforço de ciência, tecnologia e pesquisas internacionais que vai continuar”, finalizou. Só não sabemos por quanto tempo.

Fonte: Canaltech

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