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Rússia exerce vingança geopolítica com boa participação nas Olimpíadas

·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Proibida de competir sob seu nome, bandeira e hino nas Olimpíadas de Tóquio, a Rússia vem exercendo uma doce vingança geopolítica até aqui na competição.

Com cinco dias de jogos, a sigla inglesa ROC (de Comitê Olímpico Russo) já apareceu em 23 pódios até a conclusão deste texto -em 7 deles, ocupando o primeiro lugar.

A esta altura dos Jogos do Rio, quatro anos atrás, eram 4 ouros em 15 medalhas conquistadas, já sob o impacto do gigantesco escândalo do doping patrocinado pelo Estado nas Olimpíadas de Inverno de Sochi (Rússia), em 2014.

A comparação é algo inexata, mas o país está no mesmo quarto lugar que amealhou em 2016 e mesmo 2012, nos últimos Jogos antes do episódio do doping.

O presidente Vladimir Putin sempre sustentou que as acusações e punições eram parte de uma campanha do Ocidente contra seu país, na esteira da anexação da Crimeia em 2014.

Elas que incluíram sanções a quase mil atletas, a perda de 14 medalhas ganhas em Londres-2012 e o banimento do país por quatro anos de competições internacionais, decidido em 2019.

O jogo político começou a virar em dezembro passado, quando o veto caiu para dois anos. De todo modo, a participação em Tóquio teria de ocorrer sob as regras previstas: a bandeira neutra do ROC, um trecho de Tchaikóvski como hino.

Os russos ainda tentaram emplacar a melodia militar "Katiucha", que embalava soldados na Segunda Guerra Mundial, mas não foram bem-sucedidos. Na prática, contudo, além do bom desempenho até aqui eles contam

O impacto sobre os atletas, contudo, parece ter sido oposto ao do desânimo. Com uniformes desenhados para emular o vermelho-branco-azul da bandeiras russa, eles têm inclusive brilhado em competições que não triunfavam havia tempo.

Foi o caso dos times de ginástica artística. O masculino levou o seu primeiro ouro desde Atlanta-1996 no domingo (25), ganhando de forma heroica dos donos da casa, por mísero 0,103 ponto na contagem final. Já o feminino derrotou os favoritos EUA após a estrela Simone Biles deixar a competição, alegando estresse.

Pesa também na conta o incentivo, por assim dizer, do Kremlin. Segundo revelou o jornal Vedomosti antes das competições, um manual de conduta sugerindo evitar entrevistas e outros pontos, foi distribuído aos 335 atletas que foram ao Japão.

Além disso, o chefe do ROC, Stanislav Pozdniakov estabeleceu uma meta de trazer de 40 a 50 medalhas. Se mantiver a toada, talvez repita ou supere o Rio, onde os russos amealharam 56 vitórias, 19 delas douradas.

Além disso, há o sentimento de fato consumado também. Alguns apresentadores de atletas falaram a palavra Rússia, enquanto outros insistem no nome completo do ROC, ao contrário do uso planejado inicialmente da sigla.

Num espírito provocador, embora obviamente o Kremlin não irá reconhecer isso, os russos aproveitaram a semana inicial das Olimpíadas para fazer exercícios militares em torno das ilhas Kurilas, que Tóquio reclama como suas desde o final da Segunda Guerra (1939-45).

Até o premiê Mikhail Michustin visitou o local na segunda (26), levando os japoneses a chamar o embaixador russo para se explicar. A resposta foi um protesto do Kremlin, dizendo que autoridades do país podem ir aonde quiserem em seus domínios.

O caso russo é o mais vistoso embate geopolítico desta edição olímpica, embora não chegue perto das implicações do passado não tão remoto.

Em 1980, num dos picos de tensão da Guerra Fria, os americanos boicotaram os Jogos de Moscou com o pretexto de protestar contra a invasão soviética do Afeganistão, um ano antes. A atitude puxou mais 65 países, embora alguns por motivos diversos.

Quatro anos depois, a edição de Los Angeles ficou sem os soviéticos e outros 13 países comunistas, citando o clima negativo contra Moscou nos EUA.

Agora em Tóquio há outros reflexos de disputas visíveis em alguns detalhes, a começar pelo impacto da Guerra Fria 2.0 vivida entre EUA e China.

Algumas redes de TV no Ocidente e no Japão, como a americana NBC, mostraram o mapa chinês na abertura das Olimpíadas sem incluir Taiwan e algumas ilhas no mar do Sul da China.

Essas áreas são contestadas, mas no caso da ilha que concentra a antiga oposição aos comunistas junto à costa da China já há uma solução do COI (Comitê Olímpico Internacional), uma vez que a comunidade internacional em sua maioria aceita no papel a reivindicação chinesa sobre Taiwan.

Seus atletas competem sob a bandeira de Taipé Chinês, um nome alternativo derivado da capital da ilha. Não estão nada mal na fotografia até aqui, com 6 medalhas, 1 de ouro, no 17º lugar geral.

Outro território chinês complexo, Hong Kong, está presente com sua bandeira e o complemente "China" após seu nome.

A acomodação não retira peso do fato de que estes são os primeiros Jogo nos quais os honcongueses atuam sob a draconiana Lei de Segurança Nacional, imposta no ano passado por Pequim para destruir os movimentos pró-democracia que levaram o caos às ruas da região em 2019.

O risco de ir para a cadeia e pegar até prisão perpétua afastou assim associações muito explícitas entre o que acontece em Tóquio com as ruas de Hong Kong.

Mas há sinais discretos: no domingo, a derrota do poderoso time chinês de vôlei feminino contra a Turquia por 3 sets a 0 foi comemorada com palmas em um dos principais shoppings do território, que passava a partida num telão.

A charge do jornal local South China Morning Post sobre a até aqui única medalha de ouro do time, na esgrima com Cheung Ka Long, insinuava o caráter nacionalista da conquista -celebrando, com a sutileza de cutucar também a recente derrota inglesa na Eurocopa, a vida da medalha "para casa".

A publicação pertence ao grupo chinês Alibaba, e moderou bastante sua posição ante Pequim desde que a Lei de Segurança passou a valer, em 30 de junho do ano passado. Outros jornais fecharam, como o Apple Daily, que viu seus executivos serem presos.

Por fim, uma rusga que remonta à brutal ocupação japonesa da Coreia (1910-45). O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, desistiu de participar da abertura dos Jogos porque o premiê Yoshihide Suga não aceitou recebê-lo para uma reunião de cúpula.

Nada que tenha abalado as duas delegações, contudo. O Japão lidera o quadro de medalhas com 13 ouros, enquanto a Coreia do Sul vem em sétimo, com 4.

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