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Rússia denuncia 'censura' do YouTube e ameaça suspender a plataforma no país

·4 minuto de leitura
Logotipo do aplicativo do YouTube na tela de um tablet (AFP/Martin Bureau)

A agência reguladora russa das telecomunicações, Roskomnadzor, ameaçou nesta quarta-feira (29) bloquear o YouTube se a plataforma não acabar com a suspensão das contas da rede televisão pública RT na Alemanha, que foi considerada "censura" pelas autoridades de Moscou.

O organismo russo afirmou que solicitou ao Google, proprietário do YouTube, que "acabe o mais rápido possível" com as restrições aos canais do YouTube RT DE e Fehlende Part.

E recordou que a "lei prevê uma suspensão total ou parcial de acesso se o proprietário de uma plataforma não cumprir uma advertência da Roskomnadzor".

YouTube bloqueou na terça-feira as contas da RT DE e Der Fehlende Part por violação das regras internas da comunidade, com a divulgação de "informações falsas" sobre o coronavírus e por tentar contornar uma suspensão de download.

O Kremlin chamou a decisão de "censura" e afirmou nesta quarta-feira que não descarta a "adoção de medidas coercitivas contra esta plataforma para que respeite as leis russas".

"Há sinais que mostram que as leis russas foram violadas de maneira grosseira. Está relacionado com a censura e com os obstáculos à divulgação de informações", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Algumas horas antes, o ministério russo das Relações Exteriores acusou em um comunicado as autoridades alemãs de "ter estimulado" a decisão, que teria o objetivo de "calar" um meio de comunicação que os incomoda.

- "Represálias" -

Neste contexto, "adotar medidas de represália simétricas contra a mídia alemã na Rússia (...) parece não apenas apropriado, como necessário", afirmou o ministério.

Steffen Seibert, porta-voz do governo da Alemanha respondeu que as autoridades do país não têm "nada a ver" com a suspensão da RT e advertiu que "qualquer um que defenda represálias não mostra um respeito adequado à liberdade de imprensa".

A RT, que transmite em inglês, francês e espanhol, é considerada parte da propaganda do Kremlin no exterior.

No Twitter, sua editora-chefe Margarita Simonian pediu na terça-feira a Moscou que suspenda o jornal público alemão Deutsche Welle na Rússia.

De acordo com a imprensa alemã, o YouTube bloqueou as contas da RT DE porque o grupo tentou, por meio de sua emissora Der Fehlende Part, passar por cima da proibição de divulgação de novos vídeos durante uma semana após a divulgação de desinformação sobre o coronavírus.

Segundo a RT, esta suspensão acabaria na quarta-feira e teve como objetivo prejudicar seu bom funcionamento nos dias próximos às eleições legislativas alemãs, em 26 de setembro.

A Rússia intensificou a ofensiva contra as grandes redes sociais e plataformas digitais nos últimos meses e as acusou de atuar a favor dos interesses ocidentais.

Entre outras medidas, o governou forçou Google e Apple a bloquear na Rússia uma série de conteúdos vinculados ao opositor detido Alexei Navalny. O ativista acusou as empresas de "cumplicidade" com a censura exercida pelo presidente Vladimir Putin.

Nesta quarta-feira, um tribunal russo impôs à Google uma multa de 6,5 milhões de rublos (cerca de 77.000 euros no câmbio atual, pouco mais de 89.000 dólares) por não eliminar conteúdos proibidos.

Os países ocidentais consideram que a Rússia organiza campanhas de desinformação nas redes sociais para espalhar a discórdia ou para interferir com fins eleitorais, como aconteceu nas presidenciais americanas de 2016.

- Extremismo -

As redes sociais são espaços de liberdade de expressão utilizados pelos adversários do Kremlin.

Mas o governo russo exige agora que os gigantes das telecomunicações moderem os conteúdos na Rússia o sigam as normas do país, muito severas.

Por exemplo, as autoridades russas podem declarar "extremista" qualquer organização crítica ao governo e pedir que suas publicações sejam bloqueadas. E é exatamente o que fazem com o movimento de Navalny.

O Twitter, acusado de não retirar conteúdos considerados ilegais, funciona muito lentamente na Rússia desde março.

Os vídeos, fotos e outros conteúdos mais pesados são muito difíceis de fazer o download.

Em janeiro, Putin afirmou que os gigantes da internet "competiam" com os Estados e denunciou suas "tentativas de controlar brutalmente a sociedade".

A Rússia aprovou em 2019 uma lei para o desenvolvimento de uma internet soberana. As autoridades negam o desejo de construir uma rede nacional sob seu controle, como acontece na China, mas é exatamente o que temem a oposição e as ONGs.

As redes sociais já são obrigadas a armazenar em território russo os dados de seus usuários russos.

Além disso, as empresas digitais terão que abrir em breve representações oficiais que serão responsáveis por "qualquer infração à lei russa".

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