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Quilombolas do Espírito Santo denunciam invasão de empresa de papel para exploração de eucalipto

·4 minuto de leitura
Moradores relatam ainda escassez de água em decorrência da monocultura na região; Suzano é uma das maiores empresas do setor no mundo e não se posicionou sobre a denúncia. Foto: Conaq
Moradores relatam ainda escassez de água em decorrência da monocultura na região; Suzano é uma das maiores empresas do setor no mundo e não se posicionou sobre a denúncia. Foto: Conaq

Texto: Nataly Simões

No Espírito Santo, quilombolas denunciam a invasão de uma empresa de papel e celulose para a monocultura de eucalipto no território Sapê do Norte, localizado entre as cidades de Conceição da Barra e São Mateus do Espírito Santo. Na região, vivem cerca de 100 famílias que também reportaram escassez de água em decorrência da desertificação para a produção de eucalipto.

O desmatamento nas proximidades das nascentes que abastecem o território compromete a produção saudável e todos os modos de vida quilombola. “Queremos nossa nascente de volta. Fizemos o pedido para a empresa para afastar pelo menos 50 metros. Tem eucalipto dentro da nossa nascente. Nós queremos a nossa água de volta porque está tudo seco. Queremos a nossa água”, explica Myrian Dealdina Fontoura Faier, 30 anos, liderança do Quilombo Angelim III.

Segundo o jornal Século Diário, no início deste ano a Suzano, que é uma das maiores empresas de papel e celulose do mundo, pediu ao governo capixaba, por meio da Federação das Indústrias, urgência na liberação de uma área de 5 mil hectares em Conceição da Barra para a expansão do monocultivo do eucalipto.

Corre na justiça também uma ação do Ministério Público do Espírito Santo contra a Suzano e em defesa dos recursos hídricos da região. O processo destaca a gravidade do déficit hídrico da região em função da insustentabilidade do projeto da empresa.

A escassez hídrica é a principal demanda da comunidade quilombola, que busca retomar o perímetro da nascente, que atualmente se encontra na área desmatada. “O objetivo da nossa retomada é a prevenção das nossas nascentes, que acabou com nossas águas. Nós somos quilombolas e temos o direito ao território e até hoje o governo ou que seja empresa, não nos deu esse direito”, relata Manoel Fontoura, 69 anos, outra liderança do quilombo.

Conflitos históricos

Os quilombolas capixabas da região de Sapê do Norte enfrentam, historicamente, conflitos por conta do monocultivo do eucalipto. Mais recentemente, pela Fibria, empresa comprada pela Suzano. Sem a demarcação e titulação dos territórios remanescentes de quilombo, a Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades negras Rurais) afirma que a empresa tem obtido sucesso nas ações de despejo contra os moradores.

Ainda segundo a coordenação, a Suzano tem a seu favor um pedido de reintegração de posse de 802 hectares, sendo que parte dessa área pertence ao território quilombola. Além disso, em todo o Espírito Santo há apenas um território parcialmente titulado pelo poder público.

A área demandada pelos quilombolas que se encontram no local há mais de século visa a recuperação da nascente e produção saudável para as famílias do território. “A área que está sendo retomada não representa nem um por cento da área total plantada de eucalipto aqui na região. A gente está pedindo um pedaço para a reprodução. Para plantio de comida saudável e construção de casa porque as famílias estão crescendo e não para onde elas irem porque o espaço que tem não é suficiente para a quantidade de pessoas”, pontua Selma Dealdina, liderança nacional da Conaq.

A agência Alma Preta procurou a assessoria de imprensa da Suzano para saber o posicionamento da empresa diante dos riscos que a exploração da monocultura traz para as famílias que vivem na região e se a empresa estabeleceu diálogo com os quilombolas a partir da denúncia do território.

Em nota enviada no dia seguinte da publicação da reportagem, a empresa informou que “preza pelo diálogo, buscando sempre fortalecer o relacionamento com as comunidades nas quais está inserida”.

Segundo a Suzano, nos municípios de São Mateus e Conceição da Barra a empresa “mantém parcerias com mais de 20 associações formadas por comunidades tradicionais, tendo como foco principal o desenvolvimento sustentável e a geração de renda local. Dentre as iniciativas desenvolvidas pela Suzano na região, destacam-se o Programa de Desenvolvimento Rural Territorial (PDRT) e a primeira Cooperativa Quilombola de prestação de serviços do Espírito Santo”.

Ainda de acordo com a nota, “todas as suas atividades [da empresa] são desenvolvidas seguindo rigorosas práticas de manejo, nos termos licenciados pelos órgãos ambientais e com foco na sustentabilidade, inclusive dos recursos hídricos, e na preservação ambiental”.

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