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Questionar telemedicina é como discutir se aviões são 'tendência', diz CEO da Hi Technologies

Lucas Carvalho
·3 minutos de leitura

A telemedicina começou a decolar de vez no Brasil com a chegada da covid-19, mas para alguns empreendedores do setor de saúde, ela chegou tarde. De acordo com Marcus Figueredo, CEO da healthtech Hi Technologies, o uso da tecnologia no atendimento à distância já não deveria mais ser polêmica.

Para Marcus, telemedicina "é um negócio dos anos 60 e a gente tá em 2020". "Talvez a gente tivesse que estar discutindo até onde a inteligência artificial pode ir em saúde, por exemplo. Isso é como estar discutindo se os aviões são uma tendência de transporte."

Marcus é um dos convidados do mais recente episódio da nova temporada de Líderes, programa original do Yahoo Finanças que coloca frente a frente executivos das principais empresas do Brasil e do mundo para discutir negócios, inovação, empreendedorismo e responsabilidade social.

Episódios anteriores

Neste episódio, Marcus e Aline Thomaz, gerente médica na Rede São Camilo de São Paulo, discutem por que é tão complicado aplicar tecnologia na área de saúde no Brasil, por que a telemedicina demorou tanto para emplacar no país e o que o futuro reserva para o setor.

A Hi Technologies é a startup brasileira que criou o Hi Lab, um laboratório portátil que usa inteligência artificial para entregar resultados clínicos rápidos, entre eles o teste da covid-19. Com sua expertise em tecnologia, Marcus argumenta que a telemedicina pode não ser o melhor de atendimento médico, mas é o mais adequado para a realidade desigual brasileira.

"Seria melhor ainda se o médico pudesse ir na casa do paciente, sem você precisar ir para o hospital, mas não é nesse mundo que a gente vive", diz Marcus. "Todo mundo precisa ter acesso à saúde e para isso a gente precisa ser pragmático. A gente tem que focar no que dá pra fazer."

O CEO acredita que a próxima discussão a dominar o mercado de tecnologia aplicada à saúde é a dos limites do uso de inteligência artificial – aplicação que já existe em muitos casos, como complemento ao diagnóstico feito por um médico humano, por exemplo. No cerne da questão está a ética.

"A máquina faz o diagnóstico, só que e se o diagnóstico erra? Quem é responsabilizado?", diz Marcus. "Você vai julgar um software? Falar 'olha, software, você errou'? Ele não vai ficar chateado, ele vai continuar errando. Isso é uma questão que eu acredito que vai pautar muito o futuro."

Quem é Marcus Figueredo

Marcus Figueredo, CEO da Hi Technologies (Foto: Divulgação)
Marcus Figueredo, CEO da Hi Technologies (Foto: Divulgação)

Mestre em engenharia da computação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Marcus fundou a Hi Technologies em novembro e 2004, onde ocupa o cargo de CEO desde então. Possui diversos trabalhos sobre inteligência artificial e machine learning publicados no exterior.

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