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Quem não tem deficiência pode falar sobre inclusão e acessibilidade?

Gustavo Torniero
·2 minuto de leitura
Sobre um fundo claro quase branco, duas maos se cumprimentam
Getty Images

Se você não tem nenhuma deficiência, com certeza já se perguntou se poderia falar sobre acessibilidade e inclusão e apoiar essa causa. Eu já recebi muitas vezes esse questionamento, tanto em eventos como em conversas privadas.

A dúvida maior, nessa situação, é como falar sobre o assunto sem apagar nossa presença e o nosso protagonismo. É um cuidado muito importante para se ter em mente. O lema do movimento internacional de pessoas com deficiência é “nada sobre nós sem nós”.

O que significa isso? Quer dizer que nenhuma decisão de política pública e nenhuma ação de acessibilidade e inclusão deve ser realizada sem consultar as pessoas afetadas e entidades representativas do segmento. Essa é uma luta árdua travada pelos ativistas dos direitos das pessoas com deficiência desde a metade do século XX.

Mas, por vezes, o entendimento sobre esse lema tão importante pode ser distorcido. Não o interpreto como uma proibição de pessoas sem deficiência falarem sobre acessibilidade e inclusão. Pelo contrário: para furar bolhas e expandir nossos direitos, precisamos construir alianças.

Isso não quer dizer que qualquer pessoa possa se autointitular um especialista em acessibilidade. Para chegar nessa conclusão, além de muito estudo, é necessário trabalhar lado a lado com pessoas que tenham algum tipo de deficiência.

E aqui é importante fazer uma outra diferenciação. Apoiar e falar sobre o assunto é diferente de falar em nome de alguém ou da causa. Um profissional pode ter um conhecimento vasto sobre inclusão, mas sempre tomar como base os fatos e dados disponíveis, principalmente coletados com base em pesquisas e na sua interação com a comunidade.

Ao mesmo tempo, não podemos nos dar ao luxo de recusar apoios nessa caminhada. Quanto mais pessoas estudarem e promoverem a acessibilidade e a inclusão nas suas rodas de conversa, no trabalho, com a sua família e com amigos, mais chances nós temos de tornar o mundo um local mais acolhedor e respeitoso com a diversidade.

Eu te convido a ser um aliado ou uma aliada da causa. Convide e construa eventos com pessoas com deficiência; estude o assunto; compartilhe conteúdo sobre acessibilidade e inclusão; fale sobre pessoas com deficiência nas suas conversas pessoais e profissionais; ajude a desmistificar estereótipos.

E, por fim, não deduza que você pode falar por alguém. Isso pode acontecer em ambientes familiares superprotetores, por exemplo, no qual muitos pais reivindicam o direito de falar por seus filhos com deficiência, ferindo completamente a autonomia e o conceito do nada sobre nós sem nós.

Com essas dicas e cuidados, você com certeza terá muito potencial para promover nosso protagonismo e representatividade, além de nos auxiliar a conscientizar outros grupos sobre a importância da acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência. Também será mais fácil identificar os falsos aliados.

Descrição da imagem: sobre um fundo branco, duas mãos se cumprimentam. Elas são contornadas pelo pôr do sol, além de fotos de 10 pessoas, que conversam e também se cumprimentam