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Quem é MoMo, monstruosidade que aterroriza crianças ao redor do mundo há mais de um ano?

Momo, o monstro, apareceu em vídeos infantis aterrorizou pais na última semana, mas já participa do imaginário coletivo das crianças há algum tempo (Reprodução)

Por @vitorvalencio

Olhos esbugalhados, uma face pálida e assustadora, cabelos ralos, sem nariz, uma boca enorme e com uma mensagem terrível. O monstro, que  – teoricamente, aparece em vídeos infantis aterrorizou pais durante a última semana, mas já participa do imaginário coletivo das crianças há algum tempo. De onde saiu essa aberração e o que fazer para evita-la?

O alerta surgiu nessa semana. Quando pais relataram o aparecimento de uma espécie de boneca durante vídeos infantis, no Youtube. A interrupção em meio à vídeos de slime ou minecraft foi amplamente propagada no Whatsapp. Foi aí que a coisa começou a tomar contornos de epidemia.

Em nota, o Youtube declarou que não detectou qualquer invasão ou sinal de vídeos interrompendo o conteúdo da plataforma. Além, das propagandas veiculadas pelo próprio Youtube, não haveria a possibilidade de que um conteúdo não autorizado interrompesse os vídeos de criadores de conteúdo. Ainda mais na sessão “kids”, que conta com uma curadoria ainda maior do que nas categorias liberadas para todas as idades.

Mas então, como é que se espalhou o medo de topar com a boneca assassina na internet? Afinal, ninguém declara que, de fato, viu o vídeo no Youtube. Assim como tem acontecido durante os últimos anos, a notícia se espalhou através das redes sociais e talvez possa ser considerada “fake news”.

Se você já viu a MoMo, provavelmente, recebeu o vídeo pelo Whatsapp ou outra rede social, certo? Depois do alerta, pedimos a várias pessoas que enviassem um link onde a invasão pudesse ser constatada, de fato, interrompendo algum vídeo. No entanto, isso não quer dizer que a ameaça não existe. Ela só não está exatamente onde pais e familiares pensavam que estaria.

Já existem vídeos dublados em inglês, espanhol e português. Evidências de que os criminosos por trás do monstro, estão se espalhando e talvez não respondam a uma única agenda. De acordo com David Emm, pesquisador de segurança global da Kaspersky Lab, “É importante lembrar que isso não é uma ameaça cibernética genuína no sentido de infectar ou corromper dispositivos ou até mesmo tentar roubar, no entanto, é uma piada maliciosa que pretende chocar e desestabilizar os usuários. E, à medida que o mistério em torno do desafio cresce, as chances de mais pessoas serem tentadas a assustar seus amigos ou, mais preocupantemente, usar o meme para assediar e intimidar, aumentam”, explica o especialista.

As correntes de mensagens mostraram o pode avassalador nas últimas eleições presidenciais. Propagandas também tomaram conta de celulares e aplicativos de mensagens nos últimos tempos. E, recentemente, ameaças como o “desafio da baleia azul” colocaram crianças e famílias inteiras em risco.

O avatar da personagem foi baseado na escultura do artista japonês, Keisuke Aiso. A obra completa é composta pela face assustadora sobre um dorso pseudo-humano e patas de ave. Nomeada de “Mother-Bird”, ou “Mãe-Pássaro”, a obra foi exposta em 2015 em uma galeria de arte. Segundo o escultor, foi destruída depois da descoberta de que sua criação estava sendo usada para fins tão sombrios.

Assim, como a “baleia azul”, MoMo também incentiva crianças a cometer atos violentos contra elas mesmas e contra seus familiares. O monstro sem corpo e com uma cara assustadora aparece sobre um fundo hipnótico, orientando crianças a cometer suicídio ou assassinato contra os pais. Sim, é exatamente o que você leu. A ameaça virtual já seria suspeita na morte de uma criança, de 12 anos, na Argentina e em uma suposta tentativa, no Brasil.

Acontece que o aquilo que os pais só souberam agora, já aterroriza crianças há mais de um ano. Dias atrás, até mesmo a existência de um número de telefone, com número de área do México, foi alarmada. Através dele, MoMo – ou quem quer que esteja por trás dela – ameaçaria as vítimas, através de extorsão e violência psicológica.

Segundo o pesquisador, “Para os pais, uma ameaça como essa pode parecer, infelizmente, muito tentadora, já que seus filhos, que nunca conheceram um mundo sem internet, navegam no mundo online em alta velocidade. Talvez seja por isso que as crianças são, muitas vezes, as primeiras a serem expostas ao novo conteúdo que circula na internet, já que fazem buscas e compartilham informações constantemente. Embora isso não pareça ser uma tentativa de espalhar malware, é um lembrete oportuno de que, como pais, precisamos manter um contato próximo com o mundo online de nossos filhos e que o diálogo aberto é a melhor defesa contra conteúdos maliciosos e ameaças cibernéticas, bem como não aceitar/abrir qualquer conteúdo de fontes desconhecidas”, conclui David.

Conversar é sempre a melhor solução

O diálogo é sempre a melhor alternativa. Pode ser que durante o papo, os pais descubram e aprendam muitas coisas com as crianças. O especialista em internet listou algumas dicas:

Ter conversas regulares com o (s) seu (s) filho (s) – conscientize-os sobre como estar seguro online – e entrem em um acordo sobre quais sites são apropriados para eles e garantir que entendam o raciocínio por trás disso. Eles também precisam saber que podem – e devem – confiar em um adulto se notarem alguma coisa perturbadora enquanto estiverem online;

Certifique-se de que seu filho entenda que ele não deve “fazer amizade” com alguém online que não conhece na vida real ou adicionar números desconhecidos a seus contatos – as pessoas online nem sempre são honestas sobre quem são e o que querem;

Ativar configurações de segurança – configurações como a reprodução automática devem ser desativadas e os controles parentais podem ser instalados para ajudar a evitar que as crianças visualizem conteúdo impróprio;

Faça uso de recursos, como mudo, bloqueio e relatório – isso os protegerá de muitos conteúdos nocivos;

Nunca compartilhe informações pessoais, como números de telefone, endereços, etc, com pessoas que você não conhece;