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Quem é Sergio Rial, o executivo que escancarou as contas da Americanas

***ARQUIVO*** SÃO PAULO/ SP, BRASIL, 02-12-2019: Sérgio  Rial, presidente do Santander no Almoço de Confraternização dos Dirigentes de Bancos..   (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO/ SP, BRASIL, 02-12-2019: Sérgio Rial, presidente do Santander no Almoço de Confraternização dos Dirigentes de Bancos.. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O carioca Sergio Rial, 62, é conhecido no meio executivo por fazer do marketing pessoal seu cartão de visitas. Segundo fontes do mercado corporativo ouvidas pela reportagem, em um meio em que as vaidades são muito afloradas, ele consegue um diferencial: adotar atitudes "espalhafatosas", independentemente dos resultados.

A vontade de chamar a atenção de maneira diferente apareceu quando era presidente do Santander Brasil, cargo que manteve entre 2016 e 2022. Hoje, é presidente do conselho do banco. Em 2017, por exemplo, Rial mergulhou com tubarões no AquaRio, aquário marinho do Rio de Janeiro, patrocinado pelo banco.

Também em 2017, ele deslizou por uma corda de rapel em direção ao palco montado no Allianz Parque, em São Paulo, vestido de vermelho, a cor do Santander, em encontro anual com funcionários do banco, ao som de "Missão Impossível". Naquele ano, o Santander celebrava a marca de R$ 10 bilhões em lucro.

Não por acaso, ele foi apontado como o CEO mais bem pago do Brasil em 2021, em lista divulgada pela revista Forbes. No ano, ele ganhou R$ 59 milhões, alta de 26% sobre o ano anterior, de acordo com a publicação.

Em entrevistas, Rial disse que a figura de "showman" serve para motivar a equipe. O que funciona, na maioria das vezes. Uma executiva com cerca de dez anos de Santander disse à reportagem que ele foi o melhor presidente que o banco já teve e conseguia elevar o ânimo da equipe a outro patamar.

A cobrança, porém, também existe: durante a maior parte da pandemia, os executivos e gerentes de banco tinham que trabalhar de forma presencial.

Além de nadar com tubarões e descer de rapel, Rial já promoveu reuniões com a equipe em que conversava com um holograma seu no futuro, e se vestiu como um piloto de Fórmula 1.

Rial é formado em direito pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e tem especialização em economia pela Universidade Gama Filho.

Em 1984 iniciou sua trajetória no mundo financeiro, entrando para o antigo ABN Amro (mais tarde comprado pelo Santander). Na instituição, chegou ao cargo de diretor. Depois de duas décadas no banco holandês, foi em 2002 para o extinto banco de investimentos americano Bear Stearns.

Em 2004, a saída do mercado financeiro: Rial foi contratado pela multinacional de alimentos Minnesota Cargill, onde ficou até 2012, chegando ao cargo de vice-presidente executivo e diretor de finanças.

No final de 2012, outra mudança dentro da área alimentícia: ele se tornou presidente da divisão Seara Foods, braço da Seara Alimentos. No ano de 2014, foi chamado mais uma vez a chefiar uma gigante do setor de alimentos: a Marfrig, onde ocupou a presidência por um ano.

Voltou ao mercado financeiro pelo Santander. Também esteve à frente da CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras), é membro do conselho da Delta Airlines e vice-presidente do conselho da BRF.

Em agosto do ano passado, quando seu nome foi anunciado como presidente da Americanas, a varejista chegou a ganhar R$ 2 bilhões em valor de mercado e seus papéis subiram cerca de 20%.

EXECUTIVO MANDOU CARTA A FUNCIONÁRIOS: 'PREPAREMO-NOS PARA UMA BOA LUTA'

O mercado foi pego de surpresa nesta quarta-feira (11), quando ele afirmou que estava deixando a empresa, com apenas dez dias de trabalho, por identificar "inconsistências" no balanço da companhia no montante de R$ 20 bilhões.

Às 13h15 desta quinta, a ação da Americanas valia R$ 1,50, o que representa uma queda de 87,5% em relação aos R$ 12 do fechamento do mercado na véspera.

Em carta enviada a funcionários, a quem Rial chamou de "Nação Americanas", o executivo comenta que "poderá haver um ajuste importante na estrutura patrimonial da empresa", devido a "uma série de lançamentos contábeis inconsistentes", que "não só dizem respeito ao ano de 2022, mas há vários anos passados também".

Rial diz que a empresa, porém, "já demonstra sinais claros de retomada de vendas", com alta de 15% nas vendas mesmas lojas (as inauguradas há mais de um ano), quando comparado com janeiro de 2022.

O executivo diz que está deixando a empresa e que João Guerra, ex-executivo de RH e tecnologia do grupo, assume como interino. Rial afirma que Guerra, "juntamente com a liderança da empresa em diversas frentes, seguirá focando no dia a dia da cia. e, com ajuda de todos vocês, a construção do nosso futuro".

"Eu seguirei apoiando a outra esteira, focada na restruturação da situação patrimonial da empresa, apoiando os nossos acionistas de referência, aí como assessor", afirmou, fazendo referência ao trio de bilionários do 3G –Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, principais acionistas da Americanas.

Segundo informou, o caixa da companhia é "sólido", de mais de R$ 8 bilhões e a empresa seguirá pagando os fornecedores e "todas as nossas obrigações" dentro do prazo.

"Não faltarão aqueles que queiram maldizer, gerando dúvidas sobre o nosso futuro. É verdade que o impacto possa ser importante", disse ele, ressaltando, porém, que o grupo deve ficar focado "na construção de um grande trimestre em 23", para garantir os próximos trimestres.

"Em varejo, um dia de cada vez", afirmou. "Mãos à obra e preparemo-nos para uma boa luta."