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Quem é Bloodshot? Conheça o anti-herói da nova adaptação de HQs com Vin Diesel

Claudio Yuge

Vin Diesel estreia nesta semana no Brasil uma nova adaptação de quadrinhos, que desta vez não virá do Marvel Studios ou da DC Films. Bloodshot é baseado no personagem de mesmo nome da editora Valiant, que tem uma pequena, mas importante fatia do mercado norte-americano de super-heróis. A trama envolve um cara durão que vira uma máquina de matar biotecnológica super-humana a partir de injeção de melhorias via nanotecnologia.

Como Bloodshot não é muito conhecido por aí, o Canaltech explica quem ele é para você assistir ao filme por dentro de sua história.

Bem, tudo começou no início dos anos 90, um período de pouca criatividade editorial e muitos músculos no mercado norte-americano de quadrinhos. Assim, como todas as histórias dessa década, o anti-herói protagonizava tramas que pareciam saídas de filmes de ação oitentistas — ou seja, sem muito cérebro, mas com muito tiroteio e pancadaria, o que, diga-se de passagem, encaixa-se perfeitamente com o perfil dos filmes de Vin Diesel.

Bloodshot foi criado em 1992 por Kevin VanHook, Don Perlin e Bob Layton, que era um artista em alta na época e participou de uma das melhores tramas do Homem de Ferro, o arco Guerra das Armaduras. Layton fundou a Valiant com Jim Shooter, ex-editor-chefe da Marvel Comics. A origem do personagem, portanto, tem uma clara influência de outros heróis de onde trabalhavam, a exemplo do Capitão América, Wolverine e Justiceiro — com um toque de Frankenstein, de Mary Shelley. Sua primeira aparição foi em outra revista da Valiant, Rai #0, e sua popularidade o alavancou a um título mensal próprio.

Imagem: Reprodução/Valiant Comics

A versão original narra a trajetória de Angelo Mortalli, mafioso que sofre experimentos após ser traído pela família Carboni. Ele recebe quase 1 bilhão de microscópicos robôs no projeto japonês chamado de Project Rising Spirit, uma divisão sem muitas preocupações éticas que nasceu na Segunda Guerra Mundial com o objetivo de gerar supersoldados. O protagonista se torna um espião assassino imbatível, com poderes de regeneração, capacidade de usar sistemas eletrônicos apenas com o toque e até camuflagem, tornando-se virtualmente invisível. Ele também conta com muitas habilidades de combate e uso de armas de fogo.

Origem revisada em 1996

Quando a Valiant começou a se tornar mais relevante, com personagens como Ninjak, Magnus, X-O Manowar e Harbinger, o estúdio de games Acclaim comprou a editora e decidiu mexer um pouco no passado de Bloodshot para torná-lo mais “comercialmente viável” em um jogo lançado nos Estados Unidos — afinal, ter uma franquia com referências aos ianques, em vez dos japoneses, teria mais apelo aos consumidores.

Assim, em 1996 o Project Rising Spirit virou uma divisão secreta estadunidense chamada de Domestic Operations Authority. As tramas mostraram que o personagem, na verdade, tinha implantes de memória, então sua identidade transitava entre Mortalli e outras pessoas, como Michael Lazarus e Raymond Garrison.

Imagem: Reprodução/Valiant Comics

Essa “brincadeira” com a vida do personagem o deixa transtornado, em busca de vingança contra os responsáveis pela sua criação. Para piorar, Bloodshot ficou sabendo que o Project Spirit Rising tinha objetivos, digamos, pouco dignos, como tentar aumentar influência internacional perante governos na base da força. O cientista Emmanuel Kuretich entra na trama, revelando que o anti-herói teria sido criado para capturar crianças que nasceram com habilidades especiais, os chamados psiônicos.

Como Kuretich planeja também se vingar de seus empregadores, ele ajuda o combatente a desbloquear suas memórias. A intenção é, claro, usar o exército de um homem só chamado Bloodshot para eliminar os responsáveis por sua transformação.

Versão “otimizada” nos anos 2010

A Acclaim fechou as portas em 2004, o que deixou os direitos de Bloodshot novamente livres para negociação. A Valiant se tornou Valiant Entertainment, disposta multiplicar suas propriedades em outras mídias e, assim como outras editoras menores, a exemplo da Image Comics, passou a construir um universo mais coeso, com seus personagens interagindo em eventos semelhantes aos da Marvel Comics e DC Comics.

Assim, em 2012, Bloodshot sofreu um reboot, com o crossover chamado Summer of Valiant, que também revisou todos seus heróis mais populares, a exemplo de X-O Manowar e Harbinger, reunindo-os contra um inimigo em comum. A manobra foi um sucesso e somente a primeira edição de X-O Manowar dessa nova safra vendeu mais 42 mil exemplares na pré-venda da distribuidora Diamond. Além disso, as mudanças na diretoria ajudaram os títulos a serem comercializados em plataformas digitais.

Imagem: Reprodução/Valiant Comics

Nessa nova era, Bloodshot virou uma mescla de suas histórias anteriores, mas com foco nas memórias de Ray Garrison. A grande diferença em relação ao início com Mortalli é que o background se tornou mais complexo e o Project Rising Spirit ganhou objetivos mais nobres, como identificar e destruir ameaças terroristas.

Finalmente, a adaptação com Vin Diesel

Em janeiro de 2018, a Valiant Entertainment teve suas cotas completamente adquiridas pela DMG Entertainment, que detia 57% da empresa. A intenção da companhia era bem clara: aumentar a receita capitalizando com minisséries e coletâneas, especialmente para vender os arcos para possíveis adaptações para o cinema — afinal, o Marvel Studios tinha se tornado uma fábrica de hits bilionários nas telonas.

O projeto para uma adaptação para os cinemas existia desde 2012, quando Jared Leto era cogitado para viver o protagonista, a partir da negociação com a Columbia Pictures. O desenvolvimento demorou bastante para sair do papel e, no final de 2017, o ator já não era o preferido dos executivos. Assim, em março de 2018, a Sony Pictures, que também é dona da Columbia e em 2015 havia assumido os trabalhos para esse longa, selecionou Vin Diesel para a produção.

Imagem: Reprodução/Sony Pictures

Bloodshot deve atualizar toda a origem, com referências a tecnologias atualmente disponíveis, e tem uma premissa semelhante, mas com o toque de vingança com foco no assassinato de Garrison e de sua esposa — bem aos moldes do Justiceiro. E aí é que começa a trajetória de Bloodshot para promover um banho de sangue para destruir a conspiração que o criou.

Fonte: Canaltech

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