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Queiroz levava vida “confortável e ativa” com cerveja e churrasco, diz MP

André Guilherme Vieira

Ex-assessor de Flávio foi preso em imóvel de advogado da família Bolsonaro em Atibaia (SP) Queiroz faz churrasco na casa de Wassef, em Atibaia (SP)

Reprodução

O ex-policial militar acusado de ser operador financeiro do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz, levava uma vida “confortável e ativa” e, apesar de dizer que não podia se deslocar para depor porque se tratava de um câncer, aparentava estar “bastante saudável, chegando a ingerir bebidas alcoólicas e comer churrasco”, de acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ).

As afirmações estão no pedido de prisão preventiva de Queiroz. Dados extraídos do telefone celular da mulher dele, Márcia Oliveira de Aguiar, permitiram aos investigadores localizar o paradeiro do ex-assessor e amigo da família Bolsonaro, detido na quinta-feira em um imóvel de Frederick Wassef, advogado de Flávio e Jair Bolsonaro, em Atibaia (SP).

Fotografias e mensagens de texto do celular de Márcia mostram Queiroz fazendo churrascos, preparando alimentos e consumindo bebidas alcoólicas.

Em uma mensagem de áudio, ele conta à mulher que fez um churrasco para assistir a um jogo de futebol na companhia do filho e de amigas dele. “Felipe arrumou umas amiguinhas aqui. Nós então fizemos um churrasquinho aqui. Umas garotinhas bacaninhas e vimos o Cruzeiro ser rebaixado... O Cruzeiro ser rebaixado tomando uma [cerveja] Corona aqui com limãozinho... Muito bom!”

Policiais realizam operação em imóvel de Atibaia (SP)

Divulgação/ Polícia Civil de São Paulo

Uma caderneta apreendida durante ação de busca na casa de Márcia, no Rio de Janeiro, comprova, segundo o MP-RJ, que a mulher de Queiroz “recebeu pelo menos R$ 174 mil em espécie, de origem desconhecida e pagou despesas do hospital com dinheiro vivo”. O hospital é o Albert Einstein, em São Paulo, onde Queiroz se internou para tratamento de um câncer.

A caderneta traz anotações com exames, consultas, cirurgias, oncologia e despesas hospitalares, totalizando R$ 174 mil. Na casa de Márcia, também foram encontrados recibos do hospital.

Plano de ajuda na prisão

Ainda de acordo com o MP-RJ, a 27ª Vara Criminal Estadual do Rio de Janeiro proibiu Queiroz de cumprir prisão preventiva no Batalhão Especial Prisional (BEP) da Polícia Militar do Estado porque ele tinha um plano para receber ajuda na unidade prisional.

Na caderneta apreendida na casa de Márcia, havia contatos de Queiroz com informações sobre pessoas que supostamente poderiam ajudá-lo caso ficasse preso no BEP. Conforme as anotações, a ajuda viria de uma amiga da mãe do miliciano Adriano Nóbrega, morto em fevereiro.

Ao decretar a prisão preventiva de Queiroz, o juiz Flávio Itabaiana foi categórico: “Encaminhe o referido investigado para outra unidade prisional compatível com a sua segurança e o rigor da medida preventiva, preferencialmente no Complexo de Gerocinó, em Bangu, vedando em qualquer hipótese sua custódia no Batalhão Especial Prisional”.