Mercado fechará em 6 h 42 min
  • BOVESPA

    100.552,44
    +12,61 (+0,01%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    38.669,25
    +467,44 (+1,22%)
     
  • PETROLEO CRU

    40,29
    +0,26 (+0,65%)
     
  • OURO

    1.914,70
    -14,80 (-0,77%)
     
  • BTC-USD

    12.923,36
    +1.866,35 (+16,88%)
     
  • CMC Crypto 200

    260,37
    +15,48 (+6,32%)
     
  • S&P500

    3.435,56
    -7,56 (-0,22%)
     
  • DOW JONES

    28.210,82
    -97,97 (-0,35%)
     
  • FTSE

    5.787,00
    +10,50 (+0,18%)
     
  • HANG SENG

    24.786,13
    +31,71 (+0,13%)
     
  • NIKKEI

    23.474,27
    -165,19 (-0,70%)
     
  • NASDAQ

    11.685,00
    -6,25 (-0,05%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,6354
    -0,0146 (-0,22%)
     

Queimadas no Pantanal: como a tecnologia pode combater o fogo

Matheus Mans
·5 minutos de leitura
(Foto: Buda Mendes/Getty Images)
(Foto: Buda Mendes/Getty Images)

Ao longo das últimas semanas, o Pantanal está em chamas. São quase 6,8 mil focos de incêndio apenas durante o mês de setembro, fazendo o bioma viver o pior mês desde 1998. Para efeito de comparação, a área queimada equivale a três Distritos Federais inteiros. Agora, startups, universidades e institutos ao redor de todo o País estão focados em desenvolver inovações para ajudar no combate ao fogo.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Finanças no Google News

“O Inpe evoluiu muito nos últimos anos e está cada vez com mais dados para serem analisados”, explica o pesquisador e consultor Bernardo Souza Pereira. “No entanto, a sensação que eu e colegas temos é que essa informação ainda tem dificuldade de ser escoada de maneira exponencial. Não adianta coletar toda essa montanha de dados e não usar de alguma forma. É preciso de mais tecnologias para fazer isso avançar.”

Dados e inteligência artificial

Um dos principais pontos destacados por especialistas está na tecnologia de análise de informações e inteligência artificial. Sistemas robustos, com muitas informações de sensores, clima, vento e até mesmo detalhes sobre a vegetação e os animais de determinada região, podem ajudar antes, durante e até depois do incêndio.

Leia também

Na Universidade Federal de Minas Gerais, por exemplo, foi desenvolvido um software pelo Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) com foco nas queimadas. Com essa tecnologia, que mistura sensores e inteligência artificial, é possível prever como o fogo vai se comportar, se será intenso e até mesmo a previsão de duração. O software é totalmente gratuito e está em desenvolvimento contínuo há cerca de três anos.

“A ferramenta já é utilizada para a escolha de locais para se fazer aceiros negros. Ou seja: áreas queimadas previamente para bloquear o avanço do fogo, protegendo, assim, as áreas de mata ou de cerrado fechado”, explica o Ubirajara Oliveira, do Instituto de Geociências (IGC) da UFMG, um dos pesquisadores responsáveis pelo software.

Satélites como sistema de prevenção

Na Austrália, um programa parecido está alguns passos à frente. Com o nome de FROST, um software leva em consideração a vegetação, o histórico de clima e cria suposições em cima de possibilidades. E se cair uma fagulha nessa região? E se matéria seca no solo de incendiar com o calor?

Drones sobrevoando as áreas constantemente também ajudam a compreender quais árvores existem em cada região e, até mesmo, ter detalhes mais apurados sobre onde animais e espécies vivem. Em caso de uma queimada no futuro, o sistema pode ajudar bombeiros e brigadistas a compreender onde colocar os animais resgatados.

Na Califórnia, nos Estados Unidos, a Flareless utilizou imagens de satélite com características locais para antecipar áreas de risco com até 15 dias de antecedência.

Em fevereiro, as queimadas devastaram mais de 20 mil hectares de vegetação na Austrália (Foto: AP Photo/Rick Rycroft)
Em fevereiro, as queimadas devastaram mais de 20 mil hectares de vegetação na Austrália (Foto: AP Photo/Rick Rycroft)

Outras empresas, enquanto isso, possuem sistemas robustos de sensores que podem ajudar a detectar problemas de solo ou de clima. É o caso Smart Agri, do engenheiro Marcos Ferraz. Ele percebeu que havia uma grande demanda por automatização no controle de plantações e criou uma inteligência artificial que analisam imagens de drones e dá indicações de plantio de acordo com condições de clima e solo.

“Temos muitos agricultores que estão colocando sensores para detectar fumaça ou coisas do tipo em plantações de cana, por exemplo, que sofrem bastante com a queimada”, afirma o empreendedor. “No entanto, no caso do Pantanal e da Floresta Amazônica, é preciso ter iniciativa governamental. Afinal, é preciso manter um padrão na qualidade dos sensores para ser feita essa análise de dados. Sem isso, não tem como aplicarmos inovação”.

Leandro Mattos, empreendedor e membro da Singularity University Brasil, destaca também a importância de vencer um desafio para tornar esses dados mais rápidos, atualizados e urgentes: a infraestrutura. “Temos dificuldade de conexão em florestas e áreas afastadas. Isso dificulta a obtenção de dados”, ressalta o especialista. “Mas acredito que quando tivermos o poder da conexão, teremos uma grande abertura de portas de inovação aqui”.

Comunidade: a melhor defesa

Outro ponto importante no desenvolvimento de tecnologias contra queimadas é o senso comunitário ao redor do incêndio, que acaba com o desenvolvimento social, econômico e até cultural da região.

É o caso da startup Security Care, que focou em desenvolver uma solução para queimadas. Com o nome de Brasil + Seguro, a tecnologia serve como um sistema de comunicação global focado em queimadas e integrado ao governo. Caso alguém veja uma queimada ilegal sendo praticada por agricultores, pode denunciar pelo aplicativo. E, caso esteja em uma área de risco, o sistema também emite um alerta para evitar perda de vidas.

Outro ponto de destaque são os drones. Além de trazer informações rapidamente, eles podem ajudar após o incêndio. “Existem tecnologias de plantio por drones. A sementes são jogadas já prontas para germinar em áreas de queimadas”, explica Leandro Mattos, empreendedor e membro da Singularity University Brasil. “Isso é algo que tem ainda mais espaço para crescer. Não é por ter degradado que esquecemos. É preciso virar esse jogo.”

Os especialistas destacam novamente que o governo precisa fomentar a tecnologia cada vez mais. “Nos últimos anos, a tecnologia agrícola evoluiu muito. Seja de sensores, drones ou big data”, comenta um professor e pesquisador da área, que preferiu não ser identificado pela reportagem. “No entanto, o governo brasileiro só fechou os olhos. Estão quase fazendo dança da chuva para resolver a questão e ignoram a inovação.”

Mattos destaca que tecnologias de ponta podem ser essenciais no futuro, evitando catástrofes e facilitando o acesso nas grandes dimensões de florestas do Brasil. “Não adianta trazer tecnologia de fora. A Amazônia tem o tamanho de alguns países da Europa”, destaca. “A robótica de última geração pode ser solução a longo prazo. Já evoluímos bastante, muita coisa bonita sendo feita. Mas precisamos de mais e precisamos de agora.”

Assine agora a newsletter Yahoo em 3 Minutos

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube