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Queda no preço dos alimentos contribui para deflação de 0,04% em setembro

DIEGO GARCIA
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 09.03.2018: Supermercado da região oeste de São Paulo. (Foto: Kevin David/ A7 Press/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O mês de setembro registrou deflação de 0,04% no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). É o menor resultado para este mês desde 1998, divulgou nesta quarta-feira (9) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O principal fator que contribuiu para a deflação foi o grupo alimentação e bebidas (-0,43%), de acordo com o IBGE. O item caiu pelo segundo mês seguido e viu a alimentação no domicílio ter queda de 0,70% nos preços.

O tomate (-16,17%), a batata-inglesa (-8,42%), a cebola (-9,89%) e as frutas (-1,79%) foram registros que contribuíram para a variação negativa.

Dez dos 16 locais pesquisados pelo IBGE registraram deflação em setembro. O principal deles foi São Luís, com -0,22%, principalmente devido à queda da energia elétrica, que chegou a -6,97%.

Goiânia, por sua vez, teve a maior variação positiva: 0,41%. De acordo com o IBGE, a inflação na capital de Goiás se deu por causa da alta no preço da gasolina, que chegou a 2,80%.

No acumulado de 2019, o IPCA chegou a 2,49%.

Nos últimos 12 meses, ficou em 2,89%. Essa também foi a primeira deflação desde novembro do ano passado, quando o país registrou -0,21%.

O recuo no preço dos alimentos já havia refletido no registro de agosto, segundo o gerente do IPCA, Pedro Kislanov. "Já tinha apresentado queda de -0,35%, que se intensificou para -0,43%", disse.

Na ocasião, tomate (-24,49%), batata inglesa (-9,11%), e verduras e hortaliças (-6,53%) tiveram significativas reduções nos preços. "Alimentação no domicílio, que caiu pelo quinto mês consecutivo”, afirmou Pedro Kislanov.

Outro fator que contribuiu para a deflação foram os preços dos eletrodomésticos e equipamentos, com redução de -2,26%. Assim, o item artigos de residência (-0,76%) contribuiu com -0,03 pontos percentuais no índice do mês.

Outro grupo que apresentou deflação foi comunicação, com -0,01%. Já a energia elétrica, que tem grande peso no item habitação e tinha aumentado 3,85% em agosto, por conta da mudança da bandeira de amarela para vermelha patamar 1, permaneceu estável em setembro.

Transportes também demonstrou estabilidade, com aumento nos combustíveis de 0,12%, puxado pelas altas no óleo diesel (2,56%) e etanol (0,46%), indo em sentido contrário à ligeira queda na gasolina (0,04%).

Julia Passabom, economista do Itaú que analisa indicadores de inflação, viu com bons olhos a deflação divulgada pelo IBGE.

"Foi abaixo do que esperávamos. Tínhamos uma previsão alta de 0,01%, mas a inflação para baixo é uma surpresa boa e com essa composição melhor ainda. Parte da surpresa que tivemos foram de itens que compõe o núcleo da inflação, como setores de serviços e industriais, que rodam tranquilos", afirmou.

Ela analisou os números com base em movimentos de oscilações dos núcleos da inflação. "A parte de núcleos veio tranquila. Alimentação, combustíveis e energia elétrica, esses sempre elevam a inflação e causam oscilações. No começo do ano, a inflação estava pressionada por alimentos, como o feijão, agora nas leituras observamos a volta dessas oscilações, pois são itens voláteis. Eles pesam melhor a tendência da inflação", disse Passabom.

Luca Klein, analista da 4E Consultoria responsável pela inflação, também fez a análise com base nos dados dos núcleos. "A média anualizada dos núcleos desacelerou pelo segundo mês consecutivo (1,11% ante 2,96%). No acumulado em 12 meses, a média dos núcleos marcou 3,18%, mantendo a tendência de desaceleração observada desde abril (3,95%). Na mesma métrica, chama atenção a desaceleração dos itens administrados, que ficou em 2,87% e marcou o menor valor desde janeiro de 2014 (2,13%)", disse.

Com a deflação de setembro, tanto Klein quanto Passabom revisam a projeção da inflação para o fim do ano. O primeiro apontou que, pela análise da 4E, o número final de 2019 foi revisado de 3,9% para 3,6%. Já o Itaú, que tinha previsão de 3,4%, vai rever a posição. "Com a leitura de hoje e as nossas transições para os próximos meses, temos previsão de baixa", apontou Passabom.

"Desta forma, o ano de 2020 também foi revisado, porém com a tendência de uma recuperação da atividade econômica mais robusta em conjunto aos maiores estímulos monetários, a inflação do ano deve ser maior do que a do ano vigente, estimamos 4,4% ante 4,6%", acrescentou Luca Klein.