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Queda nas commodities pode ser o primeiro sinal de desaceleração global

*Arquivo* BRASÍLIA, DF, 15.05.2020 - Colheita de Milho na zona rural de Planaltina. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*Arquivo* BRASÍLIA, DF, 15.05.2020 - Colheita de Milho na zona rural de Planaltina. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As quedas recentes nos preços das commodities ligaram um sinal amarelo de risco de desaceleração mundial, com os investidores cada vez mais atentos aos sintomas de uma crise global e sem nem descartar uma recessão.

Os preços futuros da soja têm sido negociados abaixo de US$ 15, perto de níveis do começo do ano e cerca de 18% abaixo do pico de junho.

O minério de ferro está bem abaixo do nível de antes do início da Guerra da Ucrânia, em 20 de fevereiro.

Os preços futuros de milho, por sua vez, caíram para US$ 5,88 por bushel (o equivalente a 27,2 kg), o menor patamar em seis meses, depois que o relatório semanal do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontou para uma estabilidade da safra norte-americana.

O desempenho do minério de ferro reflete as perspectivas mais pessimistas para a economia chinesa nos próximos meses. Já no segundo semestre, o PIB (Produto Interno Bruto) do país apontou uma forte desaceleração, com aumento de apenas 0,4% em relação a um ano antes --abaixo das expectativas de crescimento de 1%, segundo a agência Reuters, e vindo de 4,8% no primeiro trimestre.

Os analistas não esperam uma rápida recuperação, mesmo que grande parte das restrições tenha sido suspensa. Com a política de "Covid Zero" mantida pelo governo chinês e a piora das perspectivas econômicas globais, o mercado imobiliário do país entrou em queda, o que afeta o desempenho das commodities ligadas à construção. Os metais caíram de 10% a 40% desde maio.

"De um lado, temos um cenário de desaceleração da economia mundial, que se observa principalmente nas commodities minerais e metálicas, que acompanham o crescimento da construção civil de países importantes, como a China. O comportamento do cobre também sempre ajuda a apontar para um cenário de desaceleração, e isso também se reflete no mercado de petróleo", diz Felippe Serigati, da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Ele lembra que um crescimento mundial mais tímido significa uma menor demanda por petróleo.

"Ninguém está falando de uma volta do petróleo aos US$ 70 por barril, mas pode ficar abaixo de US$ 100, quando as estimativas anteriores apontavam para algo acima de US$ 130. Quando se coloca em perspectiva, o mundo que está perdendo fôlego e demanda menos commodities."

De acordo com o site de análises de investimentos Tranding Economics, o petróleo Brent recuperou terreno nos últimos dias, perto do nível de US$ 107 por barril, em meio a um dólar mais fraco e preocupações persistentes com a oferta.

"A curto prazo, é improvável que as lacunas de oferta sejam preenchidas pela produção extra da Opep+ [cartel dos países produtores]. Mantêm-se uma 'tampa' sobre os preços, enquanto aumentam as preocupações com uma recessão, impulsionadas por aumentos agressivos nos juros em todo o mundo."

Ele ressalta que a economia global enfrenta uma inflação elevada ao menos desde o início da pandemia. A hipótese inicial dos governos, de que a alta de preços ficaria pressionada por pouco tempo, se mostrou equivocada e, para segurar a inflação, o principal instrumento é a elevação da taxa de juros.

"O mundo cresce menos, os juros estão subindo. O investidor para e pensa: o que estou fazendo investindo em commodities e em economias emergentes? Com taxas de juros maiores, vou investir em títulos públicos nos Estados Unidos", diz Serigati.

Pesquisa do Bank of America, publicada na terça-feira (19), apontou que os investidores estão mais pessimistas em relação aos ativos brasileiros, citando fatores externos como os principais riscos, mas também preocupados com o cenário fiscal do país e atentos à eleição presidencial.

Enquanto isso, após a inflação nos Estados Unidos renovar a maior alta em quatro décadas, os mercados passaram a apostar que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) promoverá uma alta de juros ainda mais agressiva do que a esperada.

Em reportagem recente, a revista The Economist apontou que o aumento dos juros tem esfriado o mercado imobiliário, enfraquecido a demanda por cobre e madeira e reduzido o consumo de bens --de eletrodomésticos a automóveis--, e isso também prejudica o mercado de zinco e alumínio.

Depois da guerra e dos efeitos do conflito nos preços dos fertilizantes, o mercado de commodities agrícolas entrou em um momento de transição. "Saímos de um cenário crítico de oferta para uma leitura pessimista de demanda", diz Leonardo Alencar, da XP.

"Nenhum dos cenários é 100% verdadeiro, estamos em uma dinâmica em que a produção de alimentos precisa continuar crescendo, e o Brasil é importante nisso."

Ele ressalta que essa volatilidade pode ser negativa para o futuro, limitando o crescimento de produção pela piora nas margens. "É um cenário que preocupa e que pode afetar os próximos anos."

Já Victor Nehmi, fundador da Sparta e gestor de commodities, pondera que a expectativa de desaceleração até agora não se traduziu em recessão. "Há um burburinho, porque as commodities tinham subido muito, mas por enquanto os estoques de grãos e petróleo estão baixos no mundo, também pelas sanções impostas à Rússia", diz.

"Os produtores brasileiros acabam se preocupando menos com uma queda brusca dos preços por uma questão de oferta. Mesmo que a Ucrânia volte a exportar grãos, esse retorno levará tempo para acontecer. O fator que ainda preocupa e que pode levar a um quadro de escassez de grãos é a menor oferta de fertilizantes no mercado", complementa.

"O mercado já se preparava para uma correção de preços do ativo. Ele já esperava que os picos de petróleo e minério de ferro não iriam se manter no futuro. No caso das commodities agrícolas, esse movimento de correção também já estava precificado, e já vemos os produtores preocupados em como se dará esse desaquecimento global", diz Felipe Paletta, sócio e analista da Monett.

"A inflação nos Estados Unidos e uma possibilidade de recessão preocupam, ainda que a China tenha capacidade de revitalizar a economia, pois ela depende de um cenário global. Estão todos atentos ao movimento que o Fed irá fazer e como isso pode prejudicar a atividade econômica", complementa.

Apesar do cenário ainda nebuloso, Serigatti, da FGV, afirma que o mercado de commodities agrícolas deve mostrar resiliência nos próximos meses.

"O mundo está de olho nos grãos do Brasil, ainda não compramos todos os insumos de produção e há bastante espaço para manter preços."

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