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Queda nas ações coloca S&P 500 a caminho do pior mês de setembro desde 2011

·3 minutos de leitura

O avanço da pandemia, as incertezas políticas nos EUA e a leniência de instituições financeiras com casos de lavagem de dinheiro afastaram os investidores de ativos de risco Um acúmulo de fatores negativos freou o apetite dos agentes financeiros globais por ativos de risco nesta segunda-feira (21), impondo mais um fechamento negativo às ações em Nova York. Com a queda diária, o S&P 500 ampliou suas perdas em setembro a 6,26%, caminhando para encerrar sua maior desvalorização para o mês desde 2011, quando teve queda de 7,18%. O avanço contínuo da pandemia de covid-19 em diversas regiões do mundo, além de incertezas políticas nos Estados Unidos e reportagens que apontaram a leniência de grandes instituições financeiras ao redor do mundo com casos de lavagem de dinheiro e outras práticas ilícitas afastaram os investidores de ativos de risco hoje. No fim do dia, no entanto, a recuperação nas ações da Apple (+3,03%) e da Microsoft (+1,07%) ajudaram os índices a moderar as perdas. Na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), o Dow Jones terminou o dia em queda de 1,84%, aos 27.147,70 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 1,16%, aos 3.281,06 pontos. O índice eletrônico Nasdaq cedeu 0,13%, fechando o pregão aos 10.778,80 pontos. A queda colocou o S&P 500 próximo do território de correção — uma baixa de 10% em relação a um pico recente. No dia 2 de setembro, o índice fechou aos 3.580,84 pontos, registrando desvalorização de 8,37% desde então. A tensão dos investidores também ficou refletida no índice de volatilidade do S&P 500, conhecido como o "termômetro do medo de Wall Street", que chegou a disparar 20%, superando os 31 pontos nas máximas intradiárias. Ao fim do dia, o VIX moderou os ganhos e encerrou a sessão em alta de 7,55%, aos 27,78 pontos. Em meio ao crescimento de casos de covid-19 na Europa, os agentes financeiros temem que uma nova rodada de restrições à atividade possa pesar sobre a retomada econômica do continente. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, disse, hoje, que ele e autoridades locais vão propor novas medidas para conter a disseminação do novo coronavírus. Pubs na Inglaterra podem estar sujeitos a fechamentos antecipados para combater infecções crescentes, enquanto alguns bares e restaurantes em áreas afetadas podem ser fechados completamente, de acordo com uma matéria do jornal "The Sun". Ao mesmo tempo, autoridades locais de Madri ordenaram o bloqueio de algumas áreas da capital espanhola. “Permanece uma enorme incerteza”, disse John Kaprich, diretor de investimentos da Aware Asset Management, referindo-se ao aumento no número de casos covid-19 na Europa. “Os números não parecem tão otimistas quanto antes”, afirmou. Destaques DA perspectiva de novos bloqueios abateu as ações de empresas aéreas nesta segunda-feira. O fundo de índice (ETF) U.S. Global Jets, que reúne companhias do segmento, fechou em queda de 6,39%. As ações da United Airlines, American Airlines e da Delta Airlines caíram 8,60%, 7,43% e 9,20%, respectivamente. Outro setor fortemente atingido no pregão de hoje foi o financeiro, que recuou 2,49% dentro do S&P 500. A queda veio após o site de notícias americano BuzzFeed News e o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos terem divulgado milhares de documentos que indicam que cerca de US$ 2 trilhões em recursos ilícitos foram movidos através do sistema financeiro dos EUA ao longo de duas décadas. Os papéis do J.P. Morgan Chase recuaram 3,10%, do Bank of New York Mellon perderam 4,04%, do Bank of America caíram 2,94%, do Wells Fargo cederam 4,34% e do Citigroup fecharam em queda de 2,07%. Outra preocupação dos agentes financeiros é o ambiente político aquecido dos EUA, diante das eleições gerais de novembro, o que poderia atrasar ainda mais a ajuda fiscal adicional por parte dos congressistas em Washington. “Com um mercado de ações esticado, não é surpreendente ver uma retração”, disse John Kaprich, diretor de investimentos da Aware Asset Management, ao MarketWatch. “Passamos de grandes baixas ao normal, não em anos, mas em meses”, afirmou.