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Queda do desemprego deve perder fôlego no Brasil em 2023, estima OIT

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mãos segurando uma carteira de trabalho. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019 - Still de mãos segurando uma carteira de trabalho. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma desaceleração significativa do crescimento da economia deve ocorrer no Brasil neste ano, o que deve levar a uma perda de fôlego na queda do desemprego, aponta relatório publicado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Após um desempenho relativamente forte no primeiro semestre de 2022, o PIB (Produto Interno Bruto) desacelerou com o enfraquecimento dos preços das commodities e a deterioração das condições financeiras globais.

A análise faz parte do relatório anual "Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo - Tendências 2023".

A expectativa é de que a taxa de desemprego fique em torno de 9% em 2023. Em 2021, a taxa média de desemprego foi de 13,2%, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e de 13,8% em 2020.

Com as incertezas em relação à inflação, que assusta o consumidor e persiste desde a pandemia, o crescimento deve começar a desacelerar nos países em 2023.

O mais recente Boletim Focus, do Banco Central, apontou uma previsão mais baixa para o PIB deste ano, de crescimento de 0,77% (ante 0,78% na semana anterior). Para 2024, a perspectiva é de crescimento de 1,5%.

A OIT também destaca que a criação de postos formais de trabalho teve uma recuperação na América Latina, mas que os ganhos reais de salário dos trabalhadores estancaram.

"Já em junho de 2022, em países da região (como Argentina, Brasil, Colômbia, México, Paraguai e Uruguai) o emprego formal estava maior do que em junho de 2020 [nos primeiros meses da pandemia no país]."

Nos últimos dois anos, o aumento do trabalho com carteira assinada foi particularmente forte no Brasil, de 8%, aponta a entidade. "Ao longo de 2022, no entanto, os ganhos reais travaram, dado o horizonte de incerteza. As empresas optaram por ajustar sua força de trabalho, aumentando o número de horas, em lugar de contratar mais."

A OIT projeta que o emprego aumente apenas 1% neste ano, em comparação com 2022. Já o número de pessoas sem emprego no mundo deve ficar em 208,2 milhões em 2023 -no ano passado, eram 205,2 milhões.

Para mulheres e trabalhadores mais jovens, os efeitos da pandemia no mercado de trabalho foram mais pesados. Globalmente, a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho foi de 47,4% em 2022, em comparação com a de 72,3% dos homens --isso significa que, para cada homem economicamente inativo, existem duas mulheres nessa situação.

Os jovens (de 15 a 24 anos) enfrentam uma taxa de desemprego três vezes maior que a da população adulta. Além disso, 23,5% dos jovens não estudam, não trabalham e nem estão em treinamento (nem-nem).

Os especialistas também têm chamado atenção para a queda de remuneração média dos trabalhadores após a pandemia -as pessoas estão conseguindo voltar ao mercado, mas ganhando menos.

A organização também apontou um total de 2 bilhões de trabalhadores informais no mundo no ano passado, 214 milhões de trabalhadores em situação de extrema pobreza (contando com menos de US$ 1,90 ou R$ 9,65 por pessoa por dia) e apenas 47% da população conta com algum tipo de cobertura social.

O diretor geral da OIT, Gilbert Houngbo, destaca também que até o fim de 2022 a recuperação dos países após a pandemia de Covid-19 ainda estava incompleta e que diversos deles também seguiam sendo afetados pela guerra da Ucrânia.

"Os avanços no mercado de trabalho ainda estão lentos demais, insuficientes para preencher as lacunas deixadas pela pandemia. A dificuldade de acesso a empregos de qualidade, os salários insuficientes e a desigualdade são alguns dos principais desafios", acrescenta.

Segundo o diretor, a OIT irá promover uma campanha para a criação de uma coligação global para promover justiça social e criar políticas que preparem para o futuro do trabalho.