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Queda da lira turca atinge pobres em reduto eleitoral de Erdogan

·3 min de leitura

(Bloomberg) -- O descontentamento nas rodovias que conectam a humilde cidade natal do líder da Turquia e seus luxuosos aposentos no palácio presidencial de Ancara envia um alerta para Recep Tayyip Erdogan.

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Produtores de chá, pescadores, pequenos varejistas, funcionários de cafeterias e atendentes de postos de gasolina - entre as classes tipicamente com baixos salários que formaram a base de apoio de Erdogan durante suas duas décadas no comando da política da Turquia - estão perdendo a esperança no partido do governo diante do aumento dos custos de vida.

Uma jornada de 800 quilômetros neste mês ao longo da costa do Mar Negro na Turquia e pelo interior do país, de eleitorado conservador, mostrou o nível dessa desesperança. Como a oposição controla as principais cidades, Erdogan e seu partido AKP devem manter os tradicionais redutos para permanecer no poder nas eleições de 2023.

O presidente turco e aliados têm 18 meses para reconquistar eleitores desiludidos e indecisos como Sahap Kardesler.

Saindo de um açougue em Iyidere, o aposentado de 66 anos usou o cartão de crédito para comprar carne suficiente para vários meses. “Talvez eu não consiga pagar depois”, explicou. “Nem sei qual será o preço em uma hora.”

Com a popularidade em queda diante das dificuldades trazidas pela pandemia, Erdogan submeteu a Turquia a um experimento econômico de alto risco. Ele se apoiou no banco central para reduzir os juros em busca de maiores investimentos e melhores empregos, e criticou o poder das finanças globais.

É a sua versão do caminho para a expansão econômica impulsionada pelas exportações, seguido no passado por alguns países da Ásia. No entanto, por enquanto, a divergência do presidente da política econômica ortodoxa está empobrecendo a população. A lira turca se desvalorizou mais de 50% neste ano e a inflação disparou.

Em sua pequena casa de chá em Iyidere, Selahattin Mete recorre à perspicácia para os negócios para acusar o presidente de ingênuo.

“Você não pode dizer: ‘Não aceito taxas de juros’, quando sua economia está profundamente conectada ao resto do mundo”, disse. Ainda leal a Erdogan, Mete, de 51 anos, está farto do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de raízes islâmicas.

“No início, eram como nós, pessoas comuns. Agora vivem no luxo.”

É uma reclamação frequente no que deveriam ser redutos eleitorais do AKP.

Iyidere fica na província de Rize, onde o pai de Erdogan viveu até se mudar para trabalhar em Istambul e onde o presidente turco passou parte da infância.

Essa conexão impede que muitos critiquem diretamente Erdogan que, primeiro como primeiro-ministro e, desde 2018 como presidente com amplos poderes executivos, ganhou apoio construindo rodovias, hospitais e portos - incluindo um em construção nos arredores de Iyidere - para reativar províncias com economia frágil. Mais de 800 pares de tesouras presidenciais usadas para cortar fitas de cerimônias de inauguração estão em exposição em Ancara.

Mas membros do partido do presidente são acusados de clientelismo e estilos de vida extravagantes que os afastaram dos eleitores.

O banco central da Turquia interveio nos mercados de câmbio novamente na sexta-feira para frear a queda da lira, depois que a moeda atingiu 17 por dólar.

Erdogan culpa a inflação galopante, que atingiu 21,3% na taxa anual em novembro, pela aceleração dos preços globais e especuladores locais e buscou garantir aos eleitores que seu governo não os abandonará. “Ao implementar nosso novo programa econômico, apoiamos todos os segmentos com pacotes de apoio que serão necessários”, disse a políticos do AKP. Na quinta-feira, anunciou aumento de 50% do salário mínimo para o ano que vem.

Nem todo mundo está ouvindo. Uma pesquisa de novembro realizada pela Metropoll mostrou o apoio ao AKP em 26%, com exeção dos eleitores indecisos, o menor nível em 20 anos de história do partido. Essa parcela cai para 21% entre o segmento da sociedade com rendimentos mais baixos.

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