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Bitcoin despenca mais uma vez. Ainda faz sentido falar nele?

Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Nas últimas duas semanas, o mercado tomou um susto com a pandemia de coronavírus: bolsas caíram, moedas desvalorizaram, economias entraram em colapso. No meio disso tudo, o que surpreendeu foi o comportamento do bitcoin: a criptomoeda, considerada “independente” dos principais humores do mercado, sofreu a maior queda da sua história.

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Na primeira semana de crise do coronavírus, o bitcoin caiu mais de 35% em um dia e chegou a 50% de desvalorização na semana. Assim, a cotação da criptomoeda caiu para menos de US$ 5 mil, o que era considerado um patamar de referência mínima — o chamado “piso”. Outras moedas virtuais, como ethereum e litecoin, também sofreram fortes quedas.

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Depois disso, o bitcoin conseguiu se recuperar levemente, com um crescimento de 30% na última semana — ainda que não tenha voltado ao patamar anterior ao da atual crise.

“É difícil entender, no geral, esse comportamento do bitcoin. Geralmente, ele não acompanha o mercado nessas oscilações”, afirma Cléber Trindade, analista de mercado de mineração e criptomoedas. “Não acho que essa situação coloca todo o mercado em ‘quarentena’, mas deve fazer todos pensarem, refletirem melhor sobre as criptomoedas”.

O que aconteceu com o bitcoin?

Apesar da dificuldade de especialistas em entender completamente a crise que afetou o mercado de bitcoins durante as primeiras notícias da pandemia de Covid-19, empreendedores deste setor arriscam motivos. A preocupação de investidores com outros fundos e ativos, principalmente, deve ter gerado um efeito cascata nos criptoativos.

“O efeito manada de todos os mercados globais acabou impactando também o mercado de criptomoedas”, disse Daniel Coquieri, COO da BitcoinTrade. “Muitos investidores venderam suas criptomoedas para cobrir quedas de outros mercados ou também para se precaver de um cenário pior com a pandemia. É momento de bastante cautela com relação aos preços”.

Além disso, há impactos na mineração. “Para as pequenas e médias operações, certamente há impacto nos ganhos”, afirma o CEO da consultoria Fastblock, Bernardo Schucman. “Há impacto no contingente de pessoas trabalhando local nos data centers. O trabalho presencial é fundamental para garantir a segurança na mineração. É requisito número um”.

Futuro

Com a forte oscilação no mercado de bitcoin, fica a dúvida: como as criptomoedas vão se comportar com a crise que desenha no cenário global? Ficarão no patamar de sempre?

“A crise claramente já está entre nós e o bitcoin está se mostrando resiliente e respondendo bem”, disse João Canhada, CEO da corretora Foxbit. “A única coisa que não ocorreu como o esperado foi uma rápida valorização nessa situação de stress do mercado. Mas o ano não acabou. Vamos acompanhar com atenção. Continuo confiante no potencial do bitcoin”.

Já Trindade, analista de mercado de criptomoedas, fica com um pé atrás com o futuro. “Em um momento em que ameaçamos entrar na pior crise da história, investidores precisam pensar bem, analisar friamente o mercado”, disse. “Não acho que o bitcoin vá sofrer. É um ativo seguro. Mas duvido que vá se manter em alta como antes. A crise chega pra todos”.

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