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Queda de avião: Gol vai entregar ao Cenipa conversa entre comandante de um Boeing e piloto de bimotor que caiu entre Rio e São Paulo

·4 min de leitura

A empresa aérea Gol informou que vai entregar ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) a conversa entre um comandante de um Boeing — que sobrevoava próximo — e o piloto Gustavo Calçado Carneiro, de 27 anos, que conduzia o bimotor modelo PA-34-220T e prefixo PP-WRS, que caiu em alto-mar há uma semana. Foi o profissional do Boeing que explicou para o comandante do avião de pequeno porte como ele deveria proceder no momento da queda. Carneiro pediu socorro por rádio quando notou que o aparelho que comandava teve uma pane. A gravação poderá ajudar a identificar o que causou a queda.

Na conversa, o piloto do Boeing teria listado os protocolos a serem seguidos pelo piloto. Na manhã desta quarta-feira, a empresa afirmou que “estará à disposição das autoridades competentes”, caso seja solicitada a gravação do diálogo. No bimotor, também estavam o copiloto José Porfírio de Brito Júnior, de 20, e o empresário Sérgio Alves Dias Filho, de 45.

O equipamento caiu em alto-mar entre Ubatuba (SP) e Paraty (RJ), após decolar do Aeroporto de Campinas em direção ao Aeroporto de Jacarepaguá. Nesta terça-feira, o pai do copiloto, o também José Porfírio de Brito, de 60, afirmou que uma aeronave da Gol recebeu o alerta no rádio de comunicação e o seu comandante explicou como o piloto do bimotor deveria proceder no momento da avaria. Ainda de acordo com o pai de José Porfírio, foi o comandante da empresa aérea quem informou sobre o acidente à torre de controle aéreo de Curitiba (PR). Em seguida, ele diz ter recebido a localização do acidente. Ele lembrou que, após receber as coordenadas da queda, seguiu para o local e encontrou destroços da aeronave e muito combustível.

Foi nesse local que os militares da Força Aérea Brasileira (FAB) encontraram uma poltrona e outros objetos que eles acreditam ser dar aeronave. Nesta quarta-feira, completa uma semana que o avião desapareceu.

A Gol não quis dar detalhes da rota que o Boeing fazia e como foi a conversa entre os profissionais. A empresa salientou que, como o Cenipa apura o caso, “por esse motivo não vai comentar”. O Boeing tem caixa preta e registrou o diálogo. Procurado, o Cenipa não informou se recebeu o áudio.

Segundo o pai do copiloto, o comandante da Gol teria tido pedido ajuda aos controladores de voo de Curitiba ajuda para que o bimotor fosse resgatado. Aos profissionais, o comandante do avião de grande porte destacou que o piloto Gustavo Carneiro havia dito que o bimotor teve uma pane nos dois motores e que a tripulação estava caindo em alto-mar. Então, ele teria sido orientado a procurar a costa e destravar as portas, para que as entradas não travassem com o choque da queda.

— Como eles são novos, eles não têm muita experiência em pousar na água. O comandante do Boeing deu todas as dicas de como ele deveriam proceder e, em seguida, avisou à torre de Curitiba — disse José ao GLOBO nesTa terça-feira.

Na última quinta, a FAB encontrou o corpo de Gustavo na costa de Paraty. Nesta quarta-feira, o Corpo de Bombeiros do Rio e parentes do copiloto continuam as buscas pelos dois desaparecidos.

Na manhã desta quarta, quando completa uma semana de desaparecimento, a empresária Ana Regina Agostinho, mãe do copiloto, postou uma conversa que teve com o filho. Nela, o rapaz pede para a mãe fazer uma comida para ele. Ana fala que fez frango. Logo em seguida José pede à mãe que faça arroz, carne moída e purê. Em cima do dialogo, Ana escreveu: “A sua mamãezinha vai fazer muita comida para você, meu filho”.

Também nas redes sociais, a universitária Thalya Ares Viana, namorada do copiloto postou fotos ao seu lado e escreveu: “Logo logo você volta e vamos comer hambúrguer, vamos fazer nossas fofocas e rir de coisas retardadas”. Ela também usou as redes sociais para pedir ajuda nas buscas, aderindo ao movimento #AchemoAvião, uma das hashtags mais populares no Twitter.

Nesta segunda, o Corpo de Bombeiros do Rio informou que pedirá ao Governo Federal um sonar para vasculhar o mar entre São Paulo e Rio. Os militares acreditam que o equipamento esteja intacto no fundo do mar.

Com ajuda de moradores e cães farejadores, os pais de José Porfírio estão vasculhando ilhas de Paraty e Ilha Grande. Ao GLOBO, a mãe do rapaz disse que “tem certeza que o filho está vivo”.

— Eu acredito que o meu filho está vivo. Sinto isso no coração de mãe — disse ela.

Em nota, a FAB disse que já percorreu uma área de mais de 4.100 quilômetros quadrados do litoral em busca das vítimas.

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