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Que critérios a NASA deve usar para escolher a primeira mulher a pisar na Lua?

Danielle Cassita
·4 minutos de leitura

Em 2024, a NASA deverá levar a primeira mulher e o próximo homem à Lua por meio do programa Artemis. Segundo profissionais familiarizados com os critérios e operações da agência espacial, experiência, carisma e exposições prévias à radiação do espaço são algumas características que serão consideradas na hora de escolher a primeira mulher que irá fazer história ao andar em nosso satélite natural.

Jim Bridenstine, administrador da NASA, destaca também que esta mulher será uma astronauta experiente que já voou em missões espaciais. Por enquanto, dez astronautas estão dentro deste critério e outras dez podem entrar nele em breve. Entretanto, não basta apenas experiência: a NASA também vai buscar astronautas que tenham desempenho satisfatório em missões de alta complexidade e capacidade de conexão com o público.

Entre algumas das possíveis candidatas para missões na Lua, estão as astronautas Christina Koch, de 41 anos, e Jessica Meir, de 43 anos, que se destacaram pela primeira caminhada espacial feita por apenas mulheres na Estação Espacial Internacional (ISS). Koch foi também aquela que quebrou um recorde de permanência no espaço e ficou lá por 328 dias, mais tempo que qualquer outra mulher da agência. Ainda, elas tiveram um bom desempenho e demonstraram que conseguem trabalhar juntas em situações de alta pressão mesmo sob os holofotes da mídia. “A NASA monitora a sinergia entre os astronautas nas equipes e como eles colaboram”, diz Nancy Vermeulen, astrofísica, piloto e fundadora da Space Training Academy.

Para a seleção, a NASA irá identificar um número — ainda não divulgado — de astronautas do programa Artemis para treinar outros, para estabelecer os requisitos de voos para a Lua e em torno dela. “Este grupo de elite vai incluir alguns dos homens e mulheres que vão voar nas primeiras missões Artemis, e vamos trazer mais membros à equipe no futuro”, disse Bridenstine.

Uma decisão complexa e criteriosa

Existem mais três mulheres que já realizaram mais de uma missão e poderiam lidar o caminho: Sunita Williams, de 54 anos, já passou mais de 300 dias no espaço durante duas missões e irá voar a bordo da cápsula Starliner, da Boeing, em 2021, se for aprovada no teste final de voo não tripulado em dezembro. Já Tracy Caldwell Dyson, de 51 anos, voou em uma missão em 2007, na qual adicionou equipamentos e estruturas à ISS, e passou 174 dias na lá em 2010 como engenheira de voo. Por fim, Stephanie Wilson, de 53 anos, já realizou três missões espaciais para levar equipamentos e suprimentos ao laboratório.

É possível que a NASA dê preferência às candidatas que mostrem uma boa conexão com o público. "A NASA quer inspirar as pessoas a se envolverem e seguirem os passos dos astronautas", diz Brian C. Odom, historiador da NASA. Já Virginia Wotring, cientista da Universidade Espacial Internacional na França, acredita que a exposição à radiação será um critério mais importante do que a idade delas: é possível que a agência desqualifique astronautas com alto risco de câncer com base em medidas de seus dosímetros individuais que medem a radiação.

Na Apollo 11, Neil Armstrong foi escolhido por ser piloto de testes e engenheiro (Imagem: Reprodução/NASA)
Na Apollo 11, Neil Armstrong foi escolhido por ser piloto de testes e engenheiro (Imagem: Reprodução/NASA)

Independentemente daquela que for escolhida, é certo que a NASA fará a seleção de forma cuidadosa, principalmente por se tratar de uma missão histórica: “levar a primeira mulher para a Lua será quase tão importante quanto repetir o pouso pela primeira vez desde 1972”, diz Serena Aunon-Chancellor, astronauta aposentada. Além disso, a agência espacial também deverá considerar uma nova geração de estadunidenses que ainda não haviam nascido quando o primeiro homem andou na Lua.

Kathryn Sullivan, astronauta aposentada e a primeira mulher estadunidense a realizar um spacewalk em 1984, ressalta que a NASA sabe bem que levar a primeira mulher à Lua irá transformá-la em um ícone e modelo de uma forma diferente do que ocorre com a maioria dos astronautas. Chancellor espera que as jovens em todo o mundo observem estes eventos acontecerem e não hesitem em começar a traçar seus próprios caminhos na exploração espacial; afinal, esta primeira mulher será um ícone para garotas, mulheres e toda a sociedade por muitos anos, permanecendo para sempre nas páginas da história por este feito.

Fonte: Canaltech

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