"Quatro Filhas" mistura documentário e ficção para retratar mãe tunisiana

Diretora Kaouther Ben Hania e Olfa Hamrouni posam para fotógrafos no festival de Cannes

Por Miranda Murray

CANNES (Reuters) - A diretora tunisiana Kaouther Ben Hania mistura ficção e documentário para capturar a história de Olfa Hamrouni, cujas filhas mais velhas partiram para lutar pelo Estado Islâmico em "Quatro Filhas", sua primeira participação no prêmio principal do Festival de Cinema de Cannes.

A única participação árabe na competição segue Hamrouni, que chamou a atenção internacional em 2016 por criticar as autoridades tunisianas por falharem em impedir que uma de suas filhas fugisse para a Líbia para se juntar à irmã na luta pelo grupo militante islâmico.

"Observar mais profundamente as contradições, as sensações, as emoções requer um tempo que os jornalistas não têm. É papel do cinema explorar essas áreas, essas ambiguidades do espírito humano", disse Ben Hania em um comunicado à imprensa.

Para o filme, Ben Hania queria mostrar as complexidades de Hamrouni, mas percebeu que ela cairia na batida narrativa da mãe cheia de culpa sempre que a câmera fosse ligada.

"Olfa foi condicionada por jornalistas", disse Ben Hania.

A diretora contornou esse condicionamento dizendo a Hamrouni que estava contratando a conhecida atriz tunisiana Hind Sabri para retratá-la em um filme, e que Hamrouni teria que prepará-la.

Ben Hania também contratou atrizes para interpretar as filhas desaparecidas.

"Ao fazer perguntas sobre detalhes específicos e suas motivações, Hind Sabri permite que Olfa reflita sobre seu passado sem condescendência", disse Ben Hania. "Se Olfa tivesse ficado sozinha comigo, ela teria contado a mesma história."

(Reportagem de Miranda Murray)