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Quase um ano após alta, 60% dos pacientes ainda apresentam sintomas da Covid-19

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO - Pesquisadores do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP descobriram que 60% dos pacientes que estiveram internados com Covid-19 até agosto do ano passado apresentam sintomas como falta de ar, fadiga e fraqueza por um longo período após a alta médica. Os efeitos da doença persistem num período de seis a 11 meses após a internação.

Os resultados — ainda preliminares e que devem ser publicados em revista científica — são fruto de questionários aos quais 750 pacientes, homens e mulheres, na média dos 65 anos de idade, foram submetidos pela instituição dentro de uma grande pesquisa multidisciplinar. O grupo esteve internado no hospital, na capital paulista, em leitos de UTI ou enfermaria até agosto de 2020. A maioria, porém, precisou de cuidados de terapia intensiva.

Um braço inicial desse estudo deve ser finalizado e encaminhado para publicação no próximo mês. O trabalho foi desenhado para avaliar todos os pacientes ao longo de quatro anos em 15 áreas da medicina. Em todos os departamentos científicos analisados — a exemplo de cardiologia, nefrologia e neurologia — há indicativos de que o coronavírus seja responsável por malefícios por períodos superiores ao tempo agudo da doença, durante a internação.

— Tínhamos a hipótese (inicial) de que a doença fosse restrita ao sistema respiratório, aos pulmões. Depois, fomos vendo que, com a disseminação do vírus na corrente sanguínea, era possível ter reflexo desde as meninges (na cabeça) até a circulação das pernas — diz o coordenador do trabalho, Carlos Carvalho, diretor da UTI respiratória do Instituto do Coração (InCor), do HC.

Carvalho explica que há progressão positiva no quadro de saúde dos pacientes. Mas, apesar da melhora, é possível caracterizar a Covid-19 como uma doença de duração estendida.

Entre os achados preliminares também foi detectado que, em um terço dos pacientes estudados, houve complicações respiratórias quase um ano após a internação. Outra descoberta é que as queixas de saúde duradouras costumam ser mais frequentes em indivíduos que apresentaram casos agravados da infecção e que precisaram, por exemplo, de internações mais longas.

— É a primeira vez que vemos uma doença com essa extensão e tantas formas de acometimento — diz Carvalho.

O estudo é formulado como se fosse um grande check-up dos pacientes envolvidos. Inicialmente, eles são submetidos a teleconsultas em que relatam seu quadro geral de saúde, depois passam por exames específicos que medem, por exemplo, a capacidade pulmonar e cardíaca. No atual momento, esses diagnósticos estão em análise para que seja possível mapear como se dá o desenvolvimento da Covid-19 meses após a alta hospitalar.

Agora, o grupo de pesquisadores se organiza para o recrutamento de um novo grupo com cerca de 200 pessoas internadas ao longo de abril e julho deste ano. A ideia é determinar se a variante Gamma, inicialmente identificada em Manaus e agora predominante no Brasil, tem manifestação diferenciada quando são levados em conta os efeitos após a internação

Nesta população, haverá o estudo de prevalência de disfunção erétil e infertilidade, no público masculino. A inclusão se deu após a detecção do coronavírus na área dos testículos de pacientes que morreram de Covid.

Estudos internacionais também apresentam indicativos do que pode ser a Covid-19 de longa duração e seus efeitos para a saúde. Uma análise recente publicada no periódico científico “EClinicalMedicine”, ligado ao grupo “The Lancet”, relatou 203 sintomas da Covid-19 em dez órgãos do corpo. Desses, 66 permaneceram por sete meses.

Desordens cognitivas

O estudo considerou respostas de 3.762 participantes em 56 países. Aproximadamente 91% deles precisaram de oito meses para se recuperar. Nesta análise, os sintomas mais comuns foram fadiga, mal-estar pós-esforço e desordens cognitivas.

A grande preocupação dos especialistas diante deste cenário é a pressão que esses pacientes devem impor ao sistema de saúde em pouco tempo. Embora a Covid-19 tenha recentemente aliviado seu impacto sobre as UTIs brasileiras, esses estudos indicam que é possível um novo abalo sobre os sistemas hospitalares capitaneado por ex-infectados relatando problemas de ordem física desencadeados pela Covid-19.

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