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Quase todos poços de gás de xisto dos EUA agora dão prejuízo

Rachel Adams-Heard e Kevin Crowley

(Bloomberg) -- Produtores de gás de xisto dos Estados Unidos já tinham um problema de rentabilidade. Agora, a situação está muito pior.

Com um só golpe, a guerra da Arábia Saudita e Rússia por participação de mercado tirou a rentabilidade de quase toda a operação de gás de xisto nos EUA. Apenas cinco empresas em duas áreas do país têm custos de equilíbrio inferiores à cotação atual do petróleo, segundo dados compilados pela Rystad Energy, consultoria com sede em Oslo.

Poços perfurados pela Exxon Mobil, Occidental Petroleum, Chevron e Crownquest Operating na Bacia do Permiano, que se estende do oeste do Texas ao sudeste do Novo México, podem gerar lucro a US$ 31 o barril, segundo dados da Rystad. Os poços da Occidental na Bacia DJ do Colorado também dão lucro nesse preço, o nível de fechamento do petróleo na segunda-feira.

Mas esse não é o caso para o restante da indústria de gás de xisto, que conta com mais de 100 operadoras em uma dúzia de campos. Para essas empresas, a perfuração de novos poços quase certamente vai significar ficar no vermelho.

Os projetos de gás de xisto são elogiados pela capacidade de permitir uma rápida expansão ou redução. Mas, como a produção desses poços diminui muito mais rapidamente do que nos campos tradicionais, as empresas precisam perfurar mais apenas para manter a produção estável. Isso resultou em baixos retornos para investidores, uma das principais razões pelas quais petróleo e gás representam menos de 4% do índice S&P 500.

Neste ponto, “as empresas não devem queimar capital para manter a base de produção em um nível insustentável”, disse Tom Loughrey, ex-gestor de hedge fund que fundou a própria empresa de dados de gás de xisto, a Friezo Loughrey Oil Well Partners. “É uma produção que oscila, e isso significa que será preciso diminuir.”

Produtoras como Diamondback Energy e Parsley Energy disseram que pretendem reduzir orçamentos de perfuração e fechar plataformas. Outras, como Apache e Occidental, indicaram que vão controlar atividade.

“O que não estão dizendo é que vão suspender a atividade”, disse Loughrey.

Em sua opinião, um poço típico na sub-bacia do Permiano, em Midland, requer que o barril de petróleo seja cotado a US$ 68 para que investidores obtenham retorno adequado em 24 meses.

A BloombergNEF espera que os produtores deixem de usar custos de equilíbrio que descartam despesas gerais e outras necessárias à medida que investidores mudem o foco para o fluxo de caixa.

“No mínimo, precisarão acrescentar custos de juros ao cálculo”, disse a BloombergNEF em relatório. Isso significa que o nível de rentabilidade para a maioria dos novos poços aumentará para US$ 50 o barril “em um futuro não muito distante”, segundo o relatório, acima dos US$ 45 no passado.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Rachel Adams-Heard Houston, radamsheard@bloomberg.net;Kevin Crowley em Johannesburg, kcrowley1@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Simon Casey, scasey4@bloomberg.net, Anne Reifenberg, Joe Carroll

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