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Quarenta anos da marca de acessórios com DNA carioca

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Em 1981, o carioca Ari Svartsnaider fundou a Mr. Cat com pouca grana e uma determinação do tamanho do mundo. Calcada em quatro pilares — conforto, design, qualidade e preço justo —, a marca representou uma virada de chave no modo de consumo do público masculino daquela época. “Ele era surfista, tinha o maior cabelão, e adorava a linha masculina. A Mr. Cat fez com que os homens ganhassem a chance de ter uma etiqueta de acessórios contemporâneos só para eles, o que não existia até então. O mercado ficou menos careta”, analisa em retrospecto a editora de moda Iesa Rodrigues, que cita como produtos icônicos o sapatênis e o mocassim de miçangas feminino. Quatro décadas depois, a rede de calçados, que foi adquirida em março de 2019 pelo fundo americano HIG Capital, segue afinada com os valores com os quais se consagrou. “A gente honra a camisa”, declara o diretor criativo da etiqueta, Maxime Perelmuter.

Completar 40 anos é mesmo motivo de festa, principalmente em um mercado volátil como a moda. “No Brasil, é sinônimo de muita perseverança”, analisa Maxime. No caso da Mr. Cat, os números corroboram esse sucesso: são 200 lojas no país, presença em 26 estados brasileiros e produção anual de 1,5 milhão de calçados. A memória afetiva também atravessa famílias e gerações: o famoso patinho da logomarca e o emblemático saquinho amarelo — que costuma sair das lojas direto para a praia — causam identificação imediata entre o público feminino e masculino.

Para reverenciar o passado e caminhar a passos largos em direção ao futuro, a Mr. Cat aposta em duas edições especiais de aniversário: uma delas é sustentável, feita a partir de materiais reciclados; a outra revisita os sapatos-ícone da história da marca, como o mocassim feminino de miçangas, o top sider confort e o tênis flat em couro branco. “Colocamos luz nos clássicos acrescentando a tecnologia atual”, explica Maxime. O designer conta que, ao mergulhar na herança da Mr. Cat, deparou-se com o próprio passado. “Nunca vou me esquecer da polo que ganhei no meu bar mitzvah. Fui à loja e troquei por uma mochila de lona que me acompanhou por muitas viagens e por um top sider incrível.”

Atento aos movimentos ao redor, o diretor criativo também avança em busca de acessórios que sejam mais sustentáveis, materializados no Project 81. “Criei uma linha 100% ecológica. Os modelos vêm com solas de EVA biodegradáveis, as palmilhas são de biolátex, cadarços, lonas e borrachas, reciclados. Até a cola é à base de água”, destaca. Já as espadrilles, outro hit, têm juta vegetal no lugar do solado de cordas. “A sustentabilidade é um caminho longo que deve ser percorrido o quanto antes”, acredita Maxime.

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