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Quanto tempo o corpo aguenta ficar sem dormir? O que a privação do sono te faz?

Fidel Forato

Quem nunca virou uma noite sem dormir que compartilhe primeiro esta matéria. Afinal, acontece de passarmos uma madrugada trabalhando para entregar uma apresentação dentro do prazo, que foi deixada para última hora, ou ainda por problemas de saúde, como uma febre alta. É claro que também deixamos de dormir porque não percebemos a hora passar, enquanto ficamos no Instagram, curtimos uma festa ou ainda resolvemos simplesmente maratonar uma nova temporada. Mas qual é o limite do nosso corpo para a privação do sono?

Depois de 11 dias e 25 minutos sem dormir nos anos 60, americano Randy Gardner bateu o recorde mundial da privação do sono, segundo o Guinness Book of Records. Depois dele, mais algumas pessoas tentaram quebrar seu estado de vigília, mas a categoria deixou de certificar tentativas desse tipo, por serem consideradas muito perigosas para a saúde.

Sobre esse recorde, o autor do livro The Sleep Solution, W. Christopher Winter, aponta razões para ser cético em relação ao registro: isso porque "os investigadores admitem livremente que ele estava tendo quase 'micro-dormências' constantes [breves períodos de sono que duram apenas alguns segundos] durante o experimento."

A falta de sono afeta diretamente as pessoas e promove alto grau de irritação 

Mesmo que se consiga passar dias seguidos sem dormir, isso não é bom para seu corpo e muito menos para sua saúde mental. No ano de 1959, Peter Tripp, um apresentador de rádio, decidiu transmitir seu programa direto da Times Square, por 201 horas seguidas (ou um pouco mais de 8 dias), em busca de fundos para uma instituição infantil.

No terceiro dia, Tripp começou a ter comportamentos agressivos, como xingar as pessoas ao seu redor e ter alucinações com aranhas. Mesmo tendo completado "bem" o desafio, seus familiares alegam que ele nunca mais foi o mesmo.

Até hoje, muitas histórias circulam pela Internet com pessoas que afirmam dormir uma única hora por noite, por exemplo. Para o pesquisador Winter, esses relatos são no mínimo imprecisos: "Muitas pessoas pensam que não estão dormindo e não acreditam nos médicos que dizem que estão." Mesmo que esses indivíduos acreditem que estão acordados, eles dormem sem saber, nem que seja por poucos minutos.

Para comprovaresses relatos, seria preciso testar essas pessoas com métodos mais científicos, como a polissonografia, que por meio de toda uma aparelhagem composta por eletrodos e computadores, consegue identificar a hora exata que o cérebro descansa e a pessoa dorme. Este é um dos exames mais populares para medir a qualidade do sono. De maneira não invasiva, ele monitora atividades muscular, respiratória e cerebral do corpo humano, através de diferentes sensores.

Quanto tempo devemos dormir?

Como passar longos períodos sem dormir é praticamente impossível, o que acontece geralmente é a má qualidade desse "descanso", isso sem contar nas reais dificuldades de pessoas que não conseguem ter uma boa noite de sono, por causa de problemas de saúde ou psicológicos, como ansiedade e tensão.

Para se ter um dia saudável, o corpo demanda um determinado período de sono regular e só assim ele consegue desempenhar suas funções fisiológicas fundamentais, como a reparação de músculos e tecidos, a consolidação de memórias e ainda a síntese hormonal. Nesse aspecto, a National Sleep Foundation, fundada em 1990 por especialistas do sono, traz algumas recomendações sobre as horas necessárias para uma pessoa dormir diariamente.

Noites mal dormidas diminuem a capacidade de cognição e memória

Dividida por faixa etária, a média de sono para o desenvolvimento em adolescentes (de 14 a 17 anos) é de 8 a 10 horas por noite, o que significa um pouco mais de um terço do dia. Já em jovens adultos e adultos, esse parâmetro diminui um pouco, chegando a ser de 7 a 9 horas diárias. Em adultos mais velhos, aqueles que passaram dos 65 anos, a recomendação é de 7 a 8 horas destinadas exclusivamente para dormir.

Mas afinal, por que precisamos dormir?

Mesmo que o sono não supere a água e a comida nas necessidades físicas fundamentais para o bom funcionamento do organismo, é essencial e não podemos viver sem ele. É como um computador que passa muitos dias ligado, uma hora alguém terá que reinicializar o equipamento, antes que aconteça uma pane.

Em um estudo sobre a privação do sono em humanos, pesquisadores da Universidade de Chicago acompanharam estudantes que dormiram apenas quatro horas à noite, por seis dias consecutivos. Os voluntários desenvolveram pressão arterial mais alta, além de níveis mais altos do hormônio do estresse, o cortisol, e produziram apenas metade do número esperado de anticorpos para uma vacina contra a gripe. Também mostraram resistência a insulina.

Por sorte, todas essas alterações foram revertidas quando os alunos encerraram o experimento e passaram a dormir mais tempo por noite. O teste dos pesquisadores de Chicago ajuda a explicar por que a privação do sono aumenta os riscos de obesidade, doenças cardíacas, diabetes e derrames. Além disso dormir excessivamente pouco afeta a memória, a cognição (o que diminui a capacidade de aprendizado) e o tempo de reação.

Por causa dos limites éticos que envolvem testes em seres humanos, os cientistas não sabem precisar o tempo necessário para privação de sono dar aquele famoso "tilt" nas pessoas. Os principais estudos, que elevam ao extremo essa situação, foram desenvolvidos com ratos, que após uma ou duas semanas de testes, tiverem perdas significativas das funções imunológicas — inclusive levando alguns deles ao óbito por infecções.

Confira 5 dicas tech para te ajudar a dormir

Para ajudar e garantir que ninguém chegue aos extremos do que a privação do sono pode causar, listamos alguns aplicativos e ferramentas que podem auxiliar no processo de relaxamento, antes de dormir.

  • Despertador inteligente: o app Sleep Time usa um algoritmo avançado para determinar as fases do seu sono e só dispara seu alarme no momento mais apropriado, em um intervalo pré-determinado. A ideia é que o usuário possa se sentir mais descansado, após uma noite de sono. O aplicativo pode ser baixado tanto na versão Android quanto iOS.
  • Luzes inteligentes: são bastante úteis para momentos de relaxamento. Além dos efeitos coloridos, essas luzes contêm uma variedade de diferentes tons de branco, que podem imitar o pôr do sol à noite, diminuindo gradualmente à medida que você adormece. Em outra função, oferecem uma rotina de despertar que aumenta gradualmente sua intensidade, conforme se aproxima do horário para acordar.
  • Sites como o Calm.com: para quem tem dificuldades na hora de dormir, o Calm traz uma série de áudios gratuitos e que podem auxiliar também na hora de meditar. Ao acessar plataforma online, o usuário preenche alguns questionários sobre seus hábitos diários, que auxiliam na personalização do serviço.
  • Wearables com monitoramento de sono, como o Fitbit Versa 2: a indicação do smartwatch é para te ajudar entender melhor sua rotina de sono e procurar soluções para sua insônia. O aparelho da Fitbit usa o acelerômetro e monitor de frequência cardíaca para estimar o tempo em que o usuário passa nos estágios de sono leve, profundo e REM. Inclusive, fornece uma pontuação geral do sono ao acordar.
  • Apps como o Sleepo: a ideia do aplicativo para relaxamento é que o usuário "componha" sua trilha, como um DJ que pode escolher entre uma lista de sons tranquilizantes, como chuvas, trovões, grilos ou conversa ambiente, sem precisar de conexão com internet. Cada uma dessas opções pode ter seu volume controlado, além disso o serviço oferece função de timer. Está disponível gratuitamente para Android.
  • Playlists relaxantes: vários serviços de streaming de música e até o próprio YouTube contam com playlists voltadas para quem quer se acalmar e pegar no sono — o que vai desde áudio ASMR até sons da natureza ou ruído branco. Basta dar uma pesquisada e encontrar o que você gostar mais.

Fonte: Canaltech

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