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Quando vamos responsabilizar os clubes pela (não) formação dos atletas brasileiros?

Alma Preta
·3 minutos de leitura
Neymar e Robinho são dois vencedores pelo Santos e pela seleção brasileira com uma série de acusações graves extra-campo; a responsabilidade das ações de atletas como eles também deveria ser compartilhada com os clubes
Neymar e Robinho são dois vencedores pelo Santos e pela seleção brasileira com uma série de acusações graves extra-campo; a responsabilidade das ações de atletas como eles também deveria ser compartilhada com os clubes

Texto: Pedro Borges

Sou um jovem negro, criado na zona norte da cidade de São Paulo. O meu primeiro sonho, assim como da maioria dos meus amigos, era ser jogador de futebol. Sonhava em transformar em ofício aquilo que todos os dias amava fazer, seja nas ruas, quadras, ou campos de futebol da região.

Em um dado momento, passei a fazer testes em clubes de futebol e fui aprovado para as categorias de base da Portuguesa, o que é um grande feito. A Lusa é um dos grandes celeiros de craques do país.

A alegria, contudo, logo se tornou decepção. Os horários de treino e a distância do CT impossibilitavam que eu continuasse a estudar. Era tudo ou nada, em um universo onde a chance do nada é centenas de vezes maior do que a do tudo.

Posso afirmar sem medo de errar que empresários e clubes de futebol não estão nem aí para você. São milhares e milhares de meninos buscando o sonho todos os dias. Por isso, é normal presenciar situações de humilhação, assédio, e mesmo racismo contra estes.

Enquanto isso, nós sonhamos e treinamos por uma vida melhor e pelo dito “sucesso”. A ideia de “vencer na vida” é aquela pregada pela sociedade diariamente, de que um homem negro bem sucedido precisa ter um carro de luxo, uma mansão, relacionar-se com uma mulher branca e loira, ao mesmo tempo ter a possibilidade de trair e extrapolar todos os limites.

Mal sabemos, inclusive, quem somos, na dimensão social e racial dentro do cenário de um país como o Brasil. A maioria sabe sim de onde veio e que são jovens negros, mas às vezes deixamos passar o peso e a responsabilidade que temos por conta disso.

Hoje, por conta de avanços da sociedade, jogadores de futebol não são apenas avaliados e cobrados a partir do desempenho dentro de campo. Existe um questionamento necessário para a conduta desses atletas no ambiente privado e pessoal.

Acredito que essa responsabilização deve ser compartilhada com os clubes de futebol, gestores da vida e carreira desses atletas. Essas instituições esportivas milionárias se gabam por revelarem talentos, que realmente fazem a diferença dentro de campo. Precisam também se orgulhar, ou se decepcionar, no que tange à formação de cidadãos.

É óbvio que uma boa educação não livra qualquer sujeito de reproduzir violências e opressões no dia-a-dia, mas com certeza é uma ferramenta que contribui para a superação e mudança deste cenário.

Neymar e Robinho são dois atletas vencedores pelo Santos e pela seleção brasileira com uma série de acusações graves extra-campo. Dois jogadores negros que pouco se posicionaram ao longo da carreira contra o racismo e poderiam ter contribuído para a vida e a formação de outros jovens.

Essa responsabilidade deve ser compartilhada com o Santos. O clube, que se orgulha de ser o grande formador de atletas no Brasil, precisa rever a formação de atletas na Vila Belmiro. Esses jovens passam a maior parte do tempo da vida dentro das instalações desses clubes, o que dá a essas instituições um poder imenso para construir a personalidade e os valores desses jovens.

Brindar atletas como LeBron James e outros jogadores da NBA exige da nossa parte reconhecer o trabalho desenvolvido pela liga de basquete norte-americana e pela formação esportiva e universitária da grande maioria desses jogadores. Isso, sem esquecer, que a educação não é a única ferramenta de mudança e que os atletas por lá também cometem erros.