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Quando o rei perde o poder dos peões

·7 minuto de leitura
Xadrez. (Imagem: Freepik)
Xadrez. (Imagem: Freepik)

Essa semana estava assistindo o filme Coração Valente, um épico maravilhoso com Mel Gibson interpretando o papel de William Wallace. Se você ainda não assistiu, recomendo que assista.

Quando terminei o filme, uma pergunta começou a encher os meus pensamentos. Como os reis tinham tanto poder sobre os plebeus (que aqui chamaremos de peão, única e exclusivamente a uma alusão às peças de xadrez)?

Obviamente, quando somos confrontados com essa indagação, a resposta que vem em nossa mente é o fato do rei ter dinheiro, terras e armas.

Mas se analisarmos com um pouco mais de cuidado, perceberemos que essas coisas são superficiais, e que a resposta é um pouco mais complexa.

A verdadeira guerra não é entre os governantes

Estamos acostumados a assistir filmes e séries épicas onde ocorrem guerras entre reis. Vikings, Game of Thrones, Rei Arthur, todas as tramas são de reis (Estados) que por algum motivo qualquer, não gostam dos outros e por isso decidem começar uma guerra entre as nações. Esses duelos de poder ficam evidentes que aqueles com mais dinheiro, terras e armas conseguem se sobressair.

O que fica pouco evidente são os conflitos de poder entre os reis e seus peões. Mas isso normalmente não é culpa dos cinegrafistas ou dos escritores, mas dos historiadores que acreditam que os conflitos entre reis são os que trazem mais impacto na vida dos cidadãos.

Acontece que o conflito de poder entre reis e peões é muito mais importante do que as guerras entre os Estados. Os peões que em cada nova geração ficam mais equipados e conseguem se defender, são aqueles que realmente fazem a diferença e conseguiram diminuir a discrepância de poder entre o deles e o do rei.

Na escola aprendemos apenas as histórias dos conflitos entre reis, justamente para nos distrair dos conflitos que são os que realmente importam, os dos peões contra os reis. Nas histórias contadas dentro das salas de aula, os peões possuem apenas uma entre duas escolhas: Apoiar o rei invasor ou o defensor.

Mas, se observarmos o contexto daquela época fica até fácil de entender. Imagine que você é apenas um peão, morando com sua família em uma casa feita de madeira e palha em um pedaço de terra, trabalhando para conseguir ter comida para o próprio sustento.

Um belo dia, um grupo de cavaleiros chega e exige que você dê metade da sua comida. Você observa que aqueles cavaleiros, que você nunca viu na vida, são homens extremamente treinados que estão a mando do rei.

Apesar de ter várias outras opções, a única viável neste contexto é satisfazer as necessidades dos cavaleiros para que você volte a sua pacata vida. Isso porque os soldados do rei tem armas, treinamento e experiência, enquanto você não possui nenhuma dessas coisas, além de ser um analfabeto que não sabe lutar.

Existe um abismo de conhecimento e treinamento entre os peões e os cavaleiros do rei, sejam eles os invasores ou defensores. Isso se dá não por conta do dinheiro, armas e terras, mas devido a tecnologia que o governante possui que não está disponível à população.

Sem informação, estamos em desvantagem

Em um mundo sem internet, aquele que conseguiu mais dinheiro, armas e terras irá com toda a certeza se tornar o governante, selando o destino dos peões. Entretanto, essas coisas que o tornaram rei não são aquilo que os mantém, já que isso não é uma vantagem de longo prazo.

O que os mantém vivos e no poder são a capacidade de obter informações e conseguir manter um abismo de equipamentos e principalmente de armas, entre eles e os peões, mantendo a tecnologia para si e evitando que os peões a tenham. Neste caso, a vantagem que os cavaleiros possuem sobre os mais pobres é a sua habilidade de matá-los mais facilmente.

Agora, vamos supor que os peões se tornem mais eficientes que os cavaleiros, sendo necessário o dobro deles para conseguir acabar com a mesma quantidade. Neste caso, a dinâmica do poder mudou. E se os peões ficarem ainda mais eficientes? Agora, imagine que eles conseguiram uma nova ferramenta para se protegerem, que os cavaleiros não conhecem, como por exemplo as balestras, o que acontece com o poder do rei?

Essa é a verdadeira história que não é contada na sala de aula. E ela é tão antiga quanto contemporânea, afinal, está acontecendo ainda hoje.

O poder repousa na diferença de informação e tecnologia entre os peões e os governantes, seus reis.

Essa diferença necessitava uma grande distância, tanto que os reis ficavam reclusos em seus castelos, fora do alcance da população. Porém, conforme a tecnologia foi diminuindo a distância das informações e garantindo que os peões também tivessem a capacidade de ter a mesma tecnologia disponível aos reis, eles se viram ameaçados.

É por isso que hoje observamos com muita frequência o medo nos olhos dos governantes.

O levante tecnológico

Atualmente, os governantes conseguem manter seu poder através da impressão do dinheiro e do efeito Cantillon. Sabe-se que o dinheiro não é neutro, e aqueles que têm acesso direto ao crédito do dinheiro impresso se beneficiam do aumento da oferta.

Em outras palavras, a inflação dá aos governantes, os únicos que podem imprimir dinheiro, o poder, retirando dos peões, seus cidadãos, o poder de compra, lapidando o seu patrimônio de uma forma lenta e gradual.

Mas o efeito Cantillon também está presente na tecnologia. Aqueles que detém a nova tecnologia são os vencedores, e aqueles que não a possuem, são os perdedores.

Um exemplo que todos conhecem é a bomba atômica, que deu aos Estados Unidos uma hegemonia por alguns anos, até que outras nações também construíssem as suas. Porém, existe uma grande diferença quando este efeito se dá na tecnologia e no dinheiro.

Quando olhamos pelo espectro monetário, vemos que o efeito Cantillon apenas degrada a população. Roma, os Gregos, Alemanha, Brasil, enfim, existem milhares de exemplos disponíveis na história que mostram que a impressão de dinheiro degradou várias sociedades.

Entretanto, quando o mesmo efeito ocorre na tecnologia, indiferente do setor que tenha sido aplicada, os peões podem se beneficiar e os reis podem acabar perdendo poder.

O problema é que a criação de novas tecnologias é um evento muitíssimo raro, e não somos treinados para reconhecê-los. Porém, a necessidade de se igualar o poder dos cidadãos com os governantes, faz com que os peões comecem a reconhecer a necessidade de uma nova ferramenta.

Acredito que não seja necessário dizer que hoje é muito mais fácil para um peão reconhecer essa necessidade do que na época medieval, devido a tecnologia da informação. Além disso, é muito mais fácil para os outros peões saberem desta ferramenta e começarem a utilizá-la.

Mas não foi somente este o benefício trazido pela tecnologia da informação. Ela também fez com que algo que era desfavorável se tornasse muito favorável. Na época de William Wallace, a distância era o principal inimigo.

Hoje, com o advento da internet, a presença física das pessoas se torna um problema estratégico já que os reis podem suprimir rapidamente aquele grupo, e a presença online com a dispersão física é um obstáculo para os governantes. Porém, é importante entender que isso só pode ocorrer devido ao fato de existir uma tecnologia que não pode ser parada ou tornada obsoleta, como a internet, e o próprio Bitcoin.

Tanto a internet quanto o Bitcoin não vão desaparecer. Além disso, a utilização dos dois irá criar uma classe de peões anônimos e anti-reis, mais conhecidos como cypherpunks.

É a primeira vez na história da humanidade que isso se tornou possível, uma comunidade de peões distribuída que nega o poder do rei. Nos próximos anos veremos muitas pessoas entrarem nesta comunidade. Peões que sem essas tecnologias nunca iriam conseguir ficar igualados em poder com os seus reis.

Os homens igualados em poder com os governantes fazem com que sua coroa comece a cair. Os reis perceberam que o xeque é inevitável, por isso estão correndo pelo tabuleiro buscando abrigo nas outras peças.

O xeque-mate é certo, e a cada novo peão que cruza o tabuleiro, faz com que a situação do rei fique cada vez pior.

Fonte: Livecoins

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