Mercado fechado

Qualcomm vê oportunidade de crescimento com bloqueio à Huawei

Rubens Eishima
·2 minuto de leitura

Durante a coletiva de imprensa após a divulgação de seus resultados financeiros do trimestre passado, a Qualcomm anunciou um faturamento de US$ 8,3 bilhões (cerca de R$ 46,7 bi), incluindo um acordo bilionário de patentes com a Huawei. Ao ser perguntado sobre o impacto das sanções impostas pelos EUA à empresa chinesa, o presidente da fabricante de chips deu a entender que a empresa solicitou uma licença de exportação para a Huawei.

Em transcrição da coletiva feita pelo site The Motley Fool, Cristiano Amon, brasileiro presidente da fabricante, afirmou que a empresa atualmente não tem uma licença para vender produtos à Huawei e está seguindo a proibição dos Estados Unidos.

Sem afirmar explicitamente que solicitou a autorização junto ao departamento de comércio norte-americano — responsável por fiscalizar as sanções —, Amon deixou claro que o bloqueio imposto pelos Estados Unidos beneficia a Qualcomm, independentemente de ser liberada para fazer negócios com os chineses.

“Nós nos sentimos bem preparados em nossa posição, dada a nossa boa relação com todos os fabricantes premium e topo de linha. E se isso, a longo prazo, é uma oportunidade com a Huawei no caso de recebermos uma licença, ou se é uma oportunidade para nossos clientes [se aproveitando das dificuldades da rival chinesa], vemos isso como um resultado positivo e uma expansão potencial de mercado para a Qualcomm. E esperamos que isso aconteça à medida que olhamos para a demanda por aparelhos em 2021”, declarou Amon.

CFO da Qualcomm, Akash Palkhiwala afirmou que compartilha da opinião de Cristiano, destacando que a fabricante pode ser beneficiada tanto vendendo para a Huawei quanto para outros fabricantes que tomem o espaço dos chineses. O movimento já foi registrado por analistas de mercado, que registraram um crescimento da Xiaomi equivalente à queda nas vendas da rival.

5G em ascensão

A Qualcomm estima que o mercado de smartphones 5G registrará outro salto em 2021, com vendas na casa de 500 milhões de aparelhos de última geração, quase duas vezes mais do que neste ano.

Mais do que apenas os processadores com modem 5G integrado (ou combinado, caso do Snapdragon 865), a empresa destacou que tem visto um aumento de demanda pelos seus chips em outros aparelhos conectados, que vão desde o IoT até carros.

Outro importante “puxador de vendas” é o iPhone 12, que integra um modem 5G Snapdragon X55. O modelo da Apple não foi mencionado diretamente, mas Palkhiwala faz uma referência a ele ao citar as fortes previsões para o último trimestre deste ano “com o lançamento de um dispositivo 5G flagship equipado com nosso chip”.

Os resultados para o terceiro trimestre do ano (último trimestre do ano fiscal de 2020 da empresa) superaram as expectativas dos analistas, o que causou uma valorização nas ações da Qualcomm desde o anúncio nesta última quarta-feira (4).

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: