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Qual o lugar mais longe que o homem já foi no espaço? E qual será o próximo?

Danielle Cassita
·9 minuto de leitura

Até o momento, os humanos já conseguiram grandes feitos no espaço, como orbitar nosso planeta, a Lua e até caminhar em nosso satélite natural para coletar amostras e realizar experimentos. Agora, missões para Marte não soam mais como algo possível apenas na ficção científica, mas como um projeto que, talvez, esteja mais próximo da realidade do que imaginamos. Mas, afinal, qual é o lugar mais longe que o homem foi no espaço? E qual será o próximo?

Para entender melhor a resposta desta pergunta, precisamos voltar algumas décadas. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a antiga União Soviética se envolveram na Guerra Fria, dando início também à Corrida Espacial, em 1957. Ali, as duas nações disputavam qual seria aquela que conquistaria o espaço primeiro, e os russos saíram na frente: primeiro, eles lançaram o satélite Sputnik 1 naquele mesmo ano.

Já em 12 de abril de 1961, o cosmonauta Yuri Gagarin foi para o espaço a bordo do veículo Vostok 1, que tinha dois módulos. O cosmonauta conseguiu realizar uma órbita completa em torno da Terra e, durante a missão, Gagarin voou por 108 minutos à velocidade de 27,4 mil km/h. No ponto mais alto do voo, ele alcançou a altitude de 327 km. Ao voltar para casa, ele se tornou uma celebridade global e realizou diversas viagens pelo mundo, celebrando e promovendo a conquista que os soviéticos haviam alcançado.

Há 60 anos, Yuri Gagarin alcançou um grande feito na Corrida Espacial (Imagem: Reprodução/ESA/Twitter)
Há 60 anos, Yuri Gagarin alcançou um grande feito na Corrida Espacial (Imagem: Reprodução/ESA/Twitter)

Posteriormente, os Estados Unidos deram início ao Projeto Mercury em 1958, com o objetivo de lançar uma espaçonave tripulada para a órbita terrestre, investigar como o corpo humano se sai no espaço e, claro, trazer a tripulação e o veículo de volta para a Terra em segurança. De 1961 a 1963, foram realizados seis voos tripulados, sendo que foi na missão Mercury-Redstone 3 que o astronauta Alan Shepard se tornou o primeiro norte-americano a ir para o espaço.

Lançada em 5 de maio de 1961, a missão levou Shepard ao espaço a bordo do foguete Redstone. O voo durou cerca de 15 minutos, ele alcançou a altitude máxima de 180 km e voltou para a Terra sem orbitar nosso planeta — mas ele voltou ao espaço outra vez com a missão Apollo 14, que pousou na Lua em 15 de fevereiro de 1971 após viajar mais de 380 mil km. Durante a missão, ele e Edgar Mitchell caminharam na superfície lunar para coletar amostras e fazer experimentos. Além disso, Shepard percorreu quase 3 mil km na superfície lunar, a maior distância.

Durante a estadia na Lua, Shepard deu uma tacada em uma bolinha de golfe para experimentar a gravidade lunar (Imagem: Reprodução/NASA)
Durante a estadia na Lua, Shepard deu uma tacada em uma bolinha de golfe para experimentar a gravidade lunar (Imagem: Reprodução/NASA)

Finalmente, chegamos a John Glenn, o astronauta que se tornou o primeiro norte-americano a orbitar a Terra. Depois de alguns adiamentos por problemas mecânicos no foguete que seria usado no lançamento, ele foi à órbita terrestre a bordo da cápsula que chamou de “Friendship-7”, como uma homenagem aos seus colegas membros do programa, que integravam o grupo Mercury 7. O voo durou 4 horas e 55 minutos, e Glenn conseguiu orbitar nosso planeta três vezes, alcançando a altitude máxima de 261 km. O sucesso da missão abriu o caminho para o projeto Gemini e, posteriormente, para o célebre programa Apollo, que levou os humanos para o lugar mais longe já alcançado até hoje: a Lua.

Da Terra para o lugar mais longe que o homem já foi no espaço

Como os russos estavam na dianteira da Corrida Espacial, o presidente norte-americano John F. Kennedy desafiou a NASA a levar homens para a Lua e trazê-los para casa em segurança. A NASA tomou a dianteira da proposta ambiciosa com a criação do programa Apollo, desenvolvido após os projetos Mercury e Gemini. Criado em 1961, o programa exigiu esforços monumentais de quase meio milhão de funcionários para que tudo saísse do papel.

Além disso, também foi preciso criar veículos para a empreitada, como o Saturn V, que entrou em ação nos voos tripulados e não tripulados do programa. Houve um total de 17 missões Apollo, sendo que as primeiras foram testes de equipamentos para a tentativa do futuro pouso na Lua: a Apollo 7, por exemplo, foi lançada em 11 de outubro de 1968 para orbitar a Terra e testar os sistemas de suporte à vida, controle e propulsão. Durante a missão, os astronautas Walter Schirra Jr., R. Walter Cunningham e Donn F. Eisele alcançaram a altitude máxima de 227 km.

A célebre foto "Earthrise", feita pela tripulação, que mostra o "nascer" da Terra (Imagem: Reprodução/Bill Anders/NASA)
A célebre foto "Earthrise", feita pela tripulação, que mostra o "nascer" da Terra (Imagem: Reprodução/Bill Anders/NASA)

Com o sucesso da missão, a NASA lançou a Apollo 8 em dezembro de 1968, que foi a primeira a levar astronautas para a órbita lunar e, ainda, para a maior distância já percorrida até então: eles alcançaram quase 400 mil km de distância da Terra. Contudo, o pouso na superfície lunar aconteceu somente em 1969 com a missão Apollo 11, em que os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin fizeram história ao pisar na superfície lunar pela primeira vez, na região que chamaram de Marda Tranquilidade.

A missão foi desenvolvida para a tripulação viajar mais de 200 mil km no espaço, mas isso não significa que eles estiveram na maior distância em relação ao nosso planeta. Curiosamente, este título fica para a missão Apollo 13, que também é conhecida como “a falha bem sucedida da NASA”. Devido a uma explosão no módulo de serviços, os astronautas não puderam pousar na Lua. Como o principal objetivo da missão estava descartado pela segurança da tripulação, eles precisaram orbitar nosso satélite natural emergencialmente para conseguirem voltar para casa e, nisso, passaram pelo lado afastado da Lua à altitude de 254 km, a 400 mil km de distância da Terra.

Felizmente, as missões seguintes do programa realizaram pousos de sucesso em diferentes lugares da superfície lunar: a Apollo 14 pousou em Fra Mauro, que leva o mesmo nome da cratera de 80 km de diâmetro. Já a Apollo 15 pousou com sucesso na região de Hadley–Apennine, enquanto a 16º missão pousou na região de Terras Altas de Descartes. Por fim, a Apollo 17, a última do programa, pousou na região de Taurus-Littrow.

Indo ao espaço para ficar

O fim das missões Apollo não significou, nem de longe, o fim da presença humana no espaço: com a Estação Espacial Internacional (ISS), inaugurada no ano 2000, tripulações de diversos países vêm revezando a estadia no laboratório que orbita a Terra a cerca de 400 km de altitude. A ISS nasceu de um projeto dos Estados Unidos que, gradualmente, foi envolvendo outros países parceiros, como a Rússia, o Canadá, Japão e os países membros da Agência Espacial Europeia. Os primeiros componentes da estação foram enviados em 1998 com os ônibus espaciais, e foram necessários dois anos até que tudo estivesse pronto para a primeira tripulação chegar lá.

Embora a ISS esteja se aproximando para o fim oficial de suas atividades, as nações envolvidas no projeto planejam usá-la por mais alguns anos (Imagem: Reprodução/cookelma/Envato)
Embora a ISS esteja se aproximando para o fim oficial de suas atividades, as nações envolvidas no projeto planejam usá-la por mais alguns anos (Imagem: Reprodução/cookelma/Envato)

Em 31 de outubro de 2000, um foguete russo Soyuz foi lançado no Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, levando o astronauta William Shepherd junto dos cosmonautas Sergei K. Krikalev e Yuri Gidzenko para a estação que havia acabado de nascer. O trio chegou ao laboratório orbital depois de dois dias de viagem e, durante a estadia, eles instalaram e ativaram o suporte de vida e sistemas de comunicação. Desde então, a estação nunca mais ficou sem tripulantes a bordo — tanto que, no ano passado, a ISS chegou aos 20 anos de presença humana contínua.

Para receber os tripulantes, a ISS tem pressão interna semelhante àquela de um Boeing 747, e pode abrigar tripulações de até seis astronautas por seis meses, mas o número de ocupantes pode aumentar — que, aliás, é o que está acontecendo atualmente: como as tripulações da Expedição 64 e Crew-1 estão a bordo somando sete astronautas, Mike Hopkins, comandante da Crew-1, vem usando a nave Crew Dragon como acomodação, já que a ISS tem apenas seis dormitórios.

Hoje, existem planos para o lançamento de missões para a estação orbital até 2024 e, além disso, grande parte do hardware é certificada para operar até 2028, embora alguns componentes já estejam demonstrando claros sinais de fadiga após já passaram do tempo de uso para o qual foram criados. Mesmo assim, em algum momento as nações envolvidas na construção e manutenção da ISS terão que decidir o momento de encerrar as atividades e retirá-la da órbita.

O que vem depois?

Pode ser que os recordes conquistados durante o programa Apollo sejam superados em um futuro não tão distante: hoje, a NASA segue trabalhando no programa Artemis, uma nova empreitada de exploração da Lua e além. Desta vez, a ideia é levar a primeira mulher e o próximo homem para a superfície lunar para realizar novos estudos e estabelecer a presença humana fixa e sustentável por lá. Se tudo correr conforme o planejado pela agência espacial, a primeira turma de astronautas deve voar para lá em 2024.

O programa será uma etapa essencial para a realização de futuras missões tripuladas em Marte (Imagem: Reprodução/NASA/Twitter)
O programa será uma etapa essencial para a realização de futuras missões tripuladas em Marte (Imagem: Reprodução/NASA/Twitter)

Para isso, a ideia é usar o Space Launch System (SLS), um foguete massivo construído com base na tecnologia usada nos ônibus espaciais. Sobre o SLS, estará a cápsula Orion, que pode abrigar até quatro astronautas para missões no espaço profundo. Ao contrário das espaçonaves criadas para o transporte na órbita baixa da Terra, o escudo térmico da Orion poderá protegê-la das altíssimas temperaturas durante a reentrada na atmosfera terrestre.

Por fim, o programa também propõe o desenvolvimento da estação Lunar Gateway com o apoio de países parceiros. A ideia é que esta estação fique na órbita da Lua, funcionando não só como um ambiente para pesquisas científicas, mas também como uma base de apoio para os astronautas que forem e voltarem de missões na superfície lunar.

Além disso, a Gateway também irá abrigar os astronautas que serão treinados em simulações da duração de uma viagem a Marte. Neste caso, equipes compostas por até quatro astronautas vão passar por treinamentos a bordo da estação, com o objetivo de imitar a duração de uma viagem para Marte. Depois, uma dupla deles vai visitar a superfície da Lua, simulando uma missão de exploração do Planeta Vermelho. Se tudo seguir conforme planejado pela NASA, a montagem da estação deverá ser iniciada em 2023.

Fonte: Canaltech

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