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Qual o impacto na sua vida da compra da Trend pela CVC

Foto: Arquivo Pessoal/Alessandra Stefani

Por Alessandra Stefani (@Alemarrom) – Quem já era grande, ficou ainda maior. A gigantesca CVC desembolsará 258 milhões reais na compra da Trend, um grupo do ramo de viagem com forte presença no setor hoteleiro. Mas o que isso significa para o mercado? Qual o impacto dessa aquisição para o consumidor? O Yahoo! conversou com o economista Moisés Diniz Vassallo, pesquisador da FIPE e professor na área de turismo, para repercutir os efeitos dessa transação milionária.

Não é muito difícil entender por que grupos consolidados compram seus concorrentes. Quando uma empresa aumenta o valor do seu produto para lucrar mais, ela pode perder clientes. Alguns podem deixar de comprar para economizar ou buscar preços mais atraentes na concorrência.

E o que acontece quando uma gigante como a CVC adquire uma operadora menor e mantém as duas marcas separadamente? Segundo o economista Vassallo, ao subir os custos de uma delas, a operadora pode perder cliente para ela mesma, já que o consumidor acaba comprando da vendedora com preços melhores, que, no final das contas, é da própria CVC.

A consequência dessa concentração de mercado pode ter impacto no seu bolso. “Na medida em que você vai virando monopolista, vai tirando esses concorrentes do mercado e tornando-se o único vendedor, você tem maior capacidade de precificar acima do custo. Para o consumidor, é sempre danoso ter menos concorrência”, ele explica.

O negócio CVC-Trend ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, uma espécie de júri que garante a livre concorrência no mercado. Mas o economista não vê motivo para o CADE reprovar a aquisição. Na opinião dele, a Trend não é uma empresa tão grande e ainda existem vários outros concorrentes no segmento além dela e da CVC.

“O mercado de turismo tem recebido a cada dia novos players importantes, que têm ganhado espaço de uma forma muito significativa”, avalia Moisés Vassallo. Ele cita dois exemplos. O site Airbnb, que permite a interação entre donos de imóveis e turistas, tem sido bastante procurado por quem não se importa em se acomodar em uma casa. E muitos que não dispensam hotel usam serviço como o oferecido pela Booking.com, uma das líderes mundias em reserva de hospedagem pela internet.

Com os avanços tecnológicos, essas empresas estão chegando com força total e abocanhando uma parcela expressiva do público. Elas não usam o modelo tradicional de se trabalhar com turismo, mas têm um poder de concorrência impressionante. Isso impede que os grandes do setor sejam a única opção no mercado e detenham um monopólio, opina o economista.

Fusão e aquisição na área de turismo não são novidades. Nem aqui, nem lá fora. Moisés Vassallo lembra que nas décadas de 1960 e 70, companhias aéreas foram adquiridas umas pelas outras na Europa e nos Estados Unidos. Mais tarde, operadoras de viagem espanholas compraram concorrentes em Portugal e na África. Grupos hoteleiros também seguiram os mesmos passos. É uma tendência mundial.

A própria CVC já adquiriu várias empresas desde que abriu as portas, 45 anos atrás. Ela comprou a Rextur Advance, focada em viagens corporativas, a agência on-line Submarino Viagens, e a Experimento, especializada no segmento de intercâmbio.

“A CVC é um grupo que está constantemente investindo e comprando”, diz o economista Vassallo. Como líder no Brasil, não é de se estranhar que a gigante ainda tenha apetite para mais aquisições.