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Qual a diferença entre um voo suborbital e um orbital? Ambos são espaciais?

·3 minuto de leitura

No último domingo (11), a Virgin Galactic fez seu primeiro voo suborbital totalmente tripulado, que levou o bilionário e fundador Richard Branson, junto de outros cinco tripulantes, para cerca de 86 km de altitude. Agora, Jeff Bezos será o próximo a ir ao espaço: ele deverá realizar o primeiro voo tripulado do sistema New Shepard no dia 20 de julho, acompanhado por outros três tripulantes. Além das diferenças entre os veículos utilizados nessas missões, há também algumas diferenças importantes entre as altitudes dos voos. É que, enquanto a Virgin realiza voos suborbitais, a Blue Origin ostenta voos orbitais.

Branson e os demais tripulantes da Virgin Galactic voaram a bordo da nave VSS Unity, lançada com o apoio de um avião, que proporcionou um voo suborbital de cerca de 80 km de altitude e quatro minutos de sensação de ausência de peso. Assim, quando dizemos que a Virgin Galactic realizou um voo suborbital, significa que a empresa levou seu veículo para a “fronteira” que limita a atmosfera terrestre e o espaço. Isso indica também que o veículo não alcançou velocidade horizontal suficiente para conseguir se manter no espaço, de modo que acaba voltando para a Terra graças à atração gravitacional.

A trajetória dos voos da Virgin Galactic (Imagem: Reprodução/Virgin Galactic/Twitter)
A trajetória dos voos da Virgin Galactic (Imagem: Reprodução/Virgin Galactic/Twitter)

Como não tem potência suficiente para alcançar a órbita, os veículos dos voos suborbitais alcançam determinada altitude e depois desativam os motores para voltar para a Terra. Geralmente, os veículos suborbitais precisam alcançar a velocidade de 6.000 km/h — no caso da Virgin Galactic, a nave VSS Unity chega à velocidade de cerca de 3.700 km/h. Quando chegou ao ponto mais alto da trajetória em arco, os tripulantes puderam experienciar a sensação de ausência de peso, mas isso porque estavam realizando uma queda livre em direção à Terra.

Em paralelo, temos Jeff Bezos e sua Blue Origin, que vai voar com o sistema New Shepard, composto por um foguete lançador e uma cápsula autônoma. Da mesma forma como acontece nos voos da empresa de Branson, os tripulantes também poderão passar alguns minutos experimentando a sensação de ausência de peso — com a diferença de que, neste caso, eles irão realizar um voo orbital, que permite que o veículo se mantenha em órbita. Para isso, é necessário alcançar e manter determinada velocidade.

Trajetória realizada pelo sistema New Shepard (Imagem: Reprodução/Blue Origin)
Trajetória realizada pelo sistema New Shepard (Imagem: Reprodução/Blue Origin)

Para entender melhor, imagine uma pessoa, em solo, jogando uma bolinha para cima. A bolinha ila iria subir por um arco, até que retornaria para o solo. Agora, imagine que, para que a bolinha se mova mais rapidamente, essa bolinha seja lançada com um foguete. Nesse cenário, a bolinha iria se mover tão rápido que a forma do arco ficaria semelhante à da curvatura da Terra — e aí sim a bolinha poderia alcançar a órbita, viajando sobre nosso planeta a uma altitude consistente.

Para conseguir fazer isso, uma nave teria que alcançar a altíssima velocidade de 28.000 km/h. No caso da Blue Origin, o foguete terá seus motores ativados até alcançar a altitude necessária para liberar a cápsula, à velocidade de cerca de 3.200 km/h — mas, como tem uma trajetória quase vertical, o veículo consegue altitude e momento angular suficientes para alcançar o espaço orbital. Ao fim do voo, o foguete fará um pouso autônomo e suave, seguido pela cápsula.

Fonte: Canaltech

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