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Quais negócios da Disney ganharam ou perderam valor com a pandemia do COVID-19?

Rui Maciel

Que a pandemia do COVID-19 atingiu a maioria das empresas do mundo, não é novidade. Mas a Disney pertence a um seleto grupo de companhias em que a epidemia a fez ganhar e perder na mesma proporção. E um grupo de analistas do Well Fargo, uma das maiores instituições de serviços financeiros dos EUA, mostrou quais das 11 divisões do conglomerado ganharam ou perderam valor de mercado no meio dessa crise. Confira na tabela abaixo:

Assets da Disney Valor de mercado antes de 7 de abril Valor estimado após 7 de abril
Estúdios (Marvel, Pixar, Lucasfilm, Disney, Fox) US$94,8 bilhões US$73,8 bilhões
Parques US$ 66,7 bilhões US$ 22,9 bilhões
Disney Plus US$ 46,7 bilhões US$ 54 bilhões
Produtos de consumo US$ 36,3 bilhões US$ 14,8 bilhões
Hulu US$ 22,2 bilhões US$ 27,1 bilhões
ESPN US$ 17,6 bilhões US$ 11 bilhões
Outros serviços de TV a cabo US$ 14,9 bilhões US$ 14,2 bilhões
Canais de TV US$ 12,2 bilhões US$ 8 bilhões
Redes internacionais US$ 9,2 bilhões US$ 7,6 bilhões
BAMTech US$ 5,1 bilhões US$ 5,1 bilhões
ESPN Plus US$ 5 bilhões US$ 5 bilhões
Total US$ 330,6 bilhões US$ 244 bilhões

De modo geral, os analistas do Well Fargo preveem que a Disney, como um todo, perca 26% de valor de mercado por causa da pandemia - atualmente, o conglomerado tem valor de mercado de US$ 213 bilhões. O relatório afirma que um dos fatores determinantes para essa queda é a grave crise na divisão de parques da empresa, a principal impactada pelo coronavírus, perdendo 65% do seu valor de mercado - na esteira dos parques, a divisão de produtos de consumo também sofreu uma diminuição de 59%. A instituição estima que os parques da Disney permaneçam vazios pelo resto do ano fiscal da empresa, que termina em setembro. Para piorar, eles ainda devem funcionar apenas com metade da capacidade no próximo ano fiscal, já que a ideia é limitar a aglomeração

"Enquanto não tivermos testes significativamente melhorados e / ou uma vacina [contra o Covid-19] amplamente disponível, é difícil imaginar longas filas nos parques, não importa o quanto as pessoas possam queiram ir ao [Walt Disney World] ", afirmou a Well Fargo em nota. "Vemos o fator limitante como tecnologia de assistência médica, pois ativos como o Walt Disney World precisarão operar com distanciamento social no local - limitando significativamente a capacidade - ou uma vacina precisará estar disponível em tempo suficiente para que a população se sinta novamente segura em tal situação. Os testes também podem melhorar, permitindo que os clientes com imunidade / anticorpos se comportem um pouco mais livremente ".

Bob Iger, presidente executivo da Disney e ex-CEO, afirmou que a empresa estava discutindo se seria necessário implementar verificações de temperatura em seus parques, semelhante à maneira como verifica as malas dos visitantes.

"Uma das coisas que já discutimos é que, para retornar à normalidade, as pessoas terão que se sentir confortáveis ​​por estarem seguras", disse Iger. "Parte disso pode vir na forma de uma vacina, mas, na ausência dela, pode vir basicamente de mais escrutínios e mais restrições. Assim como agora fazemos testes de bagagem para todos que entram em nossos parques, pode ser que em algum momento adicionamos um componente que leva a temperatura das pessoas, por exemplo ".

Streaming pode ser a salvação

A análise do Wells Fargo, no entanto, é mais otimista com os serviços de streaming da Disney. "Achamos que a criação de valor do Disney Plus (e mais tarde no Hulu) seria suficiente para compensar um ambiente em declínio para as redes de mídia", afirmaram os especialistas.

A confiança nessa divisão se converte em números. Nas estimativas da instituição, os serviços de streaming Disney Plus e Hulu foram os únicos que ganharam uma valorização de mercado: 15,6% e 22%, respectivamente. Além disso, o valor de mercado da ESPN Plus também não se alterou. Mesmo outros segmentos audivisuais, como canais de TV a cabo e redes de TV, tiveram uma desvalorização menor.

O otimismo nessas divisões tem uma explicação prática: como o público precisa ficar confinado em casa por causa do coronavírus, o consumo de conteúdo em serviços de streaming e canais de TV aumenta exponencialmente.

No entanto, um eventual prolongamento do confinamento também pode derrubar até mesmo esses setores mais promissores: isso porque é preciso reabastecer seus acervos com novas atrações para manter interesse do público. E com a crise do coronavírus, quase todas as produções, entre filmes e séries, tiveram suas gravações interrompidas. E isso inclui os eventos esportivos.

Fonte: Canaltech

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