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Quais as diferenças e o que aconteceu nas 3 principais Guerras Secretas?

As Guerras Secretas estão chegando ao Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês). São os eventos mais conhecidos da Casa das Ideias, e que normalmente envolve as misteriosas criaturas conhecidas como “engenheiros cósmicos” da editora — não se sabe muito sobre eles, apenas que eles têm a capacidade de alterar a realidade e de construir (e de destruir) mundos. Várias histórias receberam essa nomenclatura, mas apenas três são mais lembradas e relevantes.

Como o nome indica, são eventos que ocorrem sem que a humanidade sequer saiba que existam, e apenas os heróis e vilões da Marvel é que participam de batalhas que acontecem em mundos fabricados ou em Terras alternativas reunidas em um só lugar. As duas principais Guerras Secretas, a de 1984 e a de 2015, são as mais importantes, porque mudaram bastante a cronologia da editora e reverberam por vários anos.

Abaixo, o Canaltech faz um resumo da Guerras Secretas de maior destaque.

Guerras Secretas originais (1984)

Encomendada como parte de um plano de merchandising entre a fabricante de brinquedos Mattel e a Marvel Entertainment, as Guerras Secretas originais não tem lá um grande roteiro e o vilão, o Beyonder, não tinha motivações claras ou convincentes. Mas ver um evento que reuniu pela primeira vez os principais personagens da Marvel Comics em uma maxissérie de 12 edições foi um marco histórico.

Na trama, o Beyonder cria um mundo chamado de Battleword, em que os principais heróis e vilões da Marvel se confrontam em várias rodadas. Entre os participantes estavam os X-Men, os Vingadores, o Quarteto Fantástico, o Homem-Aranha, Doutor Destino, Kang, Homem Molecular, Ultron, Gangue da Demolição, Doutor Octopus, Galactus, entre outros.

As Guerras Secretas originais promoveram a primeira vez que um evento foi contado em uma maxissérie na Marvel (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)
As Guerras Secretas originais promoveram a primeira vez que um evento foi contado em uma maxissérie na Marvel (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

As batalhas não eram assim tão empolgantes, mas a dinâmica entre os personagens foi muito bem bolada por Jim Shooter, que teve os belos desenhos de Mike Zeck e Bob Layton. Era divertido demais ver o Hulk interagindo com o Quarteto Fantástico e o Homem-Aranha com os X-Men, entre outros ícones que nunca haviam passado tanto tempo juntos. O grande plot twist da história foi o Doutor Destino roubando os poderes do Beyonder com a ajuda do Homem Molecular, o que foi determinante para que todos conseguissem escapar do Battleworld e retornar para a Terra.

Diferente dos outros encontros entre heróis até então, as Guerras Secretas conseguiram alimentar ideias que realmente mudaram as coisas e serviram como ponto de partida para várias narrativas. Como resultado da treta, o Coisa foi substituído pela Mulher-Hulk no Quarteto Fantástico, após Ben Grimm conseguir retornar à forma humana; o Homem-Aranha ganhou um uniforme preto, que mais tarde seria revelado como o simbionte responsável pela origem do Venom; o Hulk entrou em um estado de selvageria que o deixou completamente irracional, entre outras coisas.

Nas Guerras Secretas originais, Homem-Aranha ganhou um uniforme alienígena que tinha sua própria teia. Mais tarde o simbionte viraria o Venom (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)
Nas Guerras Secretas originais, Homem-Aranha ganhou um uniforme alienígena que tinha sua própria teia. Mais tarde o simbionte viraria o Venom (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Um detalhe curioso é que, no Brasil, a série teve que ser publicada sem tanto atraso em relação à distribuição nos Estados Unidos. Isso porque os mesmos brinquedos da linha Guerras Secretas comercializadas pela Mattel foram vendidas por aqui pela Gulliver, no mesmo período. Então, a publicação, que tinha mesmo uma função comercial, teve que acontecer em solo nacional.

Como as histórias costumavam chegar cerca de dois anos após serem veiculadas em solo ianque, a Editora Abril teve que rebolar para encaixar o status quo de vários personagens — tem até o episódio em que a empresa brasileira precisou pintar o uniforme do Homem-Aranha nas revistas lançadas posteriormente por aqui, já que os títulos abordavam aventuras que haviam sido publicadas lá fora meses antes.

E o mais importante foi que a Marvel viu que grandes eventos com muitos personagens fazem sucesso, e, por isso, passou a criar vários arcos em formato semelhante em cada franquia.

Guerra Secreta (2004)

Essa minissérie, que tem esse nome mesmo, no singular, nada tem a ver com eventos da grandeza das outras duas principais Guerras Secretas. Pelo contrário, é até uma trama mais contida e “intimista”, com uma guerra realmente muito secreta: Nick Fury convoca o Capitão América para liderar uma equipe formada pelo Homem-Aranha, Demolidor, Luke Cage, Wolverine, Viúva Negra e a inumana Daisy Johnson.

Eles precisam ir para a Latveria, nação do Doutor Destino, em uma guerra secreta contra Lucia von Bardas — na época Victor Von Doom estava preso no Inferno. Fury descobre que a governante era a responsável por equipar vários vilões “Série B” da Marvel. As coisas dão errado e, anos mais tarde, esse segredo vêm à tona porque os inimigos voltam para assombrar os heróis envolvidos nessa missão. Também participam da história o Quarteto Fantástico, Jessica Jones, Punho de Ferro, Mary Jane e a SHIELD.

Guerra Secreta foi uma minissérie que já fazia parte de uma reformulação na Marvel (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)
Guerra Secreta foi uma minissérie que já fazia parte de uma reformulação na Marvel (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Essa história foi criada por Brian Michael Bendis, que, na época, vinha ajudando a reformular a Marvel pós-concordata. Bendis ajudou a recuperar os Vingadores, o Homem-Aranha, e os “heróis de rua”, que mais tarde iriam para a Netflix: Jessica Jones foi uma criação dele, por exemplo. Ele também se dedicou a aumentar o protagonismo feminino nas tramas.

Uma das partes mais engraçadas e interessantes dessa história está justamente na primeira edição. Muitos inimigos do Demolidor e do Homem-Aranha não possuem poderes, apenas são equipados com uma tecnologia que seria avançada demais para “capangas” como eles desenvolverem sozinhos. Então, já era o Bendis deixando as coisas mais verossímeis para uma nova geração de leitores.

Primeiro encontro de Wollverine, <a class="link " href="https://canaltech.com.br/celebridade/peter-parker/" rel="nofollow noopener" target="_blank" data-ylk="slk:Peter Parker">Peter Parker</a>, Matt Murdock e o Capitão América é hilário (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)
Primeiro encontro de Wollverine, Peter Parker, Matt Murdock e o Capitão América é hilário (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Além disso, a “desculpa” de ser uma guerra secreta o deixou recontar como Wolverine e Capitão América se reencontraram, assim como Demolidor e Homem-Aranha se viram pela primeira vez em identidades civis. Todo teriam se conhecido melhor nessa viagem à Latveria. Aliás, os quatro, juntos, no avião, rendem um dos momentos mais hilários já protagonizados por esses personagens.

Guerras Secretas “reboot” (2015)

Já em meados dos anos 2010, a Marvel tinha conseguido reposicionar os Vingadores como sua franquia número um, e o Marvel Studios já vinha crescendo em importância, devido ao enorme sucesso de Homem de Ferro, Thor, Capitão América: O Primeiro Vingador e Os Vingadores. Simultaneamente, por ordem de Isaac Perlmutter, presidente da Marvel Entertainment, os X-Men ficaram em segundo plano por algum tempo nas revistas, e o Quarteto Fantástico foi aposentado por tempo indeterminado.

As Guerras Secretas de 2015 devem servir de inspiração para Vingadores: Guerras Secretas nos cinemas (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)
As Guerras Secretas de 2015 devem servir de inspiração para Vingadores: Guerras Secretas nos cinemas (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

As Guerras Secretas de 2015 foram minuciosamente bem orquestradas pelo roteirista Jonathan Hickman, que aproveitou o evento para promover um “soft reboot”: ele reposicionou os principais grupos e super-heróis para uma nova era na Marvel, aproveitando tudo o que tinha dado certo na linha Ultimate; criou um fluxo de retroalimentação entre as mudanças das adaptações de cinema com o status quo dos personagens, deixando-os mais fáceis de reconhecer para os fãs que não liam os quadrinhos; homenageou as Guerras Secretas originais, e, principalmente, produziu uma trama que explicava com dignidade a razão de o Quarteto Fantástico ter que se ausentar das revistas por um tempo.

Já expliquei isso bem melhor em uma matéria aqui mesmo do Canaltech, se você ainda não leu-a, então vale a pena saber certinho como tudo isso aconteceu com as Guerras Secretas de 2015.

Outras Guerras Secretas

A Marvel lançou várias outras histórias com a nomenclatura Guerras Secretas envolvida. Guerras Secretas II, de 1985, até tentou aproveitar o hype criado pelas Guerras Secretas originais, mas foi um completo fracasso. Além de não ter nada de secreto, porque o Beyonder vem passear uns dias na Terra, com todo mundo vendo suas estripulias, a narrativa ficou toda fragmentada em várias revistas de linha.

Guerras Secretas II foi um completo fracasso (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)
Guerras Secretas II foi um completo fracasso (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

No final dos anos 1980, a Marvel tentou novamente capitalizar sobre o evento original, usando uma trama do Quarteto Fantástico que seria as Guerras Secretas III. Mas tudo foi tão pouco inspirado que ninguém nem lembra disso. Já em 2006, em Beyond!, a editora começou a explicar melhor o que seria o Beyonder, e por que ele provocou as Guerras Secretas originais.

Depois disso, alguns especiais dos Vingadores, do Homem-Aranha e até do Deadpool revisitaram as Guerras Secretas originais. E, atualmente, há um título dos Defensores do Além, chamado de Defenders Beyond, que também citou o evento de 1984 e as motivações do Beyonder. Mas, como dá para notar acima, somente dois eventos e uma minissérie que evocam essa nomenclatura realmente merecem a relevância que têm.

Fonte: Canaltech

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